COLUNAS

A eleição dos convictos

terça-feira, 15 de setembro de 2026

Atualizado em 14 de setembro de 2026 10:54

A 14ª rodada da pesquisa Nexus/BTG - 2.003 eleitores ouvidos por telefone entre 11 e 13 de setembro, registrada no TSE sob o protocolo BR-04076/26, com margem de erro de dois pontos percentuais - reforça uma tendência que as treze rodadas anteriores já vinham apontando: o eleitor brasileiro chega à reta final da eleição de 2026 com posições bastante consolidadas. A essa altura, a campanha parece ter menos espaço para convencer do que para mobilizar.

Os números do primeiro turno estimulado praticamente não se alteram desde o fim de março. Lula aparece com 42%, Flávio Bolsonaro com 37%, Augusto Cury com 6% e Ronaldo Caiado com 5%. No segundo turno, a diferença é mínima: 47% a 46%, portanto dentro da margem de erro. Hoje, não há como apontar um favorito seguro para outubro.

O dado mais interessante, porém, está na tipologia eleitoral construída pela Nexus. Os lulistas convictos representam 28% do eleitorado e os bolsonaristas convictos, 30%. Isso significa que mais da metade dos eleitores está firmemente instalada em um dos dois campos. Os não polarizados, que em tese formariam o contingente mais aberto à disputa, caíram para 18%. O espaço disponível para a persuasão, portanto, tornou-se pequeno. Além disso, a experiência de 2022 mostrou que os eleitores que se declaravam convictos mudaram de posição bem menos do que ocorria em eleições anteriores.

A rejeição completa o quadro. Lula e Flávio Bolsonaro enfrentam índices muito elevados de eleitores que afirmam não votar neles "de jeito nenhum": 48% e 50%, respectivamente. O governo Lula, por sua vez, é considerado ruim ou péssimo por 44%, sendo 38% de péssimo. Apesar disso, o presidente continua liderando a disputa. Tudo indica, assim, que teremos novamente uma eleição fortemente determinada pela rejeição ao adversário. Uma parcela importante do eleitorado não escolherá necessariamente o candidato de sua preferência, mas aquele que considera menos indesejável.

O que ainda pode mudar entre agora e o final de outubro? Provavelmente menos do que em outras eleições. Apenas 11% dos entrevistados admitem mudar de voto no segundo turno, enquanto 89% afirmam que sua decisão está tomada. Ao mesmo tempo, 96% dizem que pretendem comparecer às urnas. Nesse ambiente, ganha importância a capacidade de cada campo de organizar suas bases, assegurar o comparecimento de seus eleitores e atuar nos territórios em que possui maior presença política. A divisão regional permanece acentuada: no Sul, 48% são classificados como bolsonaristas convictos; no Nordeste, 35% são lulistas convictos.

Há, contudo, uma variável difícil de medir. A pesquisa foi realizada em meio ao agravamento da crise envolvendo o STF e aos desdobramentos do caso Master, sem que esses acontecimentos tenham produzido, até agora, alteração mensurável nas intenções de voto. É possível que o eleitor já tenha incorporado tais episódios às suas convicções. Também é possível que seus efeitos ainda não tenham chegado plenamente ao terreno eleitoral.

Se a segunda hipótese prevalecer, o elemento capaz de romper a estabilidade da disputa talvez não venha da propaganda eleitoral nem dos debates, mas de acontecimentos externos à campanha. Em uma eleição de convicções tão cristalizadas e rejeições tão elevadas, uma mudança relevante dependerá menos da capacidade de convencer e mais de algum fato novo suficientemente forte para abalar certezas já estabelecidas.