Muitos escritórios fazem tudo certo no presente: entregam bem, atendem com seriedade, mantêm carteira sólida, têm boa reputação. Mas, mesmo assim, não crescem. O resultado anual fica estagnado, a margem não melhora e a sensação é de que o escritório está sempre “no limite”.
O problema raramente está na técnica.
Quase nunca está na equipe.
E dificilmente está no esforço.
O problema está no futuro.
Ou melhor: na falta de conversa com ele.
Escritórios que não conversam com o futuro são ótimos no agora.
E só.
Eles dominam o que já conhecem.
Mas falham em tudo o que ainda não virou demanda concreta.
E é justamente aí que está a vantagem competitiva moderna.
Enquanto o escritório vive no domínio do presente, o mercado jurídico se expande, se entrelaça e se transforma de maneira silenciosa:
- Setores tradicionais viram setores híbridos;
- Problemas jurídicos se deslocam entre áreas;
- Tecnologia cria demandas novas antes de criar regulação;
- Clientes pedem soluções que ainda não existem no portfólio;
- Empresas mudam sua lógica operacional e esperam que o jurídico acompanhe;
- Mercados emergentes surgem sem anunciar sua chegada.
O escritório continua atendendo como sempre.
Mas o mercado já não funciona como antes.
Crescer não é sobre fazer mais.
É sobre enxergar antes.
Um escritório só se posiciona para crescer quando entende para onde o mundo está indo, não apenas onde está.
O sócio precisa ler:
- Tendências sociais;
- Movimentos culturais;
- Novos modelos de negócio;
- Mudanças no comportamento do cliente;
- Dados do setor;
- Tecnologias emergentes;
- Fusões entre indústrias;
- Novas formas de consumo, trabalho e organização.
É assim que ele identifica oportunidades que ainda não viraram problema.
E problema que ainda não virou litigiosidade.
E litigiosidade que ainda não virou mercado.
O problema não é a falta de oportunidade
É falta de radar.
Sem radar de sinais, o escritório só reage ao que já está consolidado.
Ele entra sempre atrasado nos movimentos.
E, por isso, briga no mesmo oceano vermelho lotado de sempre.
Escritórios que crescem criam oceano azul novo.
E criam antes dos outros perceberem que ele existe.
Setores entrelaçados: Onde está o crescimento que a advocacia não vê
Hoje, nenhuma área do direito vive isolada.
Consumo virou tecnologia.
Saúde virou dados.
Trabalho virou plataforma.
Agronegócio virou biotecnologia.
Energia virou ESG.
Imobiliário virou infraestrutura digital.
Financeiro virou fintech.
Entretenimento virou streaming e propriedade intelectual expandida.
E essa fusão entre setores cria necessidades jurídicas completamente novas - que só enxerga quem olha além da própria área de atuação.
Escritórios que crescem falam com esse novo mundo.
Escritórios que estagnam continuam falando com o mundo antigo.
O sócio que conversa com o futuro cria três vantagens invisíveis:
1. Ele antecipa demanda
Chega antes, oferece antes, consolida antes.
Quando os concorrentes despertam, ele já está posicionado.
2. Ele cria novas linhas de receita
Produtos jurídicos, consultorias especializadas, áreas híbridas, ofertas novas.
3. Ele se torna referência
Não porque trabalha mais.
Mas porque entende melhor.
O cliente percebe.
E, quando o cliente percebe, ele fica.
Precisamos tratar desse ponto cego: a falta de conversa com o futuro
Ao trabalhar sinais inevidentes, setores entrelaçados, ecossistemas, tendências e ficção científica, os sócios descobrem:
- Onde estão as oportunidades escondidas;
- O que o mercado ainda não percebeu;
- Para onde seus clientes estão indo;
- Que riscos novos estão surgindo;
- Que áreas jurídicas ainda não nasceram, mas vão nascer.
A partir daí, o escritório muda de postura.
Sai da disputa por relevância no presente e passa a construir relevância no futuro.
Crescer não é consequência de esforço.
É consequência de visão.
Escritórios não crescem porque trabalham mais.
Crescem porque interpretam melhor o contexto.
A pergunta que todo sócio deveria fazer é simples:
“Com quem eu estou conversando mais: com o presente ou com o futuro?”
Quem fala apenas com o presente vira gestor de rotina.
Quem fala com o futuro vira estrategista.
E são os estrategistas que crescem.