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O que as empresas ganham com mulheres na gestão

A presença feminina em liderança empresarial no Brasil é de apenas 38%, com salários 22% menores em média, segundo o IBGE. A lei 14.611/23, que busca igualdade salarial entre gêneros, obriga relatórios semestrais de transparência salarial em empresas com mais de 100 funcionários e prevê penalidades para descumprimento, tornando-se uma ferramenta crucial para avaliar o desempenho ESG das empresas no país.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2023

Atualizado às 08:03

O espaço ocupado pelas mulheres em posições de liderança nas empresas brasileiras ainda é bem menor que o dos homens, apenas 38%, segundo a consultoria global Grant Thorton. Os homens ficam com 62% das vagas. Pior: quando elas chegam lá, o salário é, na média, 22% menor, diz o IBGE.

Por isso, a relevância da lei 14.611/23, sancionada em julho, que muda a CLT para assegurar igualdade salarial e de critérios remuneratórios entre mulheres e homens.

Empresas com mais de 100 funcionários deverão publicar, a cada semestre, um relatório de transparência salarial, funcionárias discriminadas poderão entrar com ação indenizatória por danos morais e o empregador que descumprir a norma estará sujeito a multa de dez vezes o salário equiparado, entre outras novidades.

Com isso, a lei também se transforma em importante ferramenta, com critérios objetivos, para avaliar o desempenho ESG - as boas práticas ambientais, sociais e de governança - das empresas brasileiras.

Se você pensa que isso é burocracia, atrapalho, um estorvo no dia a dia de sua empresa, pense outra vez. Além de um ambiente de trabalho mais justo e diverso e de uma imagem mais positiva diante dos consumidores, se para você o que interessa é o argumento contábil, são muitos os ganhos também na ponta do lápis.

Dar às mulheres justa remuneração e espaço equitativo em cargos de gestão garante às organizações um desempenho 48% melhor que o da concorrência de predominância masculina, conforme pesquisa da McKinsey Study.

Quer mais? Estudo feito pela mestra em gestão para competitividade Monique Cardoso, da Fundação Getúlio Vargas - FGV, mostrou que a maioria das empresas brasileiras com alto desempenho ESG têm mulheres na gestão. Entre essas empresas hipercompetitivas, 72% têm uma ou mais mulheres em seus conselhos administrativos e 52% contam com diretoras femininas.

É isso. Invista no S, a letra da diversidade e da inclusão no ESG, e veja os resultados.

O ganho de espaço feminino, nos cargos de gestão do ambiente corporativo, não tem volta. Um projeto aprovado na Câmara Federal obriga que pelo menos 30% das vagas nos conselhos de administração e fiscal de empresas públicas da União, de Estados e Municípios sejam ocupadas por mulheres.

Mulheres trazem para as empresas novas ideias, criatividade. Uma política de valorização das mulheres contribui para a retenção de talentos, fortalece a cultura organizacional, melhora a reputação e a imagem da marca.

Quer chegar lá? Promova uma cultura organizacional que valorize a diversidade e a inclusão, crie um ambiente onde todas as vozes são ouvidas e respeitadas, independentemente do gênero.

Garanta que homens e mulheres recebam salários e benefícios iguais para funções similares. Ofereça as mesmas oportunidades de desenvolvimento e promoção. Implemente programas de mentoria que conectem profissionais talentosas a líderes experientes na empresa, que advoguem ativamente pelo progresso das mulheres na carreira.

Ofereça treinamentos e oportunidades de capacitação para ajudar mulheres a desenvolver as habilidades necessárias para cargos de liderança. Defina metas mensuráveis para aumentar a representação feminina na empresa e monitore regularmente o progresso.

A equidade de gênero, junto com outras questões de diversidade, deve ser tratada como uma questão de responsabilidade social e fazer parte do planejamento estratégico da empresa. Você verá que os resultados virão. Na ponta do lápis, inclusive.

Izabela Rücker Curi

Izabela Rücker Curi

Advogada e sócia fundadora do escritório Rücker Curi Advocacia e Consultoria Jurídica e da Smart Law, uma startup focada em soluções jurídicas personalizadas para o cliente corporativo, que mesclam inteligência humana e artificial. É board member certificada pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa IBGC-São Paulo, mediadora ad hoc e consultora da Global Chambers na região Sul. É mestre em Direito pela PUC-SP e negociadora especializada pela Harvard Law School.

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