1) Valendo-se de pesquisa de Luiz Carlos Lessa, no que tange ao verbo precisar observa Celso Pedro Luft que no Brasil, "pelo menos em nossos dias, o mais usual é preposicionar-se o complemento, se este é um substantivo, e, ao revés, omitir a preposição, se a precisar segue-se um infinitivo: preciso de viagens / preciso viajar".1
2) Da análise dos casos concretos de seu uso, todavia, pode-se afirmar que, mesmo seguido de infinitivo, o verbo precisar pode ser empregado sem preposição ou com preposição, indiferentemente:
- "Não precisamos rememorar os fatos decisivos das duas regiões" (Euclides da Cunha);
- "Essa classe opulenta não precisava para isso de pertencer à raça judaica" (Alexandre Herculano).2
3) Eduardo Carlos Pereira, com muita propriedade, leciona que "alguns verbos transitivos, seguidos de um infinitivo, assumem facultativamente a preposição de".
4) E ele próprio exemplifica: "devo falar ou de falar, preciso estar ou de estar, devo escrever ou de escrever."3
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1Cf. LUFT, Celso Pedro. Dicionário Prático de Regência Verbal. 8. ed. São Paulo: Ática, 1999. p. 412.
2Cf. FERNANDES, Francisco. Dicionário de Verbos e Regimes. 4. ed., 16. reimpressão. Porto Alegre: Editora Globo, 1971. p. 471.
3Cf. PEREIRA, Eduardo Carlos. Gramática Expositiva para o Curso Superior. 15. ed. São Paulo: Monteiro Lobato & Cia., 1924. p. 241.