Terça-feira, 18 de junho de 2019

ISSN 1983-392X

Molusco real

Sylvia Romano

Ao ler o muito bem embasado artigo “Plebiscito já! E viva o rei!” da professora Sandra Cavalcanti, comecei a pensar nas voltas que o mundo dá. Nosso primeiro mandatário, o Molusco, conseguiu passar a perna em muitos peixes grandes da política e mesmo os terríveis tubarões do capitalismo hoje têm de se curvar diante dele, muito mais por falta de opção do que admiração.

quarta-feira, 23 de abril de 2008


Molusco real

Sylvia Romano*

Ao ler o muito bem embasado artigo "Plebiscito já! E viva o rei!" da professora Sandra Cavalcanti, comecei a pensar nas voltas que o mundo dá. Nosso primeiro mandatário, o Molusco, conseguiu passar a perna em muitos peixes grandes da política e mesmo os terríveis tubarões do capitalismo hoje têm de se curvar diante dele, muito mais por falta de opção do que admiração.

A nossa tão poderosa e incompetente classe política não conseguiu criar um nome, ou melhor, um ídolo que pudesse fazer frente ao rolo compressor do inimigo número um das "zelites". Quando falo das "zelites", não estou me referindo ao alto capitalismo da agiotagem do nosso sistema financeiro, nem do alto empresariado brasileiro que se conta nos dedos das mãos e, sequer do poder das multinacionais cada vez mais presentes e bem-vindas por essas plagas. Quando menciono as "zelites", estou pensando no empreendedor brasileiro com seu pequeno negócio, seu grande esforço e seu imenso trabalho que, graças a ele, uma elite palaciana e política vai muito bem obrigada a despeito dos escândalos, da corrupção e das CPIs que nunca dão em nada, a não ser a projeção que as mesmas propiciam a seus integrantes.

Como já dizia um velho ditado do tempo da minha sábia avó, "já que não tem tu, vai tu mesmo". Acho que está na hora de elegermos um novo rei. Não estou pensando na velha, rançosa e caótica família real brasileira, cujo único, notório e respeitado integrante há mais de um século deixou o mundo dos vivos, mas sim no molusco instalado em Brasília há quase sete anos e que, por manobras e estratégias políticas, insiste em desmentir suas intenções de permanecer no Poder por mais quatro anos. Ele nega — mas se for para o bem de todos, diga ao povo que fico!

Pobre classe média decadente dos dias de hoje. A sua última esperança é a perspectiva de que as famigeradas bolsas eleitoreiras comecem a ser atualizadas periodicamente, pois assim, no futuro breve que se aproxima, quando for eleito mais uma vez, será para sempre coroado "Molusco Real". Esta mesma classe que, um dia já foi média e sustentou a economia da nação, terá de dar o seu voto ao algoz que a jogou na mendicância, sem muita dor na consciência, pois com certeza já estará tendo de sobreviver em função de alguma bolsa a ser criada por ele. E viva o Molusco Real! Que seja instalada a nobreza no Brasil! Salve, salve o novo e permanente Rei, que só se perpetuará para sempre no Poder por única e exclusiva falta de opção.

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*Advogada do escritório Sylvia Romano Consultores Associados










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