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Como transformar o endividamento em oportunidade

Crise não é o fim. Entenda como o uso estratégico do Direito Empresarial pode transformar dívidas em alavancas de crescimento e reposicionar sua empresa no mercado.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Atualizado às 08:47

Carlos, dono de uma pequena indústria, acreditava que a crise era o fim do seu negócio.

Atrasou fornecedores, perdeu crédito no banco e passou meses lutando para manter a folha em dia.

Mas, ao procurar um advogado especializado, descobriu que o problema não era apenas financeiro - era jurídico e estratégico.

O que parecia falência iminente se transformou em plano de reestruturação, com base em três pilares:

  1. Diagnóstico jurídico das dívidas;
  2. Uso das normas do Banco Central (provisionamento e SCR);
  3. Aplicação inteligente da lei para renegociar, proteger e reconstruir.

Hoje, Carlos voltou a ter lucro, crédito e paz.

E isso não aconteceu por sorte - aconteceu por estratégia jurídica.

A maioria dos empresários confunde dívida com fracasso.

Acredita que estar devendo é sinal de incapacidade, quando na verdade é parte natural do ciclo empresarial.

O verdadeiro problema está em não ter um plano jurídico de enfrentamento.

Sem orientação adequada, o empresário:

  • Negocia mal com os bancos;
  • Paga juros abusivos;
  • Mistura finanças pessoais e empresariais;
  • E deixa de usar instrumentos legais que poderiam salvá-lo.

O resultado é uma espiral de estresse, culpa e paralisia.

Mas, quando o empresário entende o que a lei permite, a dívida deixa de ser uma sentença e passa a ser um ponto de virada.

Pense por um instante:

Quantas empresas sólidas você conhece que já enfrentaram crises e saíram mais fortes?

Apple, Ford, Embraer, Oi, Gol, Azul… todas, em algum momento, tiveram de reestruturar dívidas.

A diferença é que elas tiveram estratégia.

Enquanto o pequeno empresário se desespera e tenta apagar incêndios, as grandes empresas usam planos jurídicos e negociais amparados pela leiinstrumentos que qualquer empresa, de qualquer porte, também pode usar.

O que falta não é recurso - é conhecimento jurídico estratégico.

Transformar o endividamento em oportunidade significa usar o Direito como ferramenta de reconstrução.

A seguir, o plano jurídico de recuperação e reconstrução empresarial dividido em 5 passos práticos e totalmente legais.

1. Diagnóstico jurídico-financeiro completo

Antes de negociar, é preciso entender a real extensão da dívida.

O advogado analisa:

  • Todos os contratos com bancos e fornecedores;
  • O SCR - Sistema de Informações de Crédito do BACEN;
  • As garantias pessoais e empresariais;
  • E os prazos de prescrição.

Essa etapa revela o que realmente é devido, o que é abusivo e o que pode ser reestruturado.

2. Aplicação das regras do BACEN sobre provisionamento

Com base na resolução CMN 2.682/99, o advogado identifica quais dívidas já foram provisionadas pelo banco - ou seja, já estão contabilizadas como perdas.

Isso permite negociar com poder, exigindo descontos proporcionais à realidade contábil da instituição.

Exemplo: Dívida de R$ 500 mil com 180 dias de atraso pode ser renegociada por R$ 150 mil, de forma justa e legal.

3. Estratégia de renegociação e defesa jurídica

Com o diagnóstico e os dados do BACEN em mãos, o advogado pode:

  • Formalizar notificações extrajudiciais de negociação;
  • Ingressar com ação revisional de juros abusivos;
  • E até pleitear recuperação extrajudicial, mantendo o sigilo empresarial.

Cada medida visa proteger o caixa e preservar o nome da empresa.

4. Blindagem patrimonial e reorganização societária

Após conter a crise, o próximo passo é proteger o patrimônio.

Isso envolve:

  • Separação completa entre CPF e CNPJ;
  • Revisão de contratos sociais e garantias pessoais;
  • E, em alguns casos, criação de holding familiar ou empresarial.

A proteção jurídica é o alicerce do recomeço.

5. Reconstrução de crédito e retomada de crescimento

Por fim, o advogado orienta o empresário a:

  • Monitorar o relatório do SCR trimestralmente;
  • Solicitar atualização das informações quitadas;
  • E reconstruir o relacionamento bancário de forma planejada.

Em 6 a 12 meses, é possível sair da classificação “E” ou “F” e voltar ao grupo “B” ou “A” - recuperando crédito e confiança no mercado.

O endividamento não é o fim da empresa - é um sinal de que é hora de evoluir juridicamente.

Com o plano certo, o empresário deixa de ser refém do sistema financeiro e passa a ser autor do próprio recomeço.

O que destrói uma empresa não são as dívidas, mas a falta de estratégia para lidar com elas.

E o Direito Empresarial existe justamente para isso: reconstruir, proteger e impulsionar quem produz.

Samir Tomazi

VIP Samir Tomazi

Advogado e sócio do escritório Tomazi Advocacia & Consultoria, é pós graduado e especialista em Direito Bancário. Conta com mais de dez anos de experiência na área e profundo conhecimento da matéria.

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