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A miopia tecnológica: Quando o escritório só reage depois que a IA já destravou vantagem para outros

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Atualizado em 13 de janeiro de 2026 11:37

Advogados enxergam muito bem quando o tema é risco jurídico. Mas quando o assunto é tecnologia, a percepção costuma ser tardia. O escritório só se interessa quando “todo mundo já está usando”, quando o cliente pergunta, ou quando a concorrência começa a ganhar eficiência visível.

A essa altura, a vantagem competitiva já mudou de mãos.

Isso tem nome: miopia tecnológica.

E ela está custando caro para muitos escritórios.

A tecnologia não chega quando o sócio decide adotá-la.

Ela chega quando muda o comportamento do mercado.

Hoje, clientes esperam:

  • Respostas mais rápidas;
  • Informações organizadas;
  • Previsibilidade de prazo;
  • Relatórios claros;
  • Menos ruído e mais precisão;
  • Eficiência como padrão, não como diferencial.

Eles não estão pedindo tecnologia.

Eles já estão vivendo tecnologia.

O escritório que ignora esse movimento não perde só produtividade.

Perde credibilidade competitiva.

E por que tantos escritórios têm dificuldade de enxergar o impacto da tecnologia?

Três razões principais:

1. O sócio acha que tecnologia é ferramenta, não direção

E fica preso na pergunta errada:

“Qual software eu devo contratar?”

A pergunta certa é:

“O que mudou na forma de trabalhar e decidir?”

Tecnologia não é ferramenta.

É mudança de lógica.

2. O escritório confunde conforto com eficiência

Muita coisa “funciona”.

Mas funciona porque alguém segura no braço, revisa três vezes, refaz manualmente ou trabalha até tarde.

Isso não é eficiência.

É sacrifício.

E sacrifício não escala.

3. O jurídico valoriza tradição e subestima inovação

Há um medo quase instintivo de abandonar processos antigos.

Mas tradição só faz sentido quando mantém o que funciona - não quando impede o que melhora.

O que era boa prática em 2010 é gargalo em 2025.

A miopia tecnológica não atrasa só processos.

Atrasa decisões.

E decisões ruins saem muito mais caras que ferramentas mal escolhidas.

Exemplos reais de atraso estratégico:

  • Não automatizar triagens de publicações;
  • Não mapear dados que poderiam orientar decisões;
  • Não padronizar fluxos simples que consomem horas de advogados caros;
  • Não integrar áreas e sistemas;
  • Não repensar como a equipe se organiza;
  • Não revisar o modelo de serviço à luz da tecnologia disponível.

Isso tudo tem impacto direto em:

  • Margem;
  • Velocidade;
  • Qualidade;
  • Risco;
  • Retenção de talentos;
  • Experiência do cliente.

Tecnologia deixa de ser uma alternativa.

Vira condição mínima de competitividade.

O problema nunca é falta de ferramenta.

É falta de leitura estratégica.

Na nossa análise, tecnologia não aparece como software.

Ela aparece como sinal.

O sócio tem que aprender a perguntar:

  • O que essa tecnologia muda no comportamento do cliente?
  • O que ela muda na forma de entregar valor?
  • O que ela muda na estrutura de custos do escritório?
  • O que ela muda na expectativa de prazo?
  • O que ela muda no meu modelo de negócio?

A partir daí, tecnologia deixa de ser gasto e vira vantagem.

A tecnologia não substitui advogado.

Substitui escritório lento.

Escritórios menores estão ganhando terreno porque conseguem:

  • Operar com mais fluidez;
  • Tomar decisões mais rápidas;
  • Gerar mais dados em menos tempo;
  • Padronizar entregas;
  • Liberar advogados para atividades de maior valor;
  • Absorver demandas que escritórios maiores executam de forma pesada.

O diferencial não está na ferramenta.

Está na mentalidade.

O antídoto para a miopia tecnológica é visão integrada.

O escritório precisa desenvolver três capacidades:

1. Interpretar o avanço tecnológico como tendência, não como ameaça

Ver IA, automação e analítica como oportunidade competitiva.

2. Reorganizar o modelo de trabalho

Simplificar fluxos, automatizar o repetitivo, medir o que importa.

3. Decidir com base em hipótese estratégica

“Se a automação avançar, então nossa equipe deve ser reorganizada.”

“Se o cliente exigir mais previsibilidade, então precisamos integrar dados.”

A tecnologia vira parte da estratégia, não um acessório.

O futuro será cruel com escritórios que enxergam tarde

E generoso com escritórios que interpretam cedo.

A tecnologia virou uma camada invisível que separa quem cresce de quem apenas trabalha.

Escritórios que acordam agora ainda têm vantagem.

Os que adiam vão pagar mais caro depois.

A pergunta que um sócio sério precisa fazer é direta:

O que a tecnologia já mudou no mercado que eu ainda não deixei mudar no meu escritório?

A resposta define quem entra no futuro com vantagem.

E quem vai correr atrás tentando recuperar terreno perdido.