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O sócio preso na rotina que nunca libera tempo para estratégia

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Atualizado em 27 de janeiro de 2026 11:14

Nenhum sócio começa o ano pensando: “Vou deixar minha estratégia para depois.”

Mas é exatamente isso que acontece, mês após mês, ano após ano.

A rotina jurídica tem um poder gravitacional.

Ela puxa o sócio para dentro de urgências, demandas, prazos, conflitos internos e microdecisões.

Esse movimento consome energia, foco e, principalmente, espaço mental.

O resultado é previsível:

O sócio trabalha sem parar, mas nunca tem tempo para pensar.

O escritório funciona, mas não evolui.

A estratégia existe, mas nunca amadurece.

Os planos aparecem, mas nunca se consolidam.

É o ciclo silencioso que aprisiona escritórios de todos os tamanhos.

A rotina não é o problema. É o único plano que existe.

Se a rotina domina tudo, é porque ela é a única estrutura disponível.

Sem método estratégico, a operação assume o comando.

Sem ritual estratégico, a reunião vira improviso.

Sem tempo reservado, o urgente invade o importante.

E sem visão, o escritório se torna escravo do dia.

O mais curioso é que isso ocorre não por falta de vontade, mas por falta de modelo mental.

O sócio sabe que deveria pensar mais estrategicamente.

Ele só não sabe quando - nem como - fazer isso sem que a operação desmonte.

A pergunta não é “Como criar tempo para estratégia?”.

A pergunta é “como impedir que o dia roube tudo?”.

O espaço para estratégia não vai aparecer espontaneamente na agenda.

Ela precisa entrar antes da rotina, com a mesma disciplina que o escritório tem para prazos.

E o único jeito de fazer isso funcionar para um sócio é dividir o pensamento estratégico em três elementos:

  1. Ambidestria,
  2. Sprints de 90 dias,
  3. Rituais semanais e mensais.

Sem isso, a rotina vence todas as batalhas.

Ambidestria: A engenharia que separa o que é gestão do que é sobrevivência.

O grande erro é acreditar que tudo tem a mesma importância.

Não tem.

A ambidestria organiza a energia em três horizontes claros:

Futuro 1 - Agora

Operação, prazos, equipe, problemas, demandas diárias.

Futuro 2 - Próximo período

Aprimoramento, modernização, novos serviços, reposicionamento.

Futuro 3 - Futuro

Tendências, hipóteses, oportunidades emergentes.

Quando o sócio opera sem essa lógica, tudo vira futuro 1.

E o escritório começa a morrer de presentismo: só enxerga o dia de hoje.

Com ambidestria, o sócio finalmente entende:

  • O que precisa de atenção imediata,
  • O que exige construção,
  • E o que pede investigação.

Isso reduz ansiedade e abre espaço mental real.

Sprints de 90 dias: O hack que destrava foco e execução

O escritório não precisa de mais disciplina.

Precisa de direção trimestral, simples e objetiva.

O sprint estratégico resolve porque:

  • Cabe na rotina;
  • Dá sensação de progresso real;
  • Não exige planejamento longo;
  • Entrega resultado rápido;
  • Cria responsabilidade clara.

O sócio passa a trabalhar com:

  • 3 objetivos;
  • 3 indicadores;
  • 3 entregas-chave;
  • 12 semanas de execução;
  • Rituais de acompanhamento.

A estratégia deixa de ser ideia e vira prática.

Rituais: A blindagem contra o caos

Sem rituais, tudo dissolve.

Estratégia vira intenção.

E intenção não muda escritório nenhum.

O sócio precisa de três rituais simples:

Ritual semanal

30 minutos para revisar o andamento dos objetivos do sprint.

Ritual mensal

1 hora para ajustar o radar de prioridades à luz dos sinais.

Ritual trimestral

Equacionar, decidir, priorizar e redesenhar o sprint.

Simples.

Elegante.

Executável.

A rotina deixa de engolir a estratégia.

O sócio não precisa de mais tempo.

Precisa de mais método.

A verdade é dura, mas libertadora:

Não existe falta de tempo para estratégia; existe falta de sistema que garanta tempo.

Quando o sócio cria:

  • Ambidestria,
  • Sprint,
  • Ritual,
  • Radar,
  • Hipóteses,
  • Foco trimestral,
  • Clareza de papéis.

Ele para de tentar “encaixar” estratégia na semana.

A estratégia passa a fazer parte do motor do escritório.

Escritórios que crescem não têm sócios menos ocupados.

Têm sócios menos dispersos.

É a dispersão, não o volume, que impede a evolução.

Sócios que adotam um sistema de pensamento estratégico conseguem trabalhar o mesmo que antes - só que com mais precisão, mais clareza e mais impacto.

A pergunta certa muda tudo:

“Minha agenda está me levando para onde eu quero que o escritório esteja daqui a 3 anos?”

Se a resposta for não, então a rotina está mandando.

E quando a rotina manda, o futuro nunca chega.