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Crédito de ICMS na importação própria: Como usar corretamente

O uso correto do crédito de ICMS na importação própria permite preservar caixa no desembaraço. O artigo explica regras, requisitos legais, uso da GCOMP e erros que impedem a compensação.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Atualizado às 13:53

crédito de ICMS na importação própria é uma das principais oportunidades de preservação de caixa para empresas que importam mercadorias, especialmente em São Paulo. Mesmo assim, muitos contribuintes ainda pagam o imposto em dinheiro no desembaraço, mesmo possuindo crédito acumulado disponível.

Entender como funciona a compensação, os requisitos legais e o uso da GCOMP é essencial para evitar erros, atrasos e perdas financeiras.

O que é o crédito de ICMS na importação própria

Na importação própria, o ICMS é exigido no momento do desembaraço aduaneiro. Sem o pagamento, a mercadoria não é liberada.

Quando a empresa importa e, posteriormente, realiza operações interestaduais ou com carga tributária menor, é comum que o ICMS pago na importação seja superior ao ICMS devido na saída. Essa diferença gera crédito acumulado de ICMS.

Esse crédito:

  • Não é benefício fiscal;
  • Não surge automaticamente;
  • Precisa ser controlado, validado e autorizado para uso.

Quando o crédito acumulado pode ser usado na importação

A legislação paulista permite que o crédito acumulado seja utilizado para compensar o ICMS devido na importação, desde que alguns requisitos sejam atendidos:

  • O contribuinte seja estabelecido em São Paulo;
  • desembarque e o desembaraço ocorram em território paulista;
  • O crédito esteja devidamente apurado e reconhecido;
  • O pedido seja feito pelos sistemas oficiais da Sefaz-SP.

Quando aprovado, o imposto é considerado quitado sem desembolso financeiro.

O que é a GCOMP e qual sua função

GCOMP - Guia de Compensação com Crédito Acumulado é o documento que formaliza o pagamento do ICMS da importação com crédito acumulado.

Ela comprova que:

  • O imposto foi quitado;
  • O crédito foi utilizado de forma regular;
  • A operação foi reconhecida pelo sistema estadual.

Sem a GCOMP válida, o ICMS não é considerado pago, mesmo que exista crédito disponível.

Como compensar o ICMS da importação na prática

O processo ocorre em duas etapas principais:

1. Pedido no e-CredAc

No sistema e-CredAc, o contribuinte deve:

  • Acessar Pedido > Compensação > Solicitar;
  • Informar o estabelecimento detentor do crédito;
  • Indicar o estabelecimento responsável pelo recolhimento;
  • Informar a DI - Declaração de Importação;
  • Indicar o valor da compensação.

2. Emissão da GCOMP no Simp

Após o pedido, o estabelecimento detentor do crédito deve:

  • Acessar o Simp - Sistema de Controle da Importação;
  • Gerar a GCOMP-ICMS correspondente;
  • Acompanhar a validação pela Sefaz-SP.

Somente após essa validação o sistema reconhece a quitação do imposto.

Principais vantagens do uso do crédito na importação

Utilizar o crédito acumulado na importação própria gera benefícios relevantes:

  • Preservação de caixa no desembaraço;
  • Redução do impacto financeiro imediato;
  • Uso estratégico de valores já pagos;
  • Maior eficiência no planejamento tributário;
  • Menor dependência de capital de giro.

Para empresas com volume recorrente de importações, o impacto no fluxo de caixa é significativo.

Erros comuns que impedem a compensação

Alguns fatores costumam travar ou atrasar o uso do crédito:

  • Crédito não homologado ou mal documentado;
  • Inconsistências entre apuração, Sped e documentos fiscais;
  • Erro no vínculo entre crédito e operação de importação;
  • Tentativa de compensar valores fora das regras estaduais;
  • Falta de estratégia na gestão do crédito acumulado.

Esses erros podem levar a indeferimentos e retrabalho administrativo.

Importação própria exige planejamento tributário

O uso correto do crédito de ICMS na importação própria não é automático. Ele exige:

  • Organização fiscal;
  • Controle de apurações;
  • Domínio dos sistemas estaduais;
  • Estratégia de monetização do crédito.

Empresas que tratam o crédito apenas como “saldo contábil” tendem a perder eficiência e caixa.

Conclusão

O crédito acumulado de ICMS pode ser um aliado estratégico na importação própria, desde que seja corretamente apurado, formalizado e utilizado.

Pagar ICMS em dinheiro quando há crédito disponível significa abrir mão de eficiência financeira.

Paulo Garcia

VIP Paulo Garcia

Especialista em ICMS Acumulado, Contador, Auditor Independente, Sócio Tributarista na Carvalho & Associados

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