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O que jornalistas realmente esperam de fontes jurídicas e como advogados podem se tornar porta-vozes indispensáveis

Advogados que explicam direito de forma clara, objetiva e segura tornam-se fontes confiáveis e disputadas pela imprensa.

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Atualizado em 5 de janeiro de 2026 13:34

Quando eu estava na redação, e não foram poucos anos atuando como repórter, havia algo que sempre me conquistava: fontes jurídicas capazes de explicar temas complexos de forma didática, objetiva e, ao mesmo tempo, profunda. Esse tipo de porta-voz ganha rapidamente a confiança de qualquer jornalista. Compreender o tema é sempre o ponto de partida, até porque repórteres não são especialistas em todas as áreas do Direito. Quanto mais simples é a explicação, mais claro fica o texto e melhor para o leitor, o telespectador ou o internauta. Resultado: aquela fonte passava a ser presença constante nas pautas.

Hoje, como assessora de comunicação, posso afirmar com tranquilidade: alcançar esse nível de clareza e prontidão encurta, e muito, o caminho até se tornar um porta-voz disputado pela imprensa. Em redações cada vez mais enxutas, agilidade, precisão e objetividade valem ouro. O tempo do jornalista é curto e o da notícia, mais ainda. 

Responder rápido, ser claro nas informações e ter paciência são requisitos básicos. Sim, nem sempre o jornalista compreende tudo logo na primeira explicação. E isso faz parte do processo. Exemplos práticos e situações concretas fazem enorme diferença, sobretudo em temas mais sensíveis, como tributário, previdenciário ou proteção de dados, por exemplo. E, claro: é essencial ter domínio do conteúdo. Poucas coisas são tão valorizadas quanto conversar com alguém que conhece profundamente o assunto, desde que isso não venha acompanhado de, digamos, uma certa arrogância. Mostrar segurança é fundamental; exagerar no juridiquês, nunca. 

Jornalistas retornam às fontes que atendem até mesmo fora do horário comercial, que respeitam prazos apertados, que entendem embargo, que sabem falar on e off, que mantêm coerência ao longo do tempo e não fogem de temas sensíveis. Muitos dominam o conteúdo. Poucos constroem essa relação de disponibilidade e ela pesa, muito, quando o repórter escolhe para quem ligar primeiro.

Frases bem construídas e com impacto também contam muitos pontos. Comentários precisos, bem fundamentados e isentos elevam o nível de qualquer reportagem. Muitas vezes, uma única boa aspa é o que garante destaque na home de um portal, na manchete ou até na capa do jornal. Apresentar diferentes ângulos, contextualizar e ampliar a discussão torna a matéria mais sólida e posiciona o advogado como uma fonte confiável e preparada.

Em entrevistas ao vivo, a dica é simples e valiosa: respire, seja direto e altamente claro. A regra clássica continua imbatível e vale para todos os casos. Explique como se estivesse conversando com a sua mãe. Se ela compreende, o público também vai compreender.

Mas há um ponto que vai além da boa comunicação e precisa ser observado cm atenção: quanto melhor o advogado se comunica, menos riscos jurídicos ele cria. Uma fala mal colocada, um conceito dito de forma imprecisa ou uma explicação sem contexto pode gerar interpretações equivocadas, ruídos de informação e até prejuízos ao profissional, seu cliente e até quem acompanhará o conteúdo.

E nesse cenário todo, a assessoria de imprensa tem uma atuação primordial. Atuando como ponte entre o advogado e a mídia. É ela quem ajuda a organizar o discurso, traduzir o vocabulário técnico, antecipar perguntas difíceis. O assessor também está ali para preparar o porta-voz para atuar com segurança diante dos jornalistas. Também acompanha o ritmo das redações, identifica oportunidades estratégicas e constrói uma presença consistente ao longo do tempo. Ou seja, ele se dedica a reduzir ruídos, potencializar as mensagens e fazer com que o profissional seja lembrado quando a pauta certa surge.

Vale entender que construir credibilidade não é fruto do acaso é método, constância e preparo. O mesmo podemos dizer da autoridade. Ela não nasce de um dia para o outro, mas se constrói no acúmulo de boas entrevistas, análises consistentes, postura colaborativa e respeito ao trabalho jornalístico. Para que estiver disposto a plantar as boas sementes, a colheita é garantida! 

Rosana Rife

Rosana Rife

Jornalista e assessora de imprensa na M2 Comunicação Jurídica.

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