Terça-feira, 19 de novembro de 2019

ISSN 1983-392X

A segurança é a eterna vigilância

Sylvia Romano

No amor e nos negócios a vigilância é a eterna segurança. No amor nem se fala, a confiança é fundamental, mas nunca custa ficar atento, já que sempre a ocasião faz o ladrão. Fique ligado ou ligada nas mudanças de humor, no desinteresse ao sexo, nas implicâncias e nas comparações; repense sempre o seu modo de agir, pois quem está bem com alguém não trai, a não ser que o próprio traído esteja agindo contra si ou quem está traindo tenha essa índole, ou seja, é uma pessoa que não vale a pena.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007


A segurança é a eterna vigilância

Sylvia Romano*

No amor e nos negócios a vigilância é a eterna segurança. No amor nem se fala, a confiança é fundamental, mas nunca custa ficar atento, já que sempre a ocasião faz o ladrão. Fique ligado ou ligada nas mudanças de humor, no desinteresse ao sexo, nas implicâncias e nas comparações; repense sempre o seu modo de agir, pois quem está bem com alguém não trai, a não ser que o próprio traído esteja agindo contra si ou quem está traindo tenha essa índole, ou seja, é uma pessoa que não vale a pena.

Já nos negócios a coisa é mais séria, porque a delegação sempre implica no risco, mesmo acreditando que administrar é saber delegar, mas sempre lembrado que o ser humano é mutável, corruptível e, na maioria das vezes, inconseqüente e desonesto. Brasília está ai para comprovar.

Há pouco tempo, chegou ao meu conhecimento o caso de um empresário, ou melhor, um herdeiro de uma das maiores fortunas do Brasil que, ao receber a herança, veio junto à secretária, que servia ao patriarca há muito tempo. Mimado como é a maioria dos bem-nascidos, achando-se merecedor da graça divina, resolveu que o que mais queria na vida era não ter de se preocupar com coisas pequenas como ler documentos, conferir os papéis do contador, pagar impostos e outras maçantes obrigações.

Em um supremo esforço, o milionário se predispôs a assinar cheques e documentos buscando só um "X" feito pela diligente secretária — secretária esta que recebia seu salário, mediano de mercado, mas que durante este tempo todo foi agraciada com os aumentos previstos em lei e nada mais. Ah sim, de vez em quando, recebia também alguma bronca, para saber o seu lugar como, por exemplo, ter esquecido de avisar o motorista que o patrão gostaria de utilizar naquele momento um determinado carro e não aquele que ele estava usando. Uma vez essa mesma profissional esqueceu-se do prenome "doutor" e chamou o chefe de "você" — foi o suficiente para ser repreendida veementemente na frente de todos da diretoria.

Passam-se os anos e um dia a casa cai. O grande empresário perdeu a empresa e achou que não estava pobre — apenas achou. No decorrer de sua agradável gestão assinou, sem saber, procurações para a secretária com plenos poderes e transferiu aplicações a "bel" prazer da dita cuja. Ou seja, ele realmente estava pobre.

A secretária não enriqueceu, mas seu ex-marido, com quem vive até hoje, é milionário e seus filhos também o são. A última notícia que tivemos dela dava conta que estava morando na Europa com o ex-marido, como uma grande dama.

Após consultas a vários advogados, o ex-milionário descobriu que não tinha o que fazer, pois tudo estava completamente legal e não lhe cabia ação de espécie alguma, pois todos os documentos haviam sido assinados conforme manda a lei. Ou seja, quando a "burrada" é grande, não há bom advogado que possa dar jeito.

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*Advogada do escritório Sylvia Romano Consultores Associados









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