Terça-feira, 22 de outubro de 2019

ISSN 1983-392X

Super Terça 15 de março pode definir as eleições nos EUA

Maristela Basso

Dentro do Partido Republicano a escolha do candidato a Presidente nunca foi tão acirrada.

terça-feira, 15 de março de 2016

Ainda estão longe as convenções finais para definição dos candidatos à presidência dos Estados Unidos pelos Partidos Republicano e Democrata, o que só deve acontecer no segundo semestre, antes do mês de novembro, quando acontecem as eleições. Contudo, o cenário que se avizinha para o dia 15 de março é o de uma "Super Terça", talvez a mais importante das últimas eleições naquele país. Isso porque, dentro do Partido Republicano a escolha do candidato a Presidente nunca foi tão acirrada.

O queridinho dos caciques do Partido Republicano, Jeb Bush, ex-governador da Florida, viu sua campanha não decolar e abandonou a disputa logo no início. Não teve fôlego para concorrer com os outros colegas de Partido: os Senadores Ted Cruz, pelo Texas, e Marco Rubio, pela Florida. Também não resistiu ao Governador de Ohio, John Kasich – que, pouco falado, parece ser o mais preparado. Todavia, o maior desafio dos Republicanos não tem sido o confronto entre seus vários políticos e sim como frear a corrida do empresário carismático e ufanista Donald Trump, desconsiderado, inicialmente, sem nenhuma chance, tornou-se o favorito, mesmo sem o apoio partidário.  

Do outro lado do ringue estão o Senador Bernie Sanders e a ex-secretária de Estado Hillary Clinton, ambos disputando na próxima terça, dia 15, vantagem que poderá ser decisiva na indicação de quem será o candidato a presidente dos EUA pelo Partido Democrata – o mesmo de Barack Obama.

O que está em jogo na próxima "Super Terça" para os Republicanos é qual dos candidatos nas prévias terá chances concretas de levar a indicação final do Partido. Prévias acontecem na terça, dia 15 de março, em Ohio e na Florida. John Kasich deve levar a melhor em Ohio, haja vista que tem sido ótimo governador e administrador competente e confiável. Liberal por essência. Na Florida, as expectativas são de que Marco Rubio ganhe, recupere o sopro depois da derrota em outros estados da federação e passe à frente de Ted Cruz em número de delegados –aqueles que votam na convenção final partidária do segundo semestre. Hoje, Ted Cruz tem mais delegados que Marco Rubio, mas, na Florida, a situação pode ser revertida. Com possível vitória de Rubio e Kasich, em dois importantes estados, a disputa pode ficar mais difícil para Trump em número de delegados conquistados. Essa é a melhor alternativa para os caciques republicanos que estão desesperados com a possível vitória final de Trump - que se levar a indicação do Partido
não tem chances contra a Democrata Hillary Clinton.

Em todas as pesquisas de opinião, pelo menos nas mais importantes e seguras, como da NBC/Wall Street, Hillary ganha de Trump com boa vantagem (51% a 38%). Todavia, se ela concorrer com Cruz ou Rubio há, em ambas as hipóteses, empate técnico. Ademais, é sabido que é grande a rejeição a Trump. Em uma disputa final do eleitorado, quando a chefia da maior nação do mundo estiver em jogo, Trump e seu discurso xenófobo e midiático terão lugar apenas nas piadas e tirinhas de jornais. Por isso, é preciso tirar Trump da disputa ou minimizá-lo ao máximo. Caso contrário, sobrará aos republicanos de carteirinha apenas uma bala de prata: os "Super Delegados" partidários - que poderão, na convenção final, votar em Cruz, Rubio ou Kasich de forma autônoma, o que equivale a dizer de forma independente ao resultado das urnas nos estados da federação que representam. Daí porque, o mais indicado é que Cruz, Rubio e Kasich acordem sobre qual deles tem maiores chances de vencer em um confronto com Trump na convenção final do Partido Republicano, contrariamente, teremos mais um mandato dos Democratas na Casa Branca. Nessa reflexão de quem fica e sai, Ted Cruz leva, à primeira vista, vantagem junto ao eleitorado moderado e pragmático. Perde Rubio com sua moribunda ortodoxia e inexpressiva atuação parlamentar. Entre Cruz e Rubio, e a vulgaridade e mesquinhez de muitos de seus discursos públicos recentes, sem dúvida, John Kasich é o candidato de maior musculatura intelectual, preparo pessoal, e o que pode salvar a honra dos Republicanos e levar a melhor nos debates com Hillary Clinton.

Hillary esta semana se consolidou após vencer as prévias do Mississipi, ao passo que Bernie Sanders venceu no Michigan, estados de peso para o Partido Democrata. Contudo, Hillary leva vantagem disparada. Dos 1221 delegados que já possui, 461 são os considerados "Super Delegados", figurões do Partido que podem votar na convenção final sem seguir as urnas. Por outro lado, Sanders tem o poio de apenas 25 dos "Super" e um total geral de 571 delegados – bem menos que a adversária. Entre os Democratas o cenário já está (quase) definido. A candidata deve ser Hillary Clinton. O problema, agora, é com quem ela disputará a Casa Branca: com o Titanic Ted Cruz ou o liberal previsível e bem formado John Kasich. Donald Trump não vai estar na final – se prevalecer o bom senso e o juízo.
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*Maristela Basso é advogada e professora de Direito Internacional da Faculdade de Direito da USP.