Domingo, 26 de janeiro de 2020

ISSN 1983-392X

Mais Bugs no Milênio

Edson Vidigal

Já se foram exatos 69 anos desde quando Assis Valente entregou a Carmem Miranda o que ainda hoje é lembrado como um dos seus grandes sucessos – anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar / por causa disso a minha gente lá em casa começou a rezar.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007


Mais Bugs no Milênio

Edson Vidigal*

Já se foram exatos 69 anos desde quando Assis Valente entregou a Carmem Miranda o que ainda hoje é lembrado como um dos seus grandes sucessos – anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar / por causa disso a minha gente lá em casa começou a rezar.

Não é de hoje, nem daqueles tempos, é de muito mais antigamente, essa mania de uns anunciarem o fim do mundo e essa fraqueza de outros acreditarem nessas miragens.

Faltando ainda quatro anos para acabar o último século já se falava no bug do milênio. Os computadores do mundo inteiro iriam travar, nem esmurrando os teclados, ligando e desligando, nada faria funcioná-los. No primeiro minuto do ano 2000 os computadores, confundindo os zeros finais, passariam a contar o tempo a partir 1900. O desastre seria inevitável.

Pelo mundo afora surgiram especialistas em bug e milhares de empresas gastaram muito dinheiro acreditando que a tragédia do bug seria inevitável, algo teria que ser feito. Nesse caso tratava-se de mera possibilidade técnica.

Agora nos anunciam outros novos bugs. Um deles, tecnológico quanto o outro que não aconteceu, nos ameaça embaralhar os endereços na internet, isto porque o sistema criado há 30 anos está nas últimas, e tudo indica não suportará a crescente demanda.

Os outros maus agouros a nos ameaçar seriam mais que bugs. Seriam, em resumo, o fim, o fim do mundo mesmo. Sim, outra vez.

Como no processo das formigas, afinal condenadas à morte por furto de farinha no Convento e os padres do Júri na duvida, discutindo se elas deveriam morrer no aquecimento global de uma fogueira ou se na geleira de um tanque por afogamento, nós todos, comuns mortais deste milênio, ainda não sabemos direito como será a nossa hora final.

A turma do partido verde antevê um tremendo barato, um aquecimento global, as geleiras da antártica se derretendo e nós por aqui no maior suor do mundo esperando os dois Zecas, calma, estou falando do Pagodinho e do Baleiro para o grand finale com o Samba do Aprouche. (Na hora do lanche / eu ando de ferry boat).

Do Japão vem uma proposta muito criativa para se deixar para depois, digamos, empurrar com a barriga, o temido fim do mundo. Já se articula por lá o Dia Mundial do Pulo. A humanidade inteira num mesmo dia e hora dará mil pulos de onde estiver. Assim, todos juntos, mudaremos a órbita da terra acabando-se com o aquecimento global.

Fala-se também nuns manuscritos nos quais Isaac Newton ao decodificar o Livro de Daniel concluiu que o mundo vai acabar em 2060. Outros falam 22.11.2012. Sai pra lá, carnaval. As Centúrias de Nostradamos voltam a ser lembradas por causa de um Grande Rei do Terror, que estaria a caminho de nossas vidas. Mas eles já são tantos e em todo lugar.

Nas cavernas de um povoado na Rússia há uma seita prometendo o fim do mundo para maio de 2008. Não boto fé. Nas areias do Calhau, outra seita já anunciou o fim do mundo para o doutor Jackson em agosto, que já passou. Depois, começaram até a distribuir cargos do Governo garantindo que ele cairia em outubro, que também já passou.

Em Portugal, já se fala que o fim do mundo vai ser com um asteróide de 320 metros que, como naquela manchete do Jornal de Bolso, se vai cair no Atlântico, pode cair até no Calhau. Cuidado Lobão com essas minas e essas energias, elas podem te eletrocutar.

________________


*Ex-Presidente do STJ e Professor de Direito na UFMA







________________