Sábado, 24 de agosto de 2019

ISSN 1983-392X

A importância do jornalismo jurídico para as organizações e para os escritórios de advocacia

Luís Humberto Carrijo

Na era da pós-modernidade, em que a sociedade está cada vez mais complexa, imediata e interligada, há uma miríade de pontos de contato entre assuntos diversos com as questões jurídicas, tais como temas tributários, trabalhistas, do funcionalismo público, da segurança pública, compliance, fusões empresariais, entre outros.

quinta-feira, 7 de junho de 2018

A área jurídica tornou-se fundamental e estratégica para as organizações públicas e privadas assim como para as agências de comunicação. Muitas das disputas de narrativa se dão no âmbito jurídico, campo no qual as organizações precisam se destacar e ter seus pontos de vista reverberados entre públicos de interesse, os chamados stakeholders.

Na era da pós-modernidade, em que a sociedade está cada vez mais complexa, imediata e interligada, há uma miríade de pontos de contato entre assuntos diversos com as questões jurídicas, tais como temas tributários, trabalhistas, do funcionalismo público, da segurança pública, compliance, fusões empresariais, entre outros.

O mercado da notícia percebeu a importância desses acontecimentos que são de interesse de sua audiência. A grande imprensa tem hoje setoristas especializados em pautas do Judiciário, outros veículos oferecem cadernos voltados para esses temas e nos últimos anos, como resultado da ampla oferta de conteúdo possibilitada pelas plataformas digitais e da pressão de um nicho de mercado, surgiram sites de notícias especificamente jurídicas.

Nesse cenário, é papel do comunicador e das agências referenciarem seus clientes nesses fóruns deliberativos, porque a exposição de motivos e argumentos de teses jurídicas podem influenciar o entendimento de autoridades do mundo do direito e interferir em decisões judiciais e legislativas, que impactam ganhos de setores de mercado e de categorias profissionais.

Para os operadores do Direito, o jornalismo jurídico tornou-se o melhor meio para fazer propaganda indireta de seus escritórios, de seus pareceres e de suas causas, sem ferir o Código de Ética e Disciplina da profissão. Esse conjunto de normas da OAB é extremamente rigoroso ao vedar a utilização da publicidade profissional do advogado, visando a captação de clientela ou a mercantilização da profissão.

Qualificar-se nessa arena significa estar fora ou dentro do jogo político, econômico, jurídico, social e sindical, da visibilidade pública e de seu poder de influência. Tanto a imprensa como as agências de comunicação amadureceram na produção de conteúdo jurídico, com a divulgação de bem fundamentados e conflitantes pontos de vista para que sejam discutidos por vários públicos fora do exclusivo círculo do direito, democratizando e enriquecendo o debate.

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*Luís Humberto Carrijo é fundador da Rapport, jornalista, comunicador, palestrante e escritor.