Segunda-feira, 24 de junho de 2019

ISSN 1983-392X

No tempo dos bons costumes — ou uma visão reacionária?

Sylvia Romano

Bons costumes, uma expressão a ser repensada e atualizada.

sexta-feira, 27 de abril de 2007


No tempo dos bons costumes — ou uma visão reacionária?

Sylvia Romano*

Bons costumes, uma expressão a ser repensada e atualizada.

Não sou de “antigamente” mas, a todo momento, tenho de rever os meus conceitos de ética, educação e comportamento. O que é certo, o que é errado... Confesso que em alguns momentos chego a ficar em dúvida. É certo acabar com o tratamento de “senhor”, para virar “você” e, em algumas situações, até “MANO”? Qual o problema de uma filhinha de 13 anos iniciar-se sexualmente em seu próprio quarto ao lado do dos seus pais? Já soube até de história em que uma senhora chegou a comemorar com a mãe de um garoto a iniciação sexual de sua filha pelo rapaz.

Em que mundo estamos vivendo? Também não acho bonito uma menina “ficar” com vários garotos em uma mesma noite e tentar o recorde perante suas amiguinhas. Outro dia, fui jantar em um restaurante e um casal na mesa ao lado se fazia acompanhar pelo filho adolescente, que passou a noite toda segurando a mão e acariciando o seu namoradinho. Um outro casal conhecido resolveu iniciar um relacionamento a três — até ai, talvez tudo bem —, mas o que achei um pouco estranho é que houve participação até aos mais amigos nessa história. E, como se não bastasse toda essa “modernidade”, descobri que uma amiga (que já está presa) havia se tornado “mula” internacional, ou seja, estava traficando drogas e as pessoas achando a coisa mais normal do mundo.

Em uma acalorada discussão da qual participei sobre um banqueiro preso por um grande desfalque, o mesmo foi absolvido pela maioria dos presentes, graças ao seu empenho em colecionar arte. No panorama político então nem se fala. Todos chamam os políticos de ladrões — o que a maioria realmente é —, mas já ouvi de pessoas próximas, por diversas ocasiões, que se elas pertencessem a essa classe, fariam tudo para enriquecer, de qualquer forma.

E quanto aos “palavrões”? Parece até que hoje quem não os fala é um ser do século retrasado. Senhores e senhoras de todos os níveis e idades, querendo parecer modernos, passaram a incorporar um repertório que faria até corar as educadas damas dos bordéis e borracharias de antigamente. Palavra dada, fio de barba, honrar o que foi pactuado... Nem pensar! O que talvez seja até muito bom para nós advogados, o grande aumento de processos estão aí para confirmar esta minha colocação.

E as etiquetas? Pobre do Marcelino de Carvalho, o grande estudioso das boas maneiras que, se hoje estivesse vivo, acabaria infartado. Até a nossa maior autoridade chegou a mencionar a ginecologia feminina em seu discurso de boas-vindas ao homem mais poderoso do mundo!

Será que virou moda a falta de respeito, do conhecimento e da educação? A ausência da hierarquia e do protocolo? Regras e normas de comportamento dão o rumo à sociedade. Sem elas, o que poderemos ter e que já estamos vivendo se resume em uma única palavra – CAOS.

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*Advogada do escritório Sylvia Romano Consultores Associados









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