Segunda-feira, 14 de outubro de 2019

ISSN 1983-392X

Egos Inflados na Advocacia: como enfrentar este desafio?

Maria Olívia Machado e Ana Barros

O ego pode guiar um advogado por um caminho de destruição. Este comportamento pernóstico e arrogante, que o ego disfuncional incita, pode também prejudicar a criatividade.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Você deve conhecer este perfil: aquele colega que faz qualquer coisa para receber o crédito de um trabalho ou estar numa posição de poder; que quer sair por cima em cada discussão e traz o foco sempre para si; aquele membro da equipe que toda vez critica as ideias das outras pessoas...

É sempre bom estar atento, estas pessoas são tóxicas e podem estar minando a saúde de uma equipe ou, até mesmo, de todo o escritório, ou ainda de um departamento jurídico com estes tipos de comportamentos.

O ego é a raiz de muitos problemas no ambiente de trabalho. Da má comunicação a uma negociação fracassada, até a tomada de decisão errada, o ego pode guiar um advogado por um caminho de destruição. Este comportamento pernóstico e arrogante, que o ego disfuncional incita, pode também prejudicar a criatividade, minar uma boa solução de problemas, causar estresse e afetar negativamente o moral de uma equipe como um todo.

Muitos de nós sabemos como é difícil trabalhar com ou para estas pessoas com o ego inflado. Infelizmente, há uma grande chance de você encontrar este tipo de característica em um colega, chefe ou cliente em algum momento de sua carreira. Afinal, a natureza competitiva dos escritórios e departamentos jurídicos podem, naturalmente, levar as pessoas a apenas se focarem em si mesmas. Acontece que para se proteger, é fundamental que você aprenda a lidar com este tipo de personalidade tóxica.

Em primeiro lugar, é importante saber diferenciar um ego inflado de uma dose saudável de autoconfiança e assertividade.

Pessoas egocêntricas geralmente:

- Querem ou exigem os crédito de cada ideia para si mesmas.
- Usam, quase que exclusivamente, o "eu" ao invés do "nós".
- Dominam conversas e reuniões.
- Vangloriam-se, lembrando as pessoas de sua superioridade ou excelência.
- Impedem que outros expressem as suas ideias para que não sobressaiam a delas.
- Recompensam aqueles que as apoiam e, se puderem, punem aqueles que não o fazem.
- Intimidam ou tentam exercer um poder que elas não necessariamente têm.

E como lidar com pessoas assim?

Há muitas saídas através de uma estratégia de mudança na comunicação.

1. Não deixe que eles lhe contagiem

É tentador reagir a estas pessoas com a intenção de baixar a sua bola. Contudo, é muito provável que você não ganhe esta batalha e isso ainda pode afetar a sua imagem ao longo do processo.

Se alguém insiste em estar sempre certo, deixe que a pessoa se expresse até esgotar a sua ideia. Quando então pararem de falar, expresse o seu ponto com calma e confiança. Isso pode ser altamente eficaz, especialmente, quando a pessoa com esta característica é seu chefe e pode usar a sua autoridade sobre você. Manter a calma e ouvi-lo atentamente é uma forma de abrandar a situação para evitar maiores problemas. Se acreditar que é o caso, volte a falar sobre este assunto num outro momento ou numa próxima reunião.

2. Fale o nome da pessoa

Esta é uma tática sutil que realmente pode funcionar. Quando você se dirige às pessoas por seus nomes, é natural obter a sua total atenção. Portanto, quando se dirigir a uma pessoa egocêntrica, use o seu primeiro nome tanto quanto couber àquela situação.

3. Afirme as suas necessidades

Pessoas com esta característica podem ser truculentas e quererem ganhar as discussões pela força. Estabeleça, claramente, os seus limites e defina o que é e o que não é aceitável. Em seguida, acompanhe o comportamento do colega e não lhe dê qualquer espaço para manipulação ou dominação.

Se a pessoa egocêntrica é o seu chefe, a situação é uma pouco mais crítica. Busque comunicar claramente o que você precisa (suporte, recursos, orientação, feedback, etc.) para fazer o seu trabalho. Quando estiver falando sobre estas necessidades, mostre estar buscando fazer o seu melhor e tentando criar uma relação positiva com ele.

4. Diga o que pensa

Pessoas egocêntricas não esperam ser desafiadas. Elas, geralmente, sentem-se tão certas da sua importância que não acreditam que alguém pode se opor a isso. Portanto, se você indicar claramente o porquê de estar indo de encontro a alguma questão, com contra-argumentos sólidos, você enfraquecerá a armadura dela. No entanto, não fale com o objetivo de brigar ou embaraçar a pessoa. Basta revelar a fraqueza do argumento dela e ser assertivo sobre aquilo que pensa, a fim de que suas ideias sejam ouvidas.

A depender da sua relação com ela, você pode ser capaz de dar feedbacks construtivos para lhe ajudar a entender o impacto de seu comportamento. Seja sensível e compassivo. Lembre-se de que esta forma dela agir pode ser uma tentativa de se proteger por conta de alguma insegurança pessoal mais profunda.

5. Foque na missão do time

Esteja atento ao impacto negativo que o comportamento egocêntrico do advogado pode estar tendo em relação à missão da equipe. Diagnosticando esta influência, busque trazer o foco de todos de volta para o objetivo inicial. Desta forma, você desafia sutilmente este comportamento neste contexto.

6. Diminua o foco na competitividade no ambiente de trabalho

Problemas de ego tendem a emergir em ambientes em que a recompensa e reconhecimento estão vinculados a ser melhor do que o resto da equipe. Se você passar recompensar o trabalho em equipe, ao invés do desempenho individual, pode-se diminuir o estímulo dado a este tipo de comportamento.

7. Invista na cooperação

Coloque o egocêntrico em situações que ele deve confiar na contribuição e na ajuda de colegas para realizar determinada tarefa com sucesso. A necessidade de trabalhar em conjunto tende a promover o respeito e a compreensão. Isso pode impulsionar a pessoa com este problema a perceber o valor das contribuições das outras.

Lembre-se de fornecer apoio adequado àqueles que estão trabalhando com o advogado difícil, visto que pode não ser uma das atividades mais fáceis a serem realizadas.

8. Diminua o envolvimento com o time

E se nenhuma das atitudes acima der certo e por algum motivo a pessoa não pode ser afastada do escritório de advocacia ou do departamento jurídico, tente mantê-la o mais distante do time quanto possível. Delegue tarefas específicas que possam ser realizadas separadamente e inclua a pessoa em reuniões de equipe apenas quando necessário.

Por fim, vale lembrar que, no ambiente jurídico, encontrar profissionais egocêntricos é algo muito comum. Contudo, é também uma situação bastante desafiadora para se lidar. Afinal, esta característica traz riscos para o escritório ou departamento, já que pode acabar afetando o moral de um time, o espírito de equipe e contaminar um ambiente de trabalho.

Por isso, é sempre bom estar atento, a fim de proteger a si mesmo e ao seu grupo, caso tenha uma posição de gestão e de liderança. Conforme dissemos acima, há duas maneiras de se combater este comportamento: ou você muda a maneira como se relaciona com a pessoa ou muda o ambiente de trabalho. Perceba o que melhor se aplica à situação. Contudo, independente da abordagem, usar lembretes gentis sobre comportamentos que não são apropriados, podem ajudar a pessoa disfuncional a receber a mensagem desejada e efetivamente plantar uma sementinha de mudança no seu interior. Analise a situação e vá em frente!

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*Ana Barros é coach, advogada e sócia da Thelema Coaching para Advogados.






*Maria Olívia Machado é coach, advogada e sócia da Thelema Coaching para Advogados.