A maior parte de
1) Para efeitos de sintaxe, equivalem a coletivos algumas expressões como a maioria de, a maior parte de, boa parte de, grande número de, grande parte de, uma vez que, mesmo tendo a aparência formal de singular, indicam o agrupamento de seres.
2) No que concerne à concordância verbal, tais expressões, se desacompanhadas de termo especificador, deixam o verbo no singular.
3) Se acompanhadas de termo especificador no plural, todavia, pode o verbo, facultativamente, ficar no singular ou ir para o plural.
4) Por isso, vejam-se as seguintes concordâncias, com a indicação de sua correção ou erronia: a) "A maioria segue esse entendimento" (correto); b) "A maioria seguem esse entendimento" (errado); c) "A maioria dos autores segue esse entendimento" (correto); c) "A maioria dos autores seguem esse entendimento" (correto).1
5) Quando há opção de concordância, todavia, dá-se ela no plano sintático, porquanto, no que tange ao sentido, nada é indiferente, e, como lembra Aires da Mata Machado Filho, "reside a decisão no ambiente expressional, também chamado contexto".
6) E explicita tal gramático: "Se o primeiro plano da expressão coube ao coletivo, deixa-se estar o verbo no singular; se convém ao complemento no plural, irá para esse número".2
7) Também reconhecendo em tais locuções acompanhadas de especificador no plural a natureza de coletivos partitivos (expressões que designam parte de um todo), anota Arnaldo Niskier que estes "admitem as duas concordâncias, isto é, o verbo pode aparecer tanto no plural quanto no singular".
8) "Mas", acrescenta ele, "a segunda forma faz bem aos nossos ouvidos".3
_________________
1 Cf. SACCONI, Luiz Antônio. Nossa Gramática. São Paulo: Editora Moderna, 1979. p. 205.
2 Cf. MACHADO FILHO, Aires da Mata. "Português Fora das Gramáticas". In: Grande Coleção da Língua Portuguesa. São Paulo: co-edição Gráfica Urupês S/A e EDINAL – Editora e Distribuidora Nacional de Livros Ltda., 1969. v. 4, p. 1.336.
3 Cf. NISKIER, Arnaldo. Questões Práticas da Língua Portuguesa: 700 Respostas. Rio de Janeiro: Consultor, Assessoria de Planejamento Ltda., 1992. p. 93.