Quinta-feira, 18 de abril de 2019

ISSN 1983-392X

Será possível?

Gercino Gerson Gomes Neto e Affonso Ghizzo Neto

Numa sociedade marcada pelo exercício arbitrário e imoral de poder, seria possível uma singela campanha educativa modificar a presente realidade?

quarta-feira, 18 de junho de 2008


Será possível?

Gercino Gerson Gomes Neto*

Affonso Ghizzo Neto**

Numa sociedade marcada pelo exercício arbitrário e imoral de poder, seria possível uma singela campanha educativa modificar a presente realidade? O Projeto "O que você tem a ver com a corrupção?", muito mais do que uma campanha que nasceu em Santa Catarina (2004), foi abraçado pelo Ministério Público brasileiro, tomando, hoje, proporções inimagináveis. Voltado principalmente para crianças e adolescentes, o objetivo principal é prevenir atos de corrupção, a partir da mudança de pequenos hábitos do dia-a-dia como comprar reproduções piratas, furar a fila, "colar" na escola etc. Além da importante função de investigação e da atuação judicial, torna-se necessário o papel educativo do MP junto às escolas para mostrar a crianças e adolescentes os reflexos nefastos da corrupção na educação, saúde e segurança etc.

Ocorre que todos estados brasileiros estão lançando simultaneamente atividades e manifestações públicas, com o envolvimento das sociedades locais, com o objetivo de unir forças numa tarefa que parece impossível: diminuir e atenuar a prática dos atos de corrupção no Brasil. Pode parecer sonho ou ilusão. Uma verdadeira missão impossível. Numa sociedade em que se cultiva muitas vezes o favorecimento indevido e o tráfico de influência, poderia parecer ingenuidade apostar na mobilização social a partir de uma simples reflexão: o que todos nós temos a ver com a corrupção?

Pois bem, o que estamos assistindo, com muita naturalidade, é o engajamento surpreendente de diversos cidadãos brasileiros. O site oficial do Projeto recebe uma média mensal de 100 adesões de novos agentes multiplicadores da campanha que, de posse do respectivo kit, começam a desenvolver nas suas cidades ações educativas para o fortalecimento ético das novas gerações. Vários trabalhos "formiguinhas" que, somados, certamente farão a diferença num futuro próximo. As denúncias também são diversas, assim como testemunhos perplexos, porém esperançosos.

Só para se ter uma idéia do que está ocorrendo Brasil afora, em Rondônia, o arcebispo de Porto Velho, Dom Moacir Grechi, destacou a importância da campanha, enfatizando a necessidade de a sociedade se libertar da cultura da corrupção, a partir das pequenas condutas erradas. Já o Padre Luiz, da Pastoral Social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB, fez uma dinâmica com as crianças, que fizeram simbolicamente o plantio de uma árvore com as principais sementes para o combate à corrupção: como a honestidade, a transparência e a cooperação mútua. Bons exemplos que nos fazem acreditar: Sim, é possível!

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*Procurador-Geral de Justiça do MP/SC

**Coordenador Nacional do Projeto





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