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e-Not Provas e a prova digital no Brasil: avanço necessário

A relevância do e-Not Provas não está apenas na captura de uma tela, está na tentativa de resolver a volatilidade do conteúdo online e o risco de desaparecimento do vestígio.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Atualizado às 18:19

A vida contemporânea migrou para o digital e com ela migraram também os conflitos. A consequência é direta: cresce, em velocidade exponencial, a necessidade de produzir, preservar e apresentar provas digitais em processos judiciais e administrativos.

É nesse cenário que serviços notariais eletrônicos como o e-Not Provas, disponível na plataforma e-Notariado, passam a ocupar um papel relevante ao permitir que cidadãos, empresas e advogados autentiquem conteúdos publicados na internet com valor jurídico. 

Mas a relevância do e-Not Provas não está apenas na captura de uma tela: está na tentativa de resolver um problema real: a volatilidade do conteúdo online e o risco de desaparecimento do vestígio.

1. A volatilidade como uma questão relevante: o conteúdo "some", muda e se reescreve

Redes sociais, sites, páginas institucionais, comentários, avaliações, anúncios, stories, perfis e até matérias jornalísticas podem:

  • ser editados silenciosamente;
  • ser removidos por moderação;
  • cair por instabilidade do serviço;
  • ficar indisponíveis por bloqueios geográficos, judiciais ou por login;
  • ser reescritos (incluindo datas e contexto).

É justamente por isso que o e-Not Provas se torna interessante: ele foi desenhado para coletar provas de páginas da internet, como sites, mensagens e telas de mídias sociais, com registro notarial.

Ou seja, procura alcançar a prova digital em seu "tempo" - aquilo que existe agora pode deixar de existir amanhã.

A prova digital é volátil por natureza, e a janela para a preservação é, na maioria das vezes, curta.

2. O diferencial na produção e preservação de provas feitas pelas "mãos do tabelião", com fé pública

Merece portanto destacar que acionar o e-Not Provas pode ser, em si, um meio de prova, porque o resultado é certificado por um tabelião, dotado de fé pública. 

Isso cria um contraste importante com outros instrumentos de preservação de vestígios digitais, como:

  • prints feitos pelo próprio usuário;
  • gravações de tela;
  • "web archives";
  • exportação de HTML local;
  • hashes gerados "em casa";
  • coletores automatizados de evidência.

Esses meios podem ser úteis, mas com frequência exigirão avaliação futura perito quanto a integridade, autenticidade, rastreabilidade e contexto.

No e-Not Provas, há um ganho de confiança institucional: a coleta ocorre com participação e chancela notarial, com presunção de regularidade quanto ao que foi observado no momento do ato. 

3. O contexto técnico da prova digital

A presunção de veracidade não é absoluta e se limita ao que foi constatado no momento do ato, não abrangendo necessariamente todo o "histórico técnico" do dado antes da coleta. 

Essa distinção é crítica.

O tabelião certifica a existência e a forma de apresentação do conteúdo em um instante específico, mas não necessariamente prova, por si só, a origem do conteúdo, quem o produziu, como foi gerado, nem se houve manipulação antes de estar online.

A própria documentação do e-Not Provas é cuidadosa ao reconhecer esse limite: a autenticação confirma que o conteúdo estava disponível na data e hora indicadas, no link informado, mas não atesta a veracidade dos elementos de texto e imagem. 

Essa frase, sozinha, desmonta qualquer leitura equivocada de que a ferramenta "garante a verdade do fato". Ela garante um recorte: o registro formal do conteúdo como publicado/exibido.

4. Segurança operacional: o e-Not Provas tenta "blindar" o procedimento (e isso importa)

Outro mérito do ecossistema e-Not Provas é a tentativa de minimizar alegações de manipulação na captura.

A documentação aponta que as coletas ocorrem em ambiente seguro da própria plataforma, impedindo a adulteração do conteúdo capturado. E detalha mecanismos técnicos relevantes, como:

  • uso de máquinas virtuais com sandbox e navegador dedicado;
  • ambiente de captura criado e destruído por sessão, reduzindo superfície de ataque;
  • não armazenamento de senhas do usuário; 
  • controle de DNS para evitar direcionamento malicioso; 
  • geração de hash (SHA) exibido no documento final. 

Esses elementos são importantes porque lidam com um risco real: a impugnação por "fraude de captura", alegando que a parte alterou o conteúdo localmente, redirecionou a navegação ou adulterou o resultado.

O e-Not Provas tem uma vantagem operacional: ao padronizar a captura em ambiente controlado e gerar hash, ele ajuda a sustentar uma narrativa de integridade ao longo do tempo, armazenando as provas por até cinco anos. 

5. Conclusão: o e-Not Provas é solução pragmática para o "agora"

O e-Not Provas atende uma urgência do mundo digital: conteúdo online é volátil, e a prova precisa ser preservada antes que desapareça.

Ao permitir que páginas, posts e mensagens sejam coletados em ambiente seguro, com registro notarial, o serviço fortalece a segurança jurídica e reduz o "achismo probatório". 

O grande trunfo do e-Not Provas, frente à ferramentas privadas, reside no fato que seu acionamento resulta em um ato notarial dotado de fé pública, que pode servir como meio de prova, diminuindo o espaço para controvérsias imediatas sobre autenticidade formal do registro. 

Considerando que em muitas circunstâncias uma prova não termina na captura de um conteúdo, o e-Not Provas é excelente para obter o "estado do mundo digital" em um instante, com alto poder de convencimento.

Renato Martini

Renato Martini

ex Presidente do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI) e ex Conselheiro do Comitê Gestor da Internet.

André Caricatti

André Caricatti

Perito criminal Federal aposentado.

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