segunda-feira, 1º de junho de 2020

ISSN 1983-392X

Governo capturado, Estado desorganizado

Edson Vidigal

Agora se sabe quanto custou, e ainda custa, para nós todos essa captura do Governo da República nesse domínio politico de mais de doze anos.

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Esse esfolar das burras recheadas com o dinheiro público tem causado em nós tanta revolta, mas ainda não a ponto de decretarmos o estado de indignação permanente.

É possível que no âmago, em sã consciência, estejamos todos remoendo essa nossa indignação numa mesma corrente de pensamento, a qual só tende a crescer por entre mais corações e mentes.

A República foi inventada para afugentar camarilhas, sejam familiares ou encrustadas em torno de grupamentos partidários.

A Democracia na República se afirma, por exemplo, com a alternância dos representantes das maiorias expressas nas urnas nos cargos públicos.

Essas maiorias eleitorais, no entanto, não podem resultar de tramoias muitas das quais sob o indecoroso manto consentido pelas leis que os congressistas engendram em causa própria.

Assim, para a grande maioria deles, a melhor lei eleitoral é aquela sob a qual eles podem ganhar as eleições. De proposito, digo ganhar e não vencer porque para ganhar, no caso deles, vale o vale tudo, pois feio mesmo, para eles, é perder. Vencer, não. Tem a ver com vitória. Com competição suada sob as mesmas regras valendo para todos.

Ora, como haver equilíbrio numa competição eleitoral manchada pela dinheirama desviada dos cofres públicos em contratos superfaturados encobrindo os bilhões em propinas para o partido do poder e seus aliados.

Agora se sabe quanto custou, e ainda custa, para nós todos essa captura do Governo da República nesse domínio politico de mais de doze anos.

Não é só um preço de nos causar náuseas. Causa também um misto de revolta e de tristeza. Quantas crianças não engrossaram as estatísticas de mortalidade infantil? Quantas não conheceram a fome pela falta da merenda escolar?

As filas nas portas dos hospitais em todo o País parecem não andar. Quem não tiver um poderoso plano de saúde que se prepare para brigar pelos seus sete palmos de terra, sete em profundidade.

No mais, os rios secando à falta de cuidados. Os portos sucateados. As ferrovias enferrujando. As estradas atraindo a morte nos buracos e lamaçais. Os preços dos alimentos subindo e alimentando a ganancia dos donos dos supermercados e voracidade dos governos por mais impostos.

No mais, o Estado inoperante ante a violência, os assaltos, as mortes, o poder dos traficantes de armas e de drogas controlando comunidades. As cidades sem ruas disponíveis e sem calçadas transitáveis porque o automóvel sendo um grande arrecadador de impostos e multas preponderando sobre as pessoas e a cidadania.

O Governo não tem nada a ver com a realidade do País. O Executivo não tem mais cargos para seguir barganhando com os partidos.

E o pior – não tem mais dinheiro em caixa. Logo mais estará parcelando os salários e atrasando mais do que tem atrasado os fornecedores e credores das dividas interna e externa.

O Legislativo segue ameaçando com uma pauta bomba para inviabilizar pra valer essa anêmica governabilidade. Regabofe para tarado nenhum botar defeito.

E o Judiciário? Os juízes em especial os do primeiro grau junto com o Ministério Publico Federal e a Policia Federal somam certezas que nos seguram a fé e estão nos dando, até aqui, grande alento.

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*Edson Vidigal é advogado, ex-presidente do STJ e do Conselho da Justiça Federal

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