Segunda-feira, 14 de outubro de 2019

ISSN 1983-392X

Empresas familiares são mais lucrativas

Sylvia Romano

Uma recente matéria publicada em uma revista de grande circulação apontou que as empresas familiares são as mais lucrativas, indo contra a teoria de que toda organização para crescer e se perpetuar tem de profissionalizar a sua direção, passando os seus proprietários a ser meramente acionistas daquilo que os próprios, ou seus herdeiros, têm direito.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007


Empresas familiares são mais lucrativas

Sylvia Romano*

Uma recente matéria publicada em uma revista de grande circulação apontou que as empresas familiares são as mais lucrativas, indo contra a teoria de que toda organização para crescer e se perpetuar tem de profissionalizar a sua direção, passando os seus proprietários a ser meramente acionistas daquilo que os próprios, ou seus herdeiros, têm direito.

Concordo plenamente com essa constatação. Na Europa existem vários exemplos de companhias centenárias que estão nas mãos dos herdeiros de seus fundadores, ou mesmo empresas que foram adquiridas por investidores e que eles próprios as administram com grande sucesso.

Esta teoria de "profissionalização" é um prato cheio para teóricos e estudiosos das disciplinas voltadas à Administração e à Economia, que não têm capacidade empreendedora, nem se propõem a "arregaçar as mangas" e começar pequeno, tampouco criar algo seu. Para eles, é muito mais cômodo pegar o "bonde andando", com todas as benesses e mordomias que uma grande empresa oferece aos diplomados e pós-graduados em grandes universidades, onde a teoria nem sempre é igual à prática. Esses profissionais de mercado, na sua grande maioria contratados para serem os "salvadores da pátria" com as suas teorias acadêmicas, participação em grandes e caríssimos eventos de formação e leitura de um ou dois livros de auto-ajuda empresarial, costumam chegar repleto de idéias revolucionárias e onerosas, não procurando entender a cultura da empresa, pois afinal, tudo o que foi feito até então estava completamente equivocado.

E, assim, seu primeiro ato é contratar a peso de ouro uma grande consultoria empresarial para avalizar os seus atos e, principalmente, quando tudo der errado, assumir a responsabilidade das "burradas" que o gênio promoveu. Já o segundo ato, não menos importante, é negociar com uma agência de propaganda, que irá rapidamente sugerir que a "sumidade administrativa" venha a dar o seu testemunhal sobre a empresa que administra — o que com certeza irá lhe trazer grande prestígio e admiração dos seus mais chegados. Esses dois "grandes" atos ainda irão lhe render bons proveitos financeiros, pois a sua participação nos honorários da consultoria, bem como da agência, já estavam previamente acertados. Finalmente, seu terceiro ato será a demissão dos antigos colaboradores e, evidentemente, a contratação de novos de sua inteira confiança, assim como a troca dos atuais fornecedores por amigos do novo executivo, como não poderia deixar de ser.

E os donos do negócio? Bem, estes começam a gozar a vida se entregando ao ócio e ao prazer do consumo. Esportes, viagens, restaurantes, festas, benemerência. As artes e a cultura passam a ser suas únicas preocupações, especialmente, se estas atividades lhe derem a projeção que ele acha que merece — tudo devidamente coberto pelos colunistas sociais e pelas revistas e programas de TVs destinados às celebridades de plantão. A "Vida é Bela" até a bancarrota final, a quebradeira, o escândalo, as páginas policiais, a penúria... E todos se tornam ex-famosos e ex-importantes, menos, obviamente, o orquestrador graduado contratado pelos ex-ricos. Este, com a sua turma, já deve estar repetindo o mesmo planejamento em outra freguesia, melhor dizendo em outra empresa.

Como já dizia a minha avó, o olho do dono engorda o gado e, se houver rato, que seja rato de casa, pois se roubar — e todos roubam — pelo menos o fruto do roubo vai para a casa do dono.

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*Advogada do escritório Sylvia Romano Consultores Associados










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