OAB/SP condena falas discriminatórias de atleta do Red Bull Bragantino
A Comissão das Mulheres Advogadas da OAB/SP reitera: igualdade não é pauta setorial, é requisito civilizatório.
Da Redação
terça-feira, 24 de fevereiro de 2026
Atualizado às 14:31
A Comissão das Mulheres Advogadas da OAB/SP - Ordem dos Advogados do Brasil, Seção São Paulo manifesta veemente repúdio às declarações proferidas por atleta do Red Bull Bragantino, no sentido de que mulheres não deveriam apitar clássicos de futebol.
"A fala não constitui mera opinião esportiva: trata-se de manifestação discriminatória baseada exclusivamente em gênero, que reforça estereótipos historicamente utilizados para excluir mulheres de espaços de autoridade, liderança e tomada de decisão. O desempenho profissional de uma árbitra deve ser avaliado por critérios técnicos - preparo físico, conhecimento das regras, posicionamento e controle de jogo - jamais por sua condição de mulher.
O futebol é um espaço social de enorme impacto cultural. Quando um agente relevante do esporte naturaliza a ideia de incapacidade feminina, contribui para legitimar a desigualdade, estimular a hostilidade contra mulheres em campo e afastar meninas e jovens de trajetórias profissionais que lhes pertencem por direito.
Nosso projeto "Elas Jogam Junto" existe para enfrentar essa lógica: mulheres não precisam provar que podem ocupar espaços - elas já ocupam. O que precisa mudar é a resistência estrutural que insiste em negá-las.
A arbitragem feminina não é concessão, não é experimento e não é exceção. É realidade profissional consolidada no Brasil e no mundo. Questionar sua legitimidade apenas por gênero representa retrocesso incompatível com o esporte contemporâneo, com a Constituição Federal e com a própria ética esportiva.
Reiteramos que igualdade não é pauta setorial: é requisito civilizatório.
A CMA OAB/SP seguirá atuando para que mulheres possam exercer suas funções - no Direito, no esporte e em qualquer área - sem sofrer deslegitimação pública baseada em preconceito."





