Sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

ISSN 1983-392X

O sucateamento das forças armadas e as ameaças externas

Sylvia Romano

Sempre fui pacifista e sempre serei, mas um tema já vem, há certo tempo, me preocupando — nossa soberania. Somos um país invejado, temos uma extensão territorial continental, além de riquezas únicas em termos agrícolas, subsolo, reservas de água, florestas e potencial de combustíveis fósseis e renováveis, ou seja, todas as grandes necessidades mundiais poderão em muito serem supridas pelo potencial brasileiro.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007


O sucateamento das forças armadas e as ameaças externas

Sylvia Romano*

Sempre fui pacifista e sempre serei, mas um tema já vem, há certo tempo, me preocupando — nossa soberania. Somos um país invejado, temos uma extensão territorial continental, além de riquezas únicas em termos agrícolas, subsolo, reservas de água, florestas e potencial de combustíveis fósseis e renováveis, ou seja, todas as grandes necessidades mundiais poderão em muito serem supridas pelo potencial brasileiro.

O Brasil sempre teve uma índole pacifista, excluindo-se o período da Guerra do Paraguai, uma das grandes vergonhas nacionais que, espero, jamais venha a ocorrer novamente. Mas infelizmente, o momento mundial é preocupante. A ONU está perdendo seu papel conciliador e mediador há muito tempo, vide a sua incapacidade de resolver vários conflitos mundiais. A democracia, a única forma de governo justa e aceitável, ainda não está consolidada em grande parte do globo e, principalmente, na América Latina, onde sobrevivem ditadores déspotas e populistas como Hugo Cháves, Evo Morales e Fidel Castro, que continuam oprimindo seus povos pela força e ignorância.

O Brasil é hoje cobiçado por muitos, seja por empresas multinacionais, sempre bem-vindas, seja pela sua estabilidade financeira, que vem atraindo investidores de todas as partes do mundo e, também, lamentavelmente, por vários outros movimentos que em nome da preservação ambiental começam a discutir e aventar a possibilidade da internacionalização da Amazônia e de outras reservas nossas. Ou seja, precisamos nos precaver e nos proteger.

Ao ter acesso a uma pesquisa publicada pela imprensa, tomei conhecimento da precariedade em que se encontram nossas Forças Armadas, tanto em termos de recursos humanos com soldos aviltantes, quanto em relação aos equipamentos, alguns dos anos 50 do século passado.

Seria bom que nosso governante, que diz ter sido perseguido pela ditadura militar, abandonasse o rancor e o medo dos militares e começasse a se preocupar realmente com a nossa autonomia e com a nossa segurança, esquecendo o passado e olhando para o futuro, pois afinal, este período negro da nossa história começou há mais de 40 anos e acabou há mais de 20.

O mundo mudou, as pessoas são outras. Só continuam iguais a ignorância e a falta de ética, fatores que no futuro, num estudo mais aprofundado sobre a ditadura, serão apontados como as principais razões que levaram o Brasil a mergulhar neste período negro da sua epopéia, o qual levou ao Poder homens que deveriam somente nos proteger, pois enquanto foram ditadores não exerceram a função que lhes cabe originariamente. Agora que os mesmos estão prontos para exercer as "Forças Armadas", o desaparelhamento os coloca em posição insuportavelmente vil.

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*Advogada do escritório Sylvia Romano Consultores Associados










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