Pílula do câncer

14/11/2015
Pedro Luís de Campos Vergueiro

"Pelo que dá para se entender da leitura das notícias a respeito, um grupo de pesquisadores, inclusive médicos parece, pessoal da USP, todos chegaram à conclusão de que a substância 'fosfoetanolamina sintética' tem propriedades tais para tratar o câncer. O que é o câncer todos sabemos. Quem tem uma doença dessa natureza – e seus familiares – geralmente a tudo recorrem em busca da cura. A busca vai das rezas e passes até as cirurgias muito invasivas complexas: tudo, enfim, é válido para a busca da cura ou, pelo menos, para uma redução do possível sofrimento do paciente. Quem já compartilhou o sofrimento de um parente com câncer, sabe muito bem que tudo que se puder fazer é válido, tanto as providências espirituais como as medidas cirúrgicas radicais. Por que então não valer-se de uma medicação nova sob controle de médicos da especialidade? Nada há de absurdo no uso de uma substância sem registro mesmo que os efeitos sejam desconhecidos. Aliás, até uma cirurgia simples, seja ela qual for e como for, tem efeitos desconhecidos. Ademais, o registro da substância não vai lhe conferir a perfeição do conhecimento dos seus efeitos. Sabe-se que determinadas substâncias simples para curar uma dor de cabeça, embora registradas vieram a cair em desgraça por causa dos seus efeitos colaterais. A propósito: as pesquisas que os sábios exigem vão ser feitas de que forma? Serão os seres humanos, doentes, que vão participar dessas pesquisas? Ou os pequenos animais? Digamos que a substância em animais não produza efeitos colaterais; aí então poderá ser tranquilamente utilizada pelos humanos? Já está noticiado que o Ministério da Ciência vai aplicar R$ 10.000.000,00 (10 milhões de reais) na pesquisa dos efeitos da fosfoetanolamina sintética. Bem, a notícia não indica como esse dinheiro que vai ser liberado será gasto, mas já se antecipou que um 'plano de trabalho' será anunciado para as pesquisas. Ora, a realidade do doente (e de seus familiares) é o já e agora, é uma outra bem diferente das providências administrativas que se queiram resguardar. Por que não tentar um meio que vem se revelando o caminho possível no sentido de melhorar o quadro clínico do doente? Todos sabemos que a morfina é muito utilizada para aplacar o sofrimento; o princípio ativo da canabis sativa tem propriedades terapêuticas. Então? Apesar das opiniões de que a maconha pode causar efeitos danosos ao cérebro, seu uso diletante vem sendo administrativamente liberado. Nisso tudo há muita incongruência e paradoxos."

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