Quarta-feira, 19 de junho de 2019

ISSN 1983-392X

Amoroso artigo de Alexandre Thiollier sobre o seu pai René Thiollier

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quarta-feira, 7 de maio de 2008


René Thiollier

Migalhas traz hoje na íntegra aos leitores um amoroso artigo de Alexandre Thiollier sobre o seu pai René Thiollier. A preciosidade está em uma separata da "Revista da Academia Paulista de Letras", doada à biblioteca de Migalhas em 2004 pelo advogado Alexandre Thiollier Filho.

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René Thiollier, meu pai

(reminiscências)

Alexandre Thiollier

René Thiollier nasceu em São Paulo junto ao antigo mosteiro de Santa Teresa, na travessa da Sé. Para ele não havia do que mais orgulhar-se, nem título de nobreza mais puro: ser paulista! Seu pai, Alexandre Honoré Marie Thiollier, era natural de Grenoble, no Dauphiné. Viera muito jovem para o Brasil, com 17 anos apenas. Na França, os Thiolliers encontram suas origens no século XIII, em Chazelles, na antiga província do Forez, a oeste de Lyon. Sua prioridade, “ la Tyoula” ou “le Tyouley”, em dialeto local, chamava-se “ la Thiolliere” em “langue d’ oïl”. Um “terrier” recenseando as terras ligadas à ordem militar dos Hospitalários de São João, nos limites do Forez e do Lyonnais, menciona essa propriedade desde 1290 e bem assim um Jean Tyoler. Outro documento da mesma época refere-se a Guillaume de Charpin, também chamado Tyolier, habitando “ la Tyoliere”, possivelmente o primeiro a adotar, como seu, o nome daquela propriedade.

A confirmação desses fatos eu a devo ao meu colega da Universidade de Harvar, Guy Alain Thiollier, quando servia, como diplomata, na Delegação Geral da França, em Hanoi; e a seu primo, Philippe Thiollier, paleógrafo, historiador da família, então Embaixador da França na Ilha de Malta. Ambos descendem do capitão de artilharia François Thiollier, companheiro de Napoleão na École de Brienne, morto durante a retirada da Rússia.

Os Thiolliers do nosso ramo cruzaram o Ródano e se instalaram no Dauphiné no século XVI. Em 1554 Pierre Thiollier faz doações em Villeurbanne, o mesmo acontecendo , em 1682, a Marguerite Thiollier, que foi casada com o “notaire Royal” Gaspard de la Chapelle, e assim por diante. Foram agricultores, negociantes, militares, artistas. Estou informado de que o museu de Bourgoin, em Isère, possui vários quadros assinados por um Thiollier, datados de 1850.

Alexandre Honoré Marie Thiollier, meu avô, nascido em fevereiro de 1854, era o filho único de Honoré Thiollier, severo professor da Instituição de Bois-Rolland. Em Grenoble, e de Marie Alexandrine Buisson. Foram seus avós paternos Joseph Thiollier e Marie Barral 1. Durante a guerra franco-prussiana de 1870, o Governo Republicano, após a derrota de Napoleão III em Sédan, decide continuar a luta e chama às armas todos os cidadãos válidos. Alexandre alista-se na 2ª Companhia dos “Francs-Tireurs Libres du Rhône”, em 4 de setembro de 1870, portanto aos 16 anos, embora declarasse ter 18, conforme consta do certificado respectivo.

No mês seguinte, Giuseppe Garibaldi organiza e assume o comando do pequeno Exército dos Vosges, reunido na cidade de Dôle, que passa a incorporar os franco-atiradores. A missão é atrair os alemães para a província, assim aliviando a pressão sobre a linha Paris-Belfort. Em brilhante manobra, Garibaldi conduz a “Armée des Vosges” entre Dijon e Besançon , e derrota os prussianos em Châtillon-sur-Seine. Depois, volta-se para o sul, ataca e conquista Autun. Retorna, em seguida, ao norte, para ocupar seu real objetivo, a cidade de Dijon, onde retém o inimigo, opondo-lhe heróica resistência.

Terminada a luta, Alexandre, liberado pelas autoridades militares, volta para Grenoble. Sua “feuille de route”, expedida em Mâcon aos 20 de março de 1871, está assinada pelo oficial intendente Bineau. O Exército é a “Armée des Vosges”, e o Regimento, os “Guides de Garibaldi”.2 Cerca de mês e meio depois, Thiollier partia para o Brasil, com as bênçãos da mãe, algum dinheiro e a necessária autorização do pai. Dispensado que fora da obrigação de tornar-se padre, conforme dispunha piedosa promessa materna, embarca em Cherburgo no pequeno “La Gironde” e nele realiza, à Júlio Verne, seu sonho de criança – uma nova vida na terra das brasileiras Anita Garibaldi e Condessa de Barral.

Em São Paulo, emprega-se na Casa Garraux, de Anatole Louis Garraux, instalada na Rua da Imperatriz, hoje XV de Novembro. Garraux chegara ao Brasil em 1850, passando a trabalhar, no Rio, com Baptiste Louis Garnier. Veio a São Paulo a serviço deste, mas em 1860 já anunciava a abertura de sua própria Casa, a grande livraria que deixou marcas importantes na história de São Paulo. De 1876 a 1883 é dirigida pelo cunhado H. Michel e, de 1883 a 1888, por outro cunhado seu, com a firma Fischer, Fernandes e Cia. Alexandre Honoré Marie progride nesse período a passos largos. Passa de caixeiro a guarda-livros, de guarda-livros a interessado, depois a sócio e, finalmente, a proprietário único. Tornara-se, ao longo dos anos, grande amigo de Garraux e sua família. Ao transferir-lhe a Casa, Anatole Garraux enfatiza sua estima e confiança na carta de 19.IV.1891:

“Au revoir, mon cher Alexandre, jê vous aime bien.

……………………………………………………………Voilà vingt ans que je vous connais, vingt ans qui m’ont appris, sans defaillance, a vous aprecier, a vous estimer et a vous aimer. Vous serez riche e aurez fièrement et rudement gagné votre fortune. C’ est pain béni quand elle tombe dans des mains comme les vôtres” 3

Em meados de 1878, Alexandre conhece Fortunata de Souza e Castro. Encontram-se num rinque de patinação e apaixonam-se ao som do “Danúbio Azul”. Fortunata era filha de Henriqueta Viana Pereira de Lima de Souza e Castro, viúva de Bento Joaquim de Souza e Castro, que foi autor, em 1829, de precioso volume manuscrito , intitulado “Elementos de Pharmacia” e dedicado ao Ilmo. Sr. Doutor João Antonio Vieira, Phizico Mór da Ilha da Madeira e Açores. Dos irmãos de Fortunata, Antonio Quirino, advogado, era professor de nomeada em Taubaté 4, no famoso Colégio São João Evangelista, fundado por Edmundo Morewood. Sua neta Purezinha casou-se com Monteiro Lobato, dos alunos certamente um dos mais ilustres. Clementino de Souza e Castro foi juiz, Ministro do Tribunal e Presidente da Intendência. Antonio Bento de Souza e Castro, advogado, mais conhecido por Antonio Bento, foi abolicionista 5, o chefe dos caifazes, estourado, teatral, idealista, segundo uns, fanático religioso, segundo outros, mas sempre disposto a tudo sacrificar pela causa, tendo sido gravemente ferido a tiros por sicários a mando dos escravocratas. Das irmãs de Fortunata, Cerina foi a Baronesa de Itapetininga e, em segundas núpcias, Baronesa de Tatuí. Sua mansão na entrada da atual Praça do Patriarca foi cortada parar permitir a construção, por Jules Martin, do Viaduto do Chá, que ligava a Rua Direita à Barão de Itapetininga. Ana de Castro Lisboa era casada com José Maria Lisboa, fundador e proprietário do “Diário Popular”. Clementina, que chamavam Sinhara, casou-se com o Dr. Belizario Francisco Caldas: foram os avós de minha mãe, Sylvia de Carvalho Thiollier. Therezinha ficou solteira.

O namoro dos patinadores encontra forte resistência. A caçula da família não se casaria jamais com aquele francês louro, simples empregadinho do Garraux! A baronesa se arrepia e o abolicionista ameaça escravizar a irmã. Diz que vai interná-la no convento. Mas Fortunata também uma Souza e Castro... e o casamento realiza-se em 1879. Note-se que foi necessária a prévia autorização dos pais de Alexandre, para assim bem se cumprir as exigências do rígido protocolo que imperava então na sua região de origem.

Nenhum estudo sobre a personalidade de René Thiollier, nascido aos 29 de janeiro de 1882. Estaria completo se não levasse em conta a influência que sobre ele exerceu o pai francês. Ao empregar-se, Alexandre Honoré Marie passou, na realidade, a viver junto a uma das maiores bibliotecas de São Paulo, o acervo da Casa Garraux. Com a disciplina que lhe fora transmitida pelo velho professor Honoré, não encontrou dificuldade em concluir seus estudos naquela especialíssima academia, aperfeiçoando os conhecimentos e mantendo-os constantemente atualizados. Foi, assim, o mestre ideal dos filhos, René e Marcello. Ensinou-os pela palavra e pelo exemplo, principalmente a cultivarem o amor ao trabalho. René gostava de contar que vendera jornais por sobre o balcão da Casa Garraux, que aprendera muito cedo a fazer carimbos de borracha e que estava sempre a secretariar o pai, mesmo quando, montado sobre seus ombros, ajudava-o a fechar as portas do Teatro São José, do qual Alexandre foi por algumas vezes concessionário. Inteiramente dedicado à família, sensível, com temperamento de artista, senhor de traço inconfundível, como excelente desenhista que era, segundo noto das lembranças presenteadas à minha avó, todas com delicadas ilustrações suas, Alexandre governou e liderou sem problemas a família pela bondade e pelo respeito que a todos manifestava. Foi um homem que sobreviveu à própria morte. Não o tendo conhecido, pois faleceu em 1913, sempre tive a impressão de que vivia a meu lado, participando intensamente das nossas alegrias e das nossas dores. As constantes, e quase diárias, referências a seus exemplos, que lhe faziam Fortunata, Sylvia e René, como se ele ali estivesse, não o deixaram partir. Minha irmã Maria Nazareth pensa do mesmo modo: sabemos ambos que Alexandre só morreu realmente quando a voz de René se calou para sempre.

Alexandre fez questão de que os filhos estudassem na École Massillon, em Paris. Foi um período fundamental para a formação de René. Colocou-o muito cedo em contato com tudo aquilo que a França iria, em termos culturais, representar mais tarde na sua vida, permitindo-lhe sentir, compreender e bem absorver as pequenas sutilezas daquela civilização. E René ali chegou como um privilegiado. Falava fluentemente o francês, tinha nome francês, seu pai era francês. Sem qualquer dificuldade, sem nenhuma oposição do grupo, passou a participar, e a participar de tudo intensamente, como se francês também fora. Penetrou na intimidade das famílias de seus colegas, adotou-lhes os costumes e até mesmo a maneira de ser. Para René tudo era natural, não se sentia estrangeiro, ainda que em terra estranha. Tornara-se parte do próprio cenário. Estava em casa.

Mas, ao retornar, retornou para a sua verdadeira casa. Não era mais francês, nem jamais o seria. Era brasileiro, era paulista, e sua língua, o português. Fazia contas em português, xingava em português. Aqui estavam suas verdadeiras raízes. Ao seu lado mantinha-se sua mãe, senhora enérgica e firme, a verdadeira dama bandeirante. Também os tios, que o inspiravam e que respeitava. Portanto, voltar para o Brasil e completar os estudos no Colégio João de Deus não lhe causou qualquer mossa – apenas, acredito eu, ao receber uma nota mais baixa num exame de... francês. No seu Ploetz de literatura francesa, anotou: “Fui approvado em Francez, no dia 5 de Fevereiro de 1900. Eram examinadores: Pujol – Dr. José Cândido – Freitas Valle”. Em seguida acrescentou, em relação a um deles: “grandiosissima besta”...

Desde criança René, como seu pai, encanta-se com os livros que o circundam. O amor pelas letras, o fascínio pelas palavras, a atração pelo ritmo manifestam-se precocemente. Ainda muito jovem bosqueja pequenas estórias na esperança de vê-las publicadas um dia, talvez no dia em que Deus o ajudasse e... “o tio Lisboa, também”....Na Faculdade de Direito aproxima-se de colegas com igual inclinação. Torna-se grande amigo de Júlio Prestes, que naquele tempo, além de freqüentar as musas, era freqüentador assíduo da casa de René na rua XV de Novembro. Foi onde passou mais de um aniversário, festejados por Fortunata com enfeites de flores em sua cadeira, à maneira do que sempre fazia para os aniversariantes da família. A Júlio e René juntam-se Gustavo Teixeira e Francisco Lagreca, este chamado carinhosamente Antero dos Quintais, pelos seus sonetos a Antero de Quental. Com Batista Cepelos, bem mais velho, promotor público em Apiaí, passam a constituir um grupo bastante uniforme e homogêneo.

Nas Arcadas, Júlio e René, com Mario Polto, lançam a revista “A Musa”, impressa na Casa Garraux. Dedicam o primeiro número a Álvares de Azevedo. Era tal o entusiasmo e a certeza de sucesso que não hesitam em estabelecer dois preços para a assinatura anual: “Brazil: 10$000; Estrangeiro: 12$000.” E se bem que nunca tenham vendido qualquer exemplar no exterior, esse mesmo espírito de teimosa esperança no futuro volta a refletir-se na fotografia do grupo que Cepelos batizou de “Embarque para a posteridade”. Nele Prestes, Lagreca, Cepelos, Thiollier e Gustavo Teixeira, com exemplares de “A Musa” jogados aos pés, fazem pose de grandes vitoriosos embora estejam, no dizer de René, “com olhares longínquos e sonhadores”...

Foi nessa época que meu avô Alexandre resolveu construir uma casa de campo na parte alta da cidade. Não havia lugar de melhores ares do que a Avenida Paulista, posto que longe do centro e ainda carente de serviços essenciais. A despeito disso, adquiriu em 1903 uma grande área da antiga Chácara da Bela Cintra na esquina da rua Jundiahy, hoje Rocha Azevedo. Augusto Fried, o arquiteto, atendendo-lhe o pedido, implanta a casa num dos vértices do terreno para preservar a maior parte possível da mata virgem do Caaguassú, que se juntava, sem interrupção, à vegetação cerrada do imóvel do vizinho. Uma tal floresta, densa e fechada, parecia intransponível por seus cipós e espinheiro que, à noite, hospedavam miríades de vaga-lumes e, pela manhã, se engalanavam com as pérolas brilhantes das orvalhadas teias de aranha. Um verdadeiro espetáculo, a merecer os versos de Keats: “a thing of beauty is a joy for ever”. Denominada “Villa Fortunata”, a vivenda, ampla e confortável, com um torreão que a encimava, foi a casa de campo dos Thiolliers até o falecimento de Alexandre, na sua residência de Paris 6.

René forma-se na turma de 1906 e logo segue para a Europa. É o período da ampla liberdade, da liberdade amplíssima, sem responsabilidades. Volta ao convívio dos antigos colegas franceses, a maioria dos quais não pode acompanhá-lo na vida que leva como verdadeiro dândi da “belle époque”. Passa muito tempo na Itália, na Suíça, na Inglaterra. Mas Paris é o lugar onde seu temperamento de artista se sente recompensado. Não se trata do sangue francês ou da educação francesa dos tempos da École Massillon. Muito mais do que isso, é o acesso fácil às preciosidades que lá então existiam no campo das artes e demais formas de expressão. Tudo está bem ali, ao seu alcance, notadamente os sinais, ainda que tênues, das novas tendências que se vão aos poucos materializando.

No Brasil, René casa-se em 1910 com Sylvia Teixeira de Carvalho, sua prima. O primogênito nasce em Paris mas não sobrevive ao retorno a São Paulo em 1912; e, em 1913, quando estavam todos de volta à França, René é surpreendido com o falecimento do pai 7. Foi um período difícil que determinou, entre outras coisas, a mudança definitiva da família8 para a “Villa Fortunata”, na avenida Paulista. Mas a “via crucis” de René e Sylvia não terminara ainda: em 1917 perdem a filha única, nascida dois anos antes9.

As dificuldades e vicissitudes da vida, René as enfrenta com estoicismo e muito trabalho. À medida que as feridas cicatrizam e com o apoio de Sylvinha, a “Villa Fortunata” vai aos poucos se transformando em centro de atividades literárias e sociais. René escreve muito. Colabora com inúmeros jornais e revistas, tais como “Diário Popular”, a “Gazeta”, a edição paulista do “Jornal do Comércio”, o “Correio Paulistano”, o “O Estado de São Paulo”, a “Revista do Brasil”, a “Cigarra”, etc. Seu trabalho é bem recebido, muito festejado. Em 1919 representa, no Teatro Municipal, o “Contratador de Diamantes” de Afonso Arinos e em seguida, com Goffredo da Silva Telles e Aguiar d’ Andrada, “A Ceia dos Cardeais”, de Julio Dantas10. Em 1922 transforma-se no grande empresário da Semana de Arte Moderna, depois de haver publicado, com estrondoso sucesso,11 seu primeiro livro, “O Senhor Dom Torres”. Mais tarde essa participação no movimento modernista foi-lhe negada. Publica então “Semana de Arte Moderna” em que restabelece os fatos com o recibo do pagamento que fez ao Teatro Municipal em nome da Semana e com cartas e comentários de Paulo Prado, Ronald de Carvalho, Graça Aranha e Mário de Andrade. O depoimento é de enorme valor histórico, por restabelecer também a verdade sobre os artistas que efetivamente participaram daquele evento. Dois anos depois chega ao Brasil Blaise Cendrars, líder do movimento modernista na França, que se torna bom amigo de René e Marcello. René o acompanha na viagem que fez às cidades históricas com D. Olívia Guedes Penteado, Tarsila do Amaral, Mario de Andrade, Goffredo da Silva Telles, Afonso de Taunay, Oswald de Andrade e o filho Nonê. 12 A descrição de parte dessa viagem feita por René, dada sua importância, foi transcrita pela filha de Cendrars, Miriam, no monumental livro que lançou há tempos sobre o célebre escritor. 13 Tarsila, Cendrars e René registraram, em pequenos desenhos, num livro de notas que possuo, suas impressões de viagem. E Oswald, no “Primeiro Caderno do Alumno de Poesia Oswald de Andrade”, publicado em 1927, suscita o espírito universal de Thiollier, ao dedicar-lhe sintética “Chronica” entre o desenho de um simpático globo terrestre e o verso... “Era uma vez O mundo”14, enquanto que Paulo Prado, em 1928, agradecendo a colaboração de Thiollier como revisor do texto de “Retrato do Brasil” e supervisor dos trabalhos de tipografia que o publicou, oferta-lhe exemplar desse extraordinário marco da literatura brasileira com a declaração – “ A René Thiollier, sem as costumadas “admirações e apreços”, mas com a mais viva afeição, oferece êste livro que êle “editou”, Paulo Prado15.

Em 30, Júlio Prestes, Presidente Eleito do Brasil, convida René para Chanceler. René estava na França. Quando voltou, nada mais havia a decidir. Mas na Revolução Constitucionalista de 32 demonstra a naturalidade com que passava da palavra à ação. Ao ver a juventude que partia das Arcadas para as trincheiras, organiza com amigos o Batalhão da Liga de Defesa Paulista, constituído por homens de 30 a 50 anos, que na vanguarda acompanharia os moços. O “Estado de São Paulo” de 14 de julho noticia o fato, indicando as inscrições iniciais, cerca de 42. O primeiro nome é o de René. O segundo, de Alfredo Ellis Jr.16.

A Liga reunia-se num frontão da rua Formosa. Levado ali por meu pai, pude vê-lo ainda à paisana, de pé sobre umas das mesas, protestando em altos brados. Disseram-me que René se recusava a submeter-se ao exame médico pois o batalhão, sendo de homens de 30 a 50 anos, acaso examinado, nunca partiria. Afinal de contas, gritava, ninguém estava ali para brincar! E aquilo parecia uma brincadeira! Não, não e não! E foi assim que o Batalhão da Liga de Defesa Paulista seguiu para o “front” sem exame médico... Na véspera da partida, René previne Fortunata. E a resposta vem sem qualquer hesitação: “você chegou até aqui: agora vá até o fim”.

Já na Ponte do Paraitinga, a meio caminho entre Guará e Cunha, René e Ciro Costa são deixados para trás. Devem guarnecê-la, reforçando a retaguarda. Mas acontece que tinham vindo para lutar, não para ficar de braços cruzados! Não queriam ser conhecidos como os homens da ponte. E novamente as ordens são desobedecidas... Os dois metem-se num caminhão que seguia para Cunha com soldados do Batalhão General Osório e lá chegam de baixo de bala. 17 Sem demora são enviados a preencher duas vagas na trincheira do “Facão”, em face do inimigo, e participam do grande combate de 20 de agosto, um dos poucos em que as forças paulistas foram vitoriosas. Os federais atacaram com 2.500 homens. O número de mortos chegou a 170 e foram feitos 135 prisioneiros18.

Sobre o episódio destaco trechos da carta de 24 de agosto escrita por René a Sylvinha:

“Cunha, 24 de agosto de 1932. Sylvinha querida! Como você deve saber por uma carta que lhe escrevi ante-hontem, eu cheguei finalmente às trincheiras. Tive a ventura de fazer parte do contingente que ocupava a trincheira do “FACÃO” em face do inimigo, no flanco esquerdo, trincheira que se cobriu de glória. Estivemos da imminencia de cahir em mãos dos nossos atacantes. Mas o nosso fogo era mais intenso. Os tiros de carabina que eu dei, eu não saberia dizer quantos foram. Passamos dois dias e duas noites combatendo. Por fim, conseguimos rechassar o inimigo que se retirou em debandada, abandonando munições, mortos e feridos. Foi grande o número de prisioneiros”.

No setor de Cunha nossa família tinha mais dois combatentes, meu tio-avô, Luis Tibiriçá, e meu primo Clementino de Souza e Castro Júnior. Em relação ao primeiro, René relata na mesma carta:

“Tendo estado com Tybiriçá. Uma noite, fui pedir-lhe, morto de fome, um prato de comida. O Tybiriça que estava na cozinha de barba crescida e avental, foi buscar-m’o, rindo-se. Disse-me: - Quando havíamos de imaginar, hein René que, um dia, você havia de apparecer, aqui, pedindo-me um prato de comida?”

Dessa forma, com muita coragem e desprendimento, René reescrevia, na Serra do Quebra Cangalhas, junto a Cunha, a página de heroísmo que seu pai, ainda menino, deixou gravada nas distantes montanhas dos Vosges! Fez assim por merecer o alegre e incessante repicar do sino da floresta da “Villa Fortunata”, quando finalmente voltou ileso para o seio da família. Ao dedicar-lhe “Vultos e Episódios do Brasil”, Baptista Pereira não pôde conter o entusiasmo:

“Ao querido René, companheiro de adolescência, alma de eleição, nascida entre os livros como Anatole France e guardando do seu contacto um perfume subtil de retrahimento; ao querido René que não hesitou em trocar os pyjamas de seda do Jacintho pelos andrajos das trincheira.,ao amigo, ao escriptor, ao paulista, affectuosa e commovidamente, o velho amigo Baptista Pereira”

Com a chegada de René, Sylvinha interrompe o trabalho que fazia no Posto onde costurava fardas e outros equipamentos para os soldados da lei. O mesmo se dá com Fortunata, que costurava em casa, auxiliada pelos serviçais.19 O caminhão, cedido à Forca Pública, também volta. As marcas de tiro no motor e carroceria evidenciam o dever cumprido. A “Villa Fortunata” encerrava, com altivez, o esforço de guerra.

Após a derrota e ocupação militar e política de São Paulo, René não esmorece. Com Alfredo Ellis Jr. funda em 1933 a “Liga Confederacionista” que lança manifesto e da qual Thiollier foi o primeiro presidente. A Liga oferecia a Confederação como alternativa da separação. Foi muito combatida.

Em 1935, por sugestão de Afonso de Taunay e patrocínio de Paulo Setúbal,20 René é eleito para a Academia Paulista de Letras. No livro “Episódios de Minha Vida”, publicado em 1956, registra com fidelidade sua trajetória nesta Casa.Foram 6 anos como Secretário Geral, 11 anos como Secretário Perpétuo e Diretor da “Revista da Academia Paulista de Letras” desde o primeiro número, datado de 12 de novembro de 1937, até o número 57, publicado em 1º de setembro de 1952. Foi quem pediu a Fernando Costa, e dele obteve, o terreno onde está construída esta sede, e também o financiamento necessário à construção. No período heróico da Academia colocou seu escritório, na rua XV de Novembro, e seus empregados, à disposição do sodalício. O mesmo aconteceu com a “Villa Fortunata” onde se realizavam reuniões, como por exemplo a sessão de 10/5/41, na qual lhe foram outorgados, por unanimidade e aclamação, o título e as funções de Secretário Perpétuo21.

No entanto, em 1952, pela vontade de alguns acadêmicos, é submetido aos rigores dos Estatutos, que não previam o cargo de Secretário Perpétuo. Destituído da perpetuidade, que por sinal jamais pleiteara, é eleito novamente Secretário Geral, o que o leva a afastar-se da Academia.

No ano seguinte, exige que os mesmo Estatutos que lhe haviam sido aplicados com rigor fossem obedecidos por todos os acadêmicos, inclusive por aqueles que, segundo programação, iriam ser empossados em desacordo com as normas estatutárias. Seu pedido não é atendido, mas Thiollier nega-se a recorrer ao Judiciário. Em Carta de 27/1/54, dirigida ao Presidente Altino Arantes, pondera:

“a declaração judicial, para solucionar o caso, além de atingir pessoas amigas e por todos os títulos merecedoras da imortalidade, abalaria os alicerces da nossa Academia levando-a, possivelmente, à dissolução”.

E termina, afirmando:

“A destruir uma obra de que São Paulo tanto se orgulha, prefiro entrever justiça na aplicação dos Estatutos segundo os desejos e caprichos desta ou daquela maioria. Haverá sempre a História para julgar”.

Sobre o tema, Guilherme de Almeida enviou a René a seguinte carta, depois transformada em crônica:

Janeiro, 30.

“LE CHEVALIER BEAUGESTE”

René Thiollier, meu amigo:

Na véspera deste seu aniversário, como os heráldicos cavaleiros na vigília d’armas, você emergiu do mergulho em si mesmo, que foi profundo recolhimento , com uma idéia, um sorriso e um gesto de diamantina nobreza, jogava-se, nêsse dia, a sorte de nossa Academia Paulista de Letras: sorte que estava em suas mãos, pois que o insofismável direito que a você assistia, oriundo de um seu fundamentado protesto, era, a bem dizer, arma atônica de desintegração. E você não lançou o pulverizante engenho. Embora com a razão, não quis você que de suas mãos partisse o golpe que aniquilaria aquela instituição de inteligência à qual você dedicará o “full time” de sua atividade; aquela para a qual você, pessoalmente, em1943, no Salão Vermelho do Palácio Campos Elíseos, durante a cerimônia de minha posse como Secretário do Conselho Estadual de Bibliotecas e Museus, pediu a Fernando Costa, e dele obteve, o terreno do largo do Arouche, e, depois, à Caixa Econômica Federal o financiamento para construção do prédio monumental ali elevado; aquela, cuja “Revista” saía, sempre perfeita daqueles prelos da Rua do Seminário, inteiramente realizada por você...

Com isso, meu amigo, você a si mesmo se deu o presente melhor e maior para a sua festa natalícia neste Ano do IV Centenário da Fundação da Cidade de São Paulo. É mais uma conta que você acrescenta a esse colar de “beaux gestes” – piedoso ex-voto com que você vem exalçando a imagem altaneira de seu Ideal – iniciado em..

...em Julho de 1932, naquele Frontão da Rua Formosa – lembra-se? – quando, no primeiro exercício do nosso glorioso Batalhão da Liga de Defesa Paulista, pretendendo nosso comandante que nos submetêssemos, nós, homens madurões, a um prévio “test” experimental de nossas artérias e do nosso coração, você veemente a isso se opôs, disposto a partir, fosse como fosse, desse no que desse, para a vida com São Paulo, ou para a morte por São Paulo.

E resistimos, René. Paulistamente resistimos. E eis meu coração contra o seu, neste apertado abraço. (a) Guilherme de Almeida22.

Mas não foi só para esta Academia Paulista de Letras que René Thiollier deu o melhor dos seus esforços. Entusiastas de teatro, que sempre apoiava e incentivava, ele e Sylvinha eram sócios fundadores da Sociedade Brasileira de Comédia, dirigida inicialmente por Paulo Assumpção, Franco Zampari e Adolpho Rheingantz. Escreveu “O Marajá”, “lever de rideau” muito aplaudido por Guilherme de Almeida na sua coluna “Ontem-Hoje-Amanhã”, de 5/7/51; e chegou mesmo a sugerir que eu entrasse para o teatro quando, no papel de Sergius Saranoff. Representei em inglês, no Teatro Municipal, o “Soldado de Chocolate” (Arms and the Man), de George Bernard Shaw.23 Durante anos exerceu o cargo de secretário-geral do “Comité France-Amerique”e por esse motivo foi condecorado com as insígnias de Cavaleiro da Legião de Honra, depois elevado a Oficial. A Academia Delphinale (Academia de Letras de Grenoble) elegeu-o, por unanimidade, membro de honra e a Academia Francesa outorgou-lhe a Medalha da Língua Francesa, em 1949. Era Cavaleiro da Ordem Militar de Cristo, possuía a Medalha de Centenário do Barão do Rio Branco e da Ordem Militar do Infante D. Henrique. Foi sócio do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, da Sociedade de Geografia de Lisboa e da Associação Paulista de Imprensa. Foi também membro fundador do Instituto da Ordem dos Advogados de São Paulo.24 Além de “O Senhor DomTorres”, a “Semana de Arte Moderna” e “Episódios da Minha Vida”, escreveu “O Homem da Galeria”, “Antonio Bento”, “A República Rio-Grandense e a Guerra Paulista de 1932”e “A Louca do Juquery”. René orgulhava-se de ter sido por muitos anos, como sucessor de Marcello, falecido em 1927, o Presidente da União Internacional Protetora dos Animais.

Com o falecimento de Sylvinha,25 a grande companheira e o amor de seus amores, René não quis mais viver e se entregou. Ao aproximar-se o desfecho, o fim do ciclo, entro em seu quarto.

Vejo-o na cama olhando fixamente a mão entreaberta. Finge que lê, pois deseja manter-se lúcido para nada perder do grandioso mistério. Aguarda-o, sem temê-lo, com a curiosidade e superioridade de sempre. Lembra-me seu livro, “O Homem da Galeria”, a espiar a vida lá do alto “a sós e muito à vontade” ...Indago o que está a ler. “Leio sobre a Bondade, das virtudes, a mais difícil de ser praticada”. Era sua derradeira aula, minha última lição.

A Blaise Cendrars não passou despercebida a preocupação de Thiollier com a bondade. Identificou-a logo como uma das principais características da rica personalidade do amigo. Dedicando-lhe, em 1934, o “Du Monde Entier”, registrou: “Á René Thiollier, ce bon René, bon comme St. Cucufat, que j’aime tant”. Pois foi precisamente o “Du Monde Entier” que naquele dia apanhei na biblioteca para ler em voz alta, como vinha fazendo com outros livros, a seu pedido, desde que a moléstia de agravara.

Ainda posso ouvir minha voz, ecoando à distância, na distância de uma profunda e infinita saudade, que o tempo fatal me dava por eterna companheira – voz triste, compassada, lembrando o velho sino da floresta, mas, agora, a dobrar pelo Grão Senhor que partia:

Seigneur, c’ est aujourd’hui le jour de votre Nom,
J’ ai lu dans um vieux livre la geste de votre Passion,

Et votre angoisse et vos efforts et vos bonnes paroles
Qui pleurent dans le livre, doucement monotones.

Un moine d’un vieux temps me parle de votre mort
Il traçait votre histoire avec des lettres d’or.

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O Paulista-escritor, o “Chevalier beaugeste”, faleceu em sua vila, a antiga casa de campo dos Thiolliers, a “Villa Fortunata”, aos 24 de outubro de 1968. Na sua vida, a fidelidade foi uma constante: foi fiel a si mesmo, fiel a seus ancestrais, fiel a São Paulo, que tanto amou.

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1 Marie Barral, que não compareceu ao casamento de Honoré e Marie Alexandrine, deu seu consentimento por ato notarial expresso lavrado perante Maître Rolland em St. Pierre de Bressieux. Joseph Thiollier havia falecido em 1838. (Maire du Grand-Lemps, registro de casamento nº7, de 15 de maio de 1850).

2 As anotações de Alexandre indicam que nos 7 meses de guerra ele esteve em Belfort, Ballon D’ Alsace, Dombec, Mulhouse, Colmar, Ribeauvillé, Sélestat, Remiremont, Dijon, Mirecourt, Plombières e, como “chemise rouge”, em Chaumont, Langres, Chalindrey, Châtillon e Is-sur-Tille.

3 Publicada na Introdução de Francisco de Assis Barbosa à “Bibliographie Brésiliene” de A. L. Garraux, Coleção Documentos Brasileiros da Livraria José Olympio, Editora.

4 M. Lobato, “O Doutor Quirino”, Revista da Academia Paulista de Letras”, ano I, nº 1, p. 42.

5 Fundador e Redactor-chefe do jornal abolicionista “A Redempção”.

6 Boulevard Malesherbes, nº 81.

7 Falecido na França, Alexandre repousa em São Paulo, no Cemitério da Consolação, como desejava.

8 Sylvinha e René sempre viveram com Fortunata, que faleceu em 1940. Marcello tinha a própria residência, em São Paulo e Paris.

9 Maria Nazareth e eu nascemos na década de 20 na “Villa Fortunata”, então nº 56 da Avenida Paulista.

10 Acontecimentos relevantes na história do teatro amador em São Paulo, o “Contractador de Diamantes” foi realizado pela viúva de Affonso Arinos, D. Antonieta Prado Arinos de Melo Franco, e a “Ceia dos Cardeais”, pela Universidade Feminina, com apoio das senhoras Antonieta Penteado da Silva Prado, Zilda de Nioac, Lucia Revoredo, Lina Margarido, Teresa Comenale, Carolina Penteado da Silva Telles e Irene Teixeira Leite. – R. Thiollier, “Episódios da Minha Vida”, p. 51-74

11 Avaliação de Mario Guastini, Redactor do “Jornal do Commercio”

12 R. Thiollier, “Cadernos”: viagem de trem, iniciada numa terça- feira, 15 de abril de 1924.

13 A dedicatória com que Miriam me honrou é sugestiva: “pour Alexandre Thiollier afin qu’il retrouve avec BLAISE CENDRARS I’ ami René Thiollier, témoin d’um Blaise mistérieux ...avec grande sympathie” Miriam Cendrars, 10 Oct 84.

14 Edição princeps, livro nº 6 de uma série de 300, capa de Tarsila e desenhos do autor. Typographia da rua Santo Amaro nº 19.

15 R. Thiollier, “Episódios da Minha Vida”, p. 90.-*- Por ocasião do lançamento de “Retrato do Brasil”, Paulo Prado é homenageado com um jantar íntimo na “Villa Fortunata” do qual participaram as Sras. Olívia Guedes Penteado, Betita Guedes Nogueira, Tarsila do Amaral, Baby de Almeida, Sara Conceição e os Srs. Edgard Conceição, Mario de Andrade, Guilherme de Almeida, Oswald de Andrade, Paulo Assumpção e Couto de Barros. A “Folha da Manhã”, de 11/7/52, historiando o acontecimento, registra que a Sra. Sylvia Thiollier, sob uma salva de palmas, foi proclamada naquela noite a mais requintada “hostess” de São Paulo.

16 Alfredo Ellis Jr. seria ferido em combate.

17 A rebelião de René Thiollier e Cyro Costa na Ponte de Paraitinga está registrada na p. 129 do livro “Cunha em 1932”. De Clementino de Souza e Castro Jr., Gráfica “Revista dos Tribunais.”

18 R. Thiollier, “A República Rio- Grandense e a Guerra Paulista de 1932”, p. 180.

19 Devo ressaltar aqui o intenso trabalho de Maria de Jesus Oliveira na Revolução. Nascida em Taubaté, de cor, criada desde menina por Fortunata, Maria falava fluentemente o francês, que aperfeiçoou na França, em 1910, onde fez a primeira comunhão. Ajudou na criação de muitos de nós. Viveu sempre conosco. Faleceu em São Paulo em 1989.

20 R. Thiollier, “Episódios de Minha Vida”, p. 151 e segs.

21 Monteiro Lobato, profético, manda a Thiollier redigido à mão em papel da Editora Brasiliense Ltda., o seguinte bilhete: “René: Que a perpetuidade te seja leve são os votos do Lobato”.

22 “Diário de São Paulo”, 30/1/54. -*- Na sessão de 3/5/66, por proposta do acadêmico Goffredo da Silva Telles, era conferido a Thiollier o título vitalício de Presidente de Honra da Academia Paulista de Letras.

23 Encenado em inglês, aos 28/11/42 pelo “Grupo de Teatro Experimental”, foi dirigido por Irene Smallbones, com direção de palco de R. H. Eagling, da Sociedade dos Artistas Amadores de São Paulo. Dele participaram, além da própria Irene, Lucienne Colinvaux, Egle Refinetti, Peter Mehlich, Peter da Silva Prado, Paulo Prado Neto e Eduardo Caio Prado, meu colega de turma na Faculdade de Direito.

24 A partir de 1915 René e Marcello passaram a advogar com o tio, Dr. Clementino de Souza e Castro, Ministro aposentado do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.

25 Sylvia de Carvalho Thiollier faleceu aos 22 de abril de 1968.

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