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A confiança do cliente é o maior ativo de um advogado

Sem confiança, não há parceria estratégica, apenas burocracia. Descubra como transformar confiança em valor para negócios.

terça-feira, 30 de setembro de 2025

Atualizado às 11:10

Todo empresário que já contratou um advogado conhece a sensação de incerteza: “será que ele vai defender de fato meus interesses? Será que entende meu negócio? Posso confiar que está me dando a orientação correta?”

No mundo empresarial, a relação advogado-cliente não é feita apenas de cláusulas contratuais ou pareceres jurídicos. Ela se sustenta em algo muito mais valioso: a confiança. É ela que garante que o cliente se abra, compartilhe informações sensíveis e siga orientações que podem definir o rumo do seu negócio.

O problema é que a confiança não nasce automaticamente. Ao contrário, muitos empresários enxergam o advogado como um “resolvedor de problemas” distante, alguém que só aparece quando há um processo. Isso cria um ciclo vicioso: o cliente omite informações (muitas vezes por não entender a importância de compartilhá-las), o advogado não consegue atuar de forma preventiva, e os problemas crescem até se tornarem litígios caros e desgastantes.

Além disso, o mercado jurídico ainda sofre com práticas que fragilizam essa confiança: linguagem excessivamente técnica, falta de clareza nos honorários, demora em responder demandas e ausência de compreensão real do negócio do cliente.

Agora imagine a posição do empresário digital, que vive em um ambiente de riscos constantes: tributação incerta, contratos frágeis, propriedade intelectual em disputa, plataformas mudando regras cotidianamente.

Se o advogado não inspira confiança, o cliente pode hesitar em compartilhar informações sobre estratégias, faturamento ou parcerias. Isso abre brechas para que decisões críticas sejam tomadas sem respaldo jurídico. O resultado é um negócio vulnerável, desprotegido e exposto a prejuízos.

A falta de confiança, nesse cenário, não é apenas um problema relacional - é um risco estratégico.

Construir confiança é tarefa contínua e exige do advogado mais do que conhecimento técnico. Alguns pilares fundamentais são:

  1. Transparência: Deixar claros os limites da atuação, os riscos de cada estratégia e os honorários envolvidos;
  2. Comunicação acessível: Traduzir conceitos jurídicos para a linguagem do negócio, mostrando o impacto real das decisões legais;
  3. Empatia empresarial: Compreender as dores, os objetivos e a lógica do mercado em que o cliente atua;
  4. Atuação preventiva: Mostrar que o advogado não existe apenas para apagar incêndios, mas para construir segurança e crescimento;
  5. Entrega de valor: Cada orientação deve agregar ao negócio, não ser vista apenas como “burocracia”.

Quando o cliente confia, ele compartilha informações estratégicas, segue as orientações jurídicas e cria um relacionamento de longo prazo. Para o advogado, essa confiança se transforma no maior ativo da carreira: reputação, fidelização e relevância no mercado.

A advocacia não é feita apenas de códigos e artigos de lei. É feita de pessoas que confiam umas nas outras. No universo empresarial essa confiança é o que separa uma relação pontual de uma parceria estratégica e duradoura.

No fim das contas, mais do que um consultor jurídico, o cliente busca em seu advogado um parceiro confiável para construir a solidez do seu negócio.

Caroline Vaz de Melo Mattos Abreu

VIP Caroline Vaz de Melo Mattos Abreu

Especializada em direito empresarial. Fundadora do escritório Vaz de Melo Advocacia Empresarial. Assessora empresas digitais e associações sem fins lucrativos.

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