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ISSN 1983-392X

Estágio probatório

quinta-feira, 5 de maio de 2016


Acabou a lua de mel da imprensa com Michel Temer. Ao dar de cara com um ministério loteado, sem compromisso com nada, a não ser atender aos partidos (com raras exceções), os jornais hoje, 5 de maio (registrem essa data, migalheiros), encerram a sequência de mesuras que vinham pululando pelo noticiário. Nas vésperas da votação do Senado, ou Temer muda a onda (fisicamente falando, por reflexão, refração, difração ou dispersão), ou pode vir a sofrer uma derrota no Senado. Isso porque, os parlamentares vão contra a opinião pública, mas nunca contra a opinião publicada:

Estadão: "Não labora a seu próprio favor o governo que ameaça começar sob o infame signo do toma lá dá cá." (...) "Não são auspiciosos os primeiros sinais emitidos pelo grupo político que está prestes a chegar ao poder."

O Globo: "Michel Temer parece não entender que, se assumir a Presidência, não terá lua de mel com a população, entre a qual também é mal avaliado, como a presidente que deve sair nos próximos dias."(...) "Temer deve entender que precisará ser a antítese de Dilma, e em todos os sentidos, inclusive no ético."

Folha de S.Paulo: "Com o ministério passando muito longe da prometida equipe de notáveis, Temer tenta conquistar na Câmara uma base aliada de 400 deputados."

Análise

Um presidente da República, ao compor seu ministério, assim como um governador e um alcaide nas secretarias, busca atender aos interesses dos que o elegeram. A sociedade organizada que deu apoio eleitoral vai sendo contemplada e, assim, faz-se o governo, dentro do possível, à imagem e semelhança dos que lhe outorgaram o mandato. É isso que se chama de representação política. E é a mesma coisa que está acontecendo com o futuro governo Michel Temer. O governo vai sendo montado à similitude dos que lhe darão o cargo. Ou seja, os parlamentares. Nesse sentido, falta só Temer dizer que dá o ministério para fulano pela minha esposa, pelos meus filhos e, em homenagem a Veríssimo, pela cachorrinha Jujuba.

Defesa

No rol das já referidas exceções, Antônio Claudio Mariz de Oliveira só não será o novo ministro da Defesa de um eventual governo Michel Temer se não quiser. O convite foi feito. E, diz o Estadão, aceito.

Justiça

Afirmam os jornais que Michel Temer iria falar hoje com Alckmin para saber se a nomeação de Alexandre de Moraes, atual secretário de Segurança de SP, atende seus interesses. Todavia, diante das notícias recentes sobre a trapalhada policial na reintegração de posse na escola paulistana, é bem provável que Temer reveja os nomes. Tudo o que o Michel Temer não precisa agora é carregar problemas alheios. Já os têm de sobra.

Pasta bichada

O ministério da Justiça está com carma.

Ciência e Tecnologia

Sofrendo uma saraivada de críticas, o advogado Marcos Pereira (OAB/SP 246.100), presidente nacional do PRB, é cotado para o ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação no governo de Michel Temer. Capixaba, habilidoso na política, ele preside o PRB desde 2011 e é titular do escritório Marcos Pereira e Oliveira Sociedade de Advogados. Formou-se em Direito pela Universidade Paulista, em 2005, e foi vice-presidente da Record. As posições da igreja a que pertence, a Igreja Universal do Reino de Deus, são notoriamente criticadas por vários setores da ciência. Todavia, conta a favor dele a formação jurídica, que é, naturalmente, dialética. E conta também em prol dele a pouca idade, 42 anos. Ou seja, é um homem do seu tempo (não leia templo, leitor). De modo que, nada indica, a priori, que irá advogar as posições ideológicas da igreja no ministério.

Cultura

De origem sírio-libanesa, Michel Temer tem correndo nas veias o sangue do bom negócio. Nesse sentido, compreendemos a escolha de Roberto Freire para o ministério da Cultura. Com efeito, deve ter convidado o parlamentar pelo que ele vale, e o apresentará na Esplanada pelo que ele acha que vale.

Ministros de Temer

Conheça os prováveis ministros do governo Temer, com seus respectivos lotes orçamentários.

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