Segunda-feira, 26 de agosto de 2019

ISSN 1983-392X

Estados Unidos: destino exportador!

Roberto Trigueiro Fontes

Estive recentemente abrindo mais um seminário promovido pela AMCHAM/PE e mais uma vez fiquei com a sensação de que alguma coisa não está coerente com o que vemos nos noticiários e reportagens acerca do caminho que está sendo traçado para o Brasil.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2004

Estados Unidos: destino exportador!


Roberto Trigueiro Fontes*

Estive recentemente abrindo mais um seminário promovido pela AMCHAM/PE e mais uma vez fiquei com a sensação de que alguma coisa não está coerente com o que vemos nos noticiários e reportagens acerca do caminho que está sendo traçado para o Brasil. Antes de desencadear o raciocínio, é importante se ter em mente alguns números da economia mundial, os quais devem servir de parâmetro para a tomada de decisões daqueles que detém o poder para tanto.

Dentre os principais exportadores mundiais, a Alemanha ocupa a primeira posição, com 10% do mercado, ficando os Estados Unidos em segundo lugar com 9,7% (o Brasil está em 25º lugar com aproximadamente 1% desse mercado). Esses dados já são suficientes para corroborarem a tese de que os Estados Unidos são um país muito mais importador que exportador, haja vista sua participação relativamente singela diante de sua importância na economia mundial.

Tal assertiva se concretiza com muito mais pertinência quando constatamos que dentre os principais importadores mundiais, os Estados Unidos ocupam a primeira posição (bastante distante do segundo colocado) com 16,8%, ao passo que a Alemanha aparece em segundo lugar com 7,7% (o Brasil ocupa o 30º lugar com aproximadamente 1% das importações mundiais). Assim, sem a menor sombra de dúvidas, vê-se que os Estados Unidos compram muito mais do que vendem (em termos de dólares, isso equivaleria dizer que eles compram por volta de 1,5 trilhão de dólares ao ano, enquanto vendem 1 trilhão).

Para completarmos a informação composta de estatísticas e aí sim passarmos ao desenvolvimento do raciocínio que pretendemos, resta lembrar que os principais compradores mundiais dos produtos brasileiros são os Estados Unidos (22,8%), a Argentina e a China (6,2%, cada). Em outras palavras, os Estados Unidos representam quase um quarto de nosso faturamento em exportações (diga-se de passagem que representavam 25%, mas andamos perdendo competitividade recentemente).

Os números não negam: os Estados Unidos ainda são o principal destino exportador para os produtos brasileiros. Mesmo que a China possa representar um grande mercado, o que parece ser uma verdade absoluta, não nos é permitido relaxar diante daquele mercado que representa nosso maior faturamento, com possibilidades de crescimento incríveis.

Apenas para se ter uma noção do que é o mercado norte-americano, neste ano de 2004 os Estados Unidos deverão crescer o equivalente a um Brasil (algo em torno de 450 bilhões de dólares, o que praticamente equivale ao nosso PIB anual). O poder de compra somente da comunidade hispânica nos Estados Unidos (para a qual vários produtos brasileiros se identificariam facilmente) equivale a 600 bilhões de dólares por ano, ou seja, compram mais que um Brasil a cada ano (e isso deverá crescer nos próximos cinco anos para 1 trilhão de dólares).

Daí a indagação singela: o que fazer para aumentarmos nossas divisas com as exportações para os Estados Unidos ? Primeiramente, tomar consciência política de que esse é o mercado do momento (e é do momento que se vive, não do futuro); em segundo lugar, cuidar melhor de alguns assuntos internos, tais como burocracia extenuante (estima-se um custo para o País na ordem de 9 a 10 bilhões de dólares por ano) e nível de corrupção elevado (vimos nos noticiários que o Brasil não melhorou nesse aspecto nos últimos sete anos, permanecendo no 59º lugar com nota 3.9, numa escala que vai até 10, gerando um custo anual na ordem de 20 bilhões de dólares); finalmente e em terceiro lugar, respeitar quem produz dentro da legalidade e tomar medidas efetivas quanto à redução da indecente carga tributária (nos Estados Unidos ela equivale a 22% da riqueza da nação, enquanto que no Brasil esse percentual já atinge 38%, isso sem se fazer qualquer análise do retorno para os cidadãos do recolhimento desses tributos).

No mais, é tratar da taxa de juros. Mas isso, talvez seja melhor deixar para Jesus, Maomé e Buda.
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* Advogado do escritório Trigueiro Fontes Advogados









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