Quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

ISSN 1983-392X

Amanhã ninguém sabe

Edson Vidigal

O Brasil hoje é um País quebrado. A proposta de Orçamento da União para este ano, que ainda rola no Congresso, indica um rombo descomunal. As contas não fecham.

terça-feira, 1º de março de 2016

Os objetivos fundamentais da República, irremovíveis da Constituição – construir uma sociedade livre, justa e solidária; garantir o desenvolvimento nacional e promover o bem de todos, estão aí empacados e não é de hoje.

Já no primeiro Governo da Dilma já se antevia o desastre. O Brasil hoje é um País quebrado. A proposta de Orçamento da União para este ano, que ainda rola no Congresso, indica um rombo descomunal. As contas não fecham.

A fúria do leão da Receita Federal sempre focando a classe média, ignorando os donos das grandes fortunas, que sabem de olhos fechados como pagar menos impostos, não consegue aquietar a sanha gastadora do Governo sempre relutante em reduzir o tamanho do Estado a cada ano mais infestado pela mediocridade e mãos ligeiras da maioria dos novos agentes.

Ouvi o Lula contar no rádio as dificuldades das campanhas anteriores das quais saiu sempre derrotado. Fora lhe cedido um avião velho que passada a eleição caiu na Bolívia. Agora, não. Estava muito otimista. O Duda Mendonça, até então marqueteiro do Maluf, aceitara trabalhar para o PT e o Duda para ele era que nem goleiro do Corinthians, ou seja, uma garantia.

Realmente, o Duda começou dando um banho de loja no antigo sindicalista do ABC, arrumando-lhe a barba e o cabelo, vestindo-o com ternos bem cortados, camisas sociais e gravatas combinando. E tal.

No plano politico, Dirceu articulou adesões como a de José Alencar, senador por Minas e respeitado conquanto bem sucedido empresário, que foi ser o Vice. Credita-se ainda a Dirceu os apoios de dois ex-Presidentes, Sarney e Itamar.

Quando os concorrentes passaram a bater em Lula indicando que ele não tinha nem equipe para governar, Duda bolou uma reunião de petistas, um de cada área, apresentando-os no que seria uma reunião de trabalho da equipe de Lula. Isso no programa de TV.

Dilma foi vista pela primeira vez em cadeia nacional como parte dessa equipe. Trazida de Porto Alegre pelo Dirceu. Sua especialidade? Energia elétrica. Depois, com o mensalão, ela foi trocada para a Casa Civil no lugar do Dirceu, mas manteve régua e compasso no Ministério das Minas e Energias através do novo Ministro Silas Rondeau, que ela própria indicou a Lula.

Tendo, a partir de então, conhecido melhor a Dilma no dia a dia do Planalto, ninguém melhor do que o Presidente para avaliar sua Ministra Chefe da Casa Civil.

É verdade que Lula ainda esperou, em máxima discrição, que a onda de reeleições sucessivas que se alastrava por outros países do continente, a partir da Venezuela. Ao pressentir que, não obstante forte eleitoralmente, o Congresso não aceitaria, tratou logo, no maior sigilo e com muita antecedência, de esculpir a Dilma para futura Presidente.

Problema é que a Dilma nunca concorreu a eleição nenhuma. Nem para síndica de condomínio, nem para Vereadora, nem mesmo para Perpétua, a Rainha das Rosas.

No interior do Nordeste, por exemplo, entre o eleitorado de cabresto - e essa gente é quem ainda decide as eleições, ninguém sabia quem era Dilma. Começaram a dizer que ela era a mulher do Lula. E deu certo. Iriam votar, e votaram, na mulher do Lula.

No ano passado não houve eleição presidencial. Houve um leilão entre financiadores de campanha, regado a mentiras e fantasias, resultando tudo num indiscutível estelionato eleitoral. Agora, com a Lava a Jato, começamos a ver tudo mais claramente.

Errou o Lula ao bancar para sua sucessão uma pessoa sem experiência para liderar um País com as dimensões e complexidade politica para a construção da democracia. E que já entrou para a história como a Presidente mais desastrada e autoritária entre os não militares que até aqui ocuparam o cargo.

Faltava prender o outro responsável direto pelo estelionato, o marqueteiro da Dilma. Quem pagou e quanto pelas mentiras que a Presidenta – candidata teve que falar.

Recentemente, mais uma agência de avaliação de riscos de investimentos, no caso a Moody's (como se pronuncia mesmo?) rebaixou a nota do Brasil, o que significa mais queda na credibilidade do Governo.

Ao mesmo tempo, pesquisa de opinião pública divulgada mantém a alta rejeição popular da Dilma, mais de 65% no País.

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*Edson Vidigal é advogado. Foi Presidente do Superior Tribunal de Justiça e do Conselho da Justiça Federal.