quinta-feira, 16 de julho de 2020

ISSN 1983-392X

A culpa deve ser dos comerciais de margarina!

Cristianne Saccab Zarzur Chaccur e Josie Jardim

Olhamos para a tela e vemos a família perfeita: o dia está lindo, as crianças sentam-se comportadas à mesa, o marido bonitão chega, beija as crianças e a esposa e senta-se para tomar café enquanto a mulher, com aquele sorriso nos lábios, ajuda todo mundo na refeição.

terça-feira, 18 de maio de 2010


A culpa deve ser dos comerciais de margarina!

Cristianne Saccab Zarzur*

Josie Jardim**

Olhamos para a tela e vemos a família perfeita: o dia está lindo, as crianças sentam-se comportadas à mesa, o marido bonitão chega, beija as crianças e a esposa e senta-se para tomar café enquanto a mulher, com aquele sorriso nos lábios, ajuda todo mundo na refeição. Parece tudo tão perfeito que a gente deveria desconfiar, ao invés de ficar com culpa por termos optado por sermos esposas, mães e profissionais, tudo ao mesmo tempo, enfrentando uma rotina bem menos glamourosa do que a do comercial de margarinas.

Se e quando conseguimos comer alguma coisa no café da manhã - de pé obviamente, já organizando os materiais da escola, terminando de nos arrumar para o trabalho e dando simultaneamente instruções à empregada, além de tentar trocar algumas palavras com o marido – já é uma glória!

Então saímos para o trabalho onde tanto faz o que deixamos em casa... estamos no jogo, e queremos estar no time vencedor, em um mundo (ainda) essencialmente masculino. Em meio à satisfação das conquistas profissionais e dos projetos bem sucedidos nunca conseguimos deixar de nos questionar. Estamos fazendo a coisa certa? Sou boa mãe, boa mulher, e realmente uma boa profissional afinal de contas? É a mente feminina operando incessantemente, nos confrontando com a decisão tomada lá atrás de queimar os sutiãs e entrar para valer no jogo do mundo masculino.

Não somos como os homens, não pensamos, não agimos e não temos as mesmas expectativas em relação a diversos fatos da vida (e temos que comemorar por isso!). Mas sabemos ser ultra-profissionais, extremamente técnicas, estruturar, traçar e executar inúmeras tarefas simultaneamente, e acrescentar ponderações que nenhum homem poderia ou teria coragem de fazer.

O fato de sermos diferentes não significa que queremos mais proteção. Ousamos dizer que não queremos proteção nenhuma, mas apenas condições de continuarmos crecendo profissionalmente, sem abrir mão do nosso direito de sermos mães, se quisermos. Porque essa emoção incomensurável de ter um filho não pode se tornar uma renúncia em função da vida profissional. Não podemos permitir que a escolha tenha de ser feita entre ser a mulher do comercial de margarinas ou ser uma profissional bem sucedida.

E quando ousamos dizer que não queremos proteção excessiva é porque temos dúvidas sobre sua verdadeira eficácia. Ao mesmo tempo em que a sociedade deve proteger a mãe que acaba de dar à luz, não podemos estar sujeitas a exageros legais que acabam por inibir a vontade de qualquer empresa de ter e manter funcionárias mulheres.

Aliás, se alguém tem dúvidas sobre como implementar práticas trabalhistas justas para as funcionárias do sexo feminino, vai aqui nossa singela sugestão: façam investimentos em berçários e creches nos locais do trabalho. Com certeza - e inúmeros estudos demonstram isso - esse será um fator decisivo para a retenção e atração de talentos, bem como de redução de absenteísmo de seus funcionários.

Queremos ser avaliadas pela nossa competência, pela nossa capacidade (ou não) de realizar projetos altamente complexos. Não queremos que nos olhem com olhar de piedade ou de recriminação, se eventualmente ficamos trabalhando até mais tarde (quando é realmente necessário) e os filhos estão em casa. Porque isso é ser mulher, é ser mãe guerreira, polivalente (e muito valente), determinadas e sempre cheias de energia.

Não mais sonhamos com a perfeição dos comerciais de margarinas, porém queremos os meios necessários para continuar crescendo profissionalmente, se essa for nossa opção. Não somos café-com-leite e não queremos ser tratadas dessa maneira. Queremos respeito e admiração, que devem permear as relações entre homens e mulheres, sejam elas profissionais ou pessoais. E temos a certeza de que não estamos pedindo muito! Como também temos a certeza de que, tocando em todas as nuances sensíveis desse tema, estamos no caminho certo!

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*Sócia do escritório Pinheiro Neto Advogados

* Este artigo foi redigido meramente para fins de informação e debate, não devendo ser considerado uma opinião legal para qualquer operação ou negócio específico.

© 2010. Direitos Autorais reservados a PINHEIRO NETO ADVOGADOS











**Diretora Jurídica da GE para América Latina e integrante do grupo Jurídico de Saias








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