Gramatigalhas

Precisar de falar

A leitora Daniela Kallas envia-nos a seguinte mensagem: "'Preciso de fazer' alguma coisa ou 'preciso fazer' alguma coisa? 'Preciso de ir' ou 'preciso ir'? 'Preciso de comprar' ou 'preciso comprar'? 'Preciso de comer' ou 'preciso comer'?... Obrigada!"

11/4/2007

1) Valendo-se de pesquisa de Luiz Carlos Lessa, no que tange ao verbo precisar observa Celso Pedro Luft que no Brasil, "pelo menos em nossos dias, o mais usual é preposicionar-se o complemento, se este é um substantivo, e, ao revés, omitir a preposição, se a precisar segue-se um infinitivo: preciso de viagens / preciso viajar".1

2) Da análise dos casos concretos de seu uso, todavia, pode-se afirmar que, mesmo seguido de infinitivo, o verbo precisar pode ser empregado sem preposição ou com preposição, indiferentemente:

  1. "Não precisamos rememorar os fatos decisivos das duas regiões" (Euclides da Cunha);
  2. "Essa classe opulenta não precisava para isso de pertencer à raça judaica" (Alexandre Herculano).2

3) Eduardo Carlos Pereira, com muita propriedade, leciona que "alguns verbos transitivos, seguidos de um infinitivo, assumem facultativamente a preposição de".

4) E ele próprio exemplifica: "devo falar ou de falar, preciso estar ou de estar, devo escrever ou de escrever."3

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1Cf. LUFT, Celso Pedro. Dicionário Prático de Regência Verbal. 8. ed. São Paulo: Ática, 1999. p. 412.

2Cf. FERNANDES, Francisco. Dicionário de Verbos e Regimes. 4. ed., 16. reimpressão. Porto Alegre: Editora Globo, 1971. p. 471.

3Cf. PEREIRA, Eduardo Carlos. Gramática Expositiva para o Curso Superior. 15. ed. São Paulo: Monteiro Lobato & Cia., 1924. p. 241.

Colunista

José Maria da Costa é graduado em Direito, Letras e Pedagogia. Primeiro colocado no concurso de ingresso da Magistratura paulista. Advogado. Mestre e Doutor em Direito pela PUC/SP. Ex-Professor de Língua Latina, de Português do Curso Anglo-Latino de São Paulo, de Linguagem Forense na Escola Paulista de Magistratura, de Direito Civil na Universidade de Ribeirão Preto e na ESA da OAB/SP. Membro da Academia Ribeirãopretana de Letras Jurídicas. Sócio-fundador do escritório Abrahão Issa Neto e José Maria da Costa Sociedade de Advogados.

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