O perigo da exposição de menores na internet
No Brasil, estudos indicam que cerca de 75% das crianças e adolescentes possuem perfis em redes sociais.
quarta-feira, 7 de janeiro de 2026
Atualizado às 09:58
A exposição de filhos na internet tem se tornado uma prática cada vez mais comum entre pais e responsáveis, impulsionada pelo uso massivo de redes sociais e plataformas digitais. O compartilhamento de fotos, vídeos e detalhes da rotina infantil, muitas vezes motivado por orgulho, afeto ou desejo de registrar momentos especiais, acaba criando um histórico digital permanente que pode gerar consequências emocionais e psicológicas profundas para crianças e adolescentes.
No Brasil, estudos indicam que cerca de 75% das crianças e adolescentes possuem perfis em redes sociais, sendo que aproximadamente um terço desses perfis são totalmente abertos, com fotos e informações pessoais visíveis para qualquer usuário, o que aumenta significativamente a vulnerabilidade desses jovens, especialmente quando não há cuidados adequados com privacidade e proteção de dados.
Dados do IBGE mostram que 82% das crianças entre 10 e 13 anos já utilizam a internet e dispositivos móveis, o que expõe a infância a um ambiente digital complexo, nem sempre preparado para respeitar limites emocionais e de desenvolvimento. Essa presença constante no mundo virtual ocorre em uma fase crucial da vida, em que a identidade ainda está sendo construída, tornando a criança mais sensível a julgamentos, comparações e à perda do controle sobre a própria imagem.
A exposição excessiva pode provocar impactos psicológicos significativos. Crianças cujas vidas são amplamente documentadas online tendem a desenvolver níveis mais elevados de ansiedade em relação à forma como são vistas pelos outros, além de insegurança e baixa autoestima. Comentários, curtidas ou críticas nas redes sociais podem influenciar negativamente a percepção que elas constroem sobre si mesmas, gerando medo da rejeição e dificuldades emocionais que podem se estender para a adolescência e a vida adulta.
Outro fator preocupante é o risco de bullying e humilhação. Conteúdos aparentemente inofensivos, como vídeos engraçados, situações constrangedoras ou relatos íntimos, podem ser compartilhados fora de contexto e utilizados como forma de exposição negativa em ambientes escolares ou sociais. Esse tipo de situação pode causar sofrimento emocional intenso, afetar o desempenho escolar e deixar marcas psicológicas duradouras.
Além dos impactos emocionais, a superexposição infantil também envolve riscos no campo da segurança. Informações sobre rotina, localização e hábitos podem ser usadas de maneira inadequada por terceiros, uma vez que o controle sobre quem acessa e compartilha o conteúdo publicado é limitado. Mesmo quando não há intenção de causar dano, a falta de consciência sobre os perigos do ambiente digital amplia a vulnerabilidade das crianças.
Diante desse contexto, torna-se essencial reconhecer a criança como sujeito de direitos, incluindo o direito à privacidade e à proteção de sua imagem. Sempre que possível, ouvir a opinião dos filhos e respeitar seus limites quanto à exposição nas redes sociais contribui para a formação de uma relação mais saudável com a tecnologia. Refletir antes de postar, optar por perfis privados, evitar informações sensíveis e priorizar o bem-estar emocional são atitudes fundamentais para uma exposição mais responsável.
Assim, a discussão sobre a exposição de filhos na internet vai muito além do simples compartilhamento de momentos familiares. Trata-se da proteção da infância e da saúde emocional das próximas gerações. Proteger a infância é um ato de cuidado, respeito e amor, garantindo que crianças e adolescentes cresçam com dignidade, segurança e liberdade para construir sua própria história.


