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Entre saberes, sabores e humanidade: A experiência do curso de Direitos Humanos na Universidade de Coimbra

Curso de Direitos Humanos em Coimbra une aprendizado acadêmico, vivência cultural e reflexão ética, promovendo formação integral e humanizada.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Atualizado em 11 de fevereiro de 2026 14:54

Há experiências acadêmicas que ultrapassam os limites da sala de aula e se transformam em vivências profundas de humanidade, cultura e pertencimento. O curso de Direitos Humanos realizado na Universidade de Coimbra, em Portugal, insere-se precisamente nesse campo raro em que o conhecimento não se restringe ao conteúdo programático, mas se expande para o encontro com pessoas, histórias, tradições e sensibilidades. Trata-se de uma experiência que conjuga razão e afeto, teoria e prática, erudição e vida cotidiana, resultando em uma aprendizagem integral, marcada não apenas pela excelência acadêmica, mas pela intensidade humana que a envolve.

Coimbra, com sua história secular, apresenta-se como cenário ideal para essa travessia intelectual e sensível. A cidade respira conhecimento. Suas ruas de pedra, seus edifícios históricos e o constante eco da tradição universitária constroem um ambiente no qual o passado dialoga com o presente de forma harmônica. Não se trata de uma nostalgia estática, mas de uma herança viva, que se renova a cada geração de estudantes que por ali transitam, carregando consigo inquietações contemporâneas e o desejo de compreender o mundo sob novas perspectivas. Nesse contexto, estudar Direitos Humanos em Coimbra é, antes de tudo, reconhecer-se parte de uma longa linhagem de pensadores comprometidos com a dignidade humana.

A Universidade de Coimbra, especialmente sua Faculdade de Direito, impõe-se não apenas pela grandiosidade arquitetônica ou pelo reconhecimento internacional, mas pela densidade simbólica que carrega. Ali, o Direito não é apresentado como um sistema fechado de normas, mas como um instrumento vivo de mediação social, profundamente conectado às transformações históricas e às demandas éticas da humanidade. O curso de Direitos Humanos reflete essa concepção ampliada do saber jurídico, convidando o estudante a ultrapassar leituras positivistas e a compreender o Direito como expressão cultural, política e moral das sociedades.

Desde os primeiros encontros, o curso revela sua vocação para o diálogo plural. Os participantes, oriundos de diferentes Estados do Brasil, culturas e trajetórias profissionais, compõem um mosaico humano que enriquece sobremaneira a experiência acadêmica. Cada debate em sala de aula transforma-se em espaço de escuta e troca, no qual realidades diversas se encontram, se confrontam e se complementam. Essa diversidade não apenas amplia horizontes, mas materializa, de forma concreta, os próprios princípios dos Direitos Humanos, ao valorizar a alteridade e promover o respeito às diferenças.

Os professores desempenham papel central nessa construção. Mais do que transmissores de conhecimento, apresentam-se como mediadores de reflexão crítica e sensível. Com sólida formação acadêmica e reconhecida experiência prática, conduzem as aulas com rigor científico, sem jamais perder de vista a dimensão humana dos temas abordados. Suas exposições revelam profundo domínio teórico, mas também abertura ao questionamento, à dúvida e à complexidade. Cada aula é um convite à inquietação intelectual, instigando os alunos a repensar conceitos, desconstruir certezas e assumir uma postura ética diante das injustiças contemporâneas.

A abordagem dos Direitos Humanos no curso afasta-se de discursos meramente idealizados. Ao contrário, enfrenta as contradições do mundo real, expondo as tensões entre universalismo e relativismo cultural, soberania estatal e proteção internacional, direitos formais e efetividade material. Esse enfrentamento é feito com delicadeza e profundidade, reconhecendo que os Direitos Humanos não são um campo de respostas fáceis, mas de perguntas necessárias. Assim, o estudante é provocado a compreender que defender a dignidade humana exige coragem intelectual, empatia e responsabilidade social.

Fora da sala de aula, Coimbra continua a ensinar. A cidade transforma-se em extensão do espaço acadêmico, oferecendo experiências que complementam e aprofundam os conteúdos discutidos. Os encontros informais entre alunos, de todo o Brasil, muitas vezes em cafés históricos ou restaurantes tradicionais, revelam-se momentos preciosos de aprendizado e conexões. Nessas ocasiões, o conhecimento circula de maneira espontânea, permeado por relatos pessoais, reflexões éticas e trocas culturais. O Direito, então, deixa de ser apenas objeto de estudo e passa a ser vivido em sua dimensão mais humana.

A gastronomia portuguesa assume, nesse contexto, papel singular. Mais do que simples expressão culinária, ela se apresenta como linguagem cultural e espaço de convivência. À mesa, os vínculos se fortalecem. Pratos tradicionais, como o bacalhau em suas múltiplas variações, os caldos reconfortantes e as sobremesas carregadas de memória, tornam-se pretextos para conversas profundas e afetivas. Compartilhar uma refeição em Coimbra é participar de um ritual de acolhimento, no qual o tempo desacelera e as diferenças se dissolvem em torno do alimento comum.

Esses momentos gastronômicos revelam-se especialmente significativos quando associados às reflexões sobre Direitos Humanos. Ao partilhar o pão e o vinho, emerge a consciência de que o direito à alimentação, à cultura e à convivência também integra o núcleo essencial da dignidade humana. A mesa, nesse sentido, transforma-se em espaço político e ético, no qual se experimenta, de forma concreta, a fraternidade que os textos normativos tantas vezes proclamam. Comer juntos passa a ser um gesto simbólico de reconhecimento mútuo.

As pessoas encontradas ao longo dessa jornada deixam marcas profundas. Colegas de curso tornam-se companheiros de reflexão e, muitas vezes, amigos para a vida. Cada história compartilhada amplia a compreensão do mundo e reforça a percepção de que os Direitos Humanos são vividos de maneiras distintas, conforme contextos sociais, econômicos e culturais. Esse contato direto com realidades diversas humaniza os debates teóricos e confere sentido prático às discussões acadêmicas. Aprende-se, assim, que nenhuma teoria é completa sem a escuta atenta das experiências humanas que a sustentam.

A vivência em Coimbra também provoca um reencontro consigo mesmo. Longe da rotina habitual, o estudante é convidado a revisitar suas próprias convicções, valores e escolhas. O curso de Direitos Humanos, nesse aspecto, atua como espaço de formação não apenas profissional, mas existencial. Questiona-se o papel do jurista, do pesquisador e do cidadão em um mundo marcado por desigualdades persistentes e desafios globais complexos. Surge, então, a compreensão de que o compromisso com os Direitos Humanos ultrapassa o exercício técnico do Direito e se inscreve na ética do cotidiano.

A tradição acadêmica da Universidade de Coimbra contribui decisivamente para essa formação integral. Ao longo de séculos, a instituição consolidou-se como espaço de produção crítica do conhecimento, mantendo viva a tensão criativa entre conservação e inovação. Estudar ali é reconhecer-se herdeiro de um patrimônio intelectual vasto, mas também assumir a responsabilidade de atualizá-lo à luz das demandas contemporâneas. O curso de Direitos Humanos insere-se nessa tradição, reafirmando a centralidade da dignidade humana como eixo estruturante do Direito.

O impacto dessa experiência prolonga-se para além do período do curso. As reflexões, os encontros e as vivências incorporam-se à trajetória pessoal e profissional do participante, influenciando sua atuação futura. O retorno ao cotidiano traz consigo uma nova sensibilidade, marcada pela consciência de interdependência e pela valorização do diálogo intercultural. Coimbra permanece, então, como referência afetiva e intelectual, um lugar onde o Direito foi vivido em sua dimensão mais humana.

Em síntese, o curso de Direitos Humanos na Universidade de Coimbra constitui uma experiência singular, que articula saber acadêmico, convivência humana e expressão cultural de maneira harmoniosa. A cidade, a universidade, os professores, os colegas e a gastronomia formam um conjunto indissociável, no qual cada elemento contribui para uma aprendizagem profunda e transformadora. Trata-se de um percurso que ensina, sobretudo, que os Direitos Humanos não se aprendem apenas nos livros, mas na experiência compartilhada de estar com o outro, de ouvir, de sentir e de reconhecer a dignidade que habita cada existência.

Ao final dessa jornada, resta a certeza de que Coimbra não foi apenas um lugar de estudo, mas um espaço de encontro com a essência do próprio Direito: a promoção da vida digna, plural e solidária. E essa certeza, silenciosa e persistente, acompanha o estudante como um compromisso ético permanente, renovado a cada gesto, a cada escolha e a cada olhar lançado sobre o mundo.

Karine Milles Elizio

Karine Milles Elizio

Síndica Profissional | Gestão Condominial | Área Jurídica. 08/2025 - MBA em Administração de Condomínios e Síndico Profissional, com ênfase em Direito Condominial - CONASI. 2026 - Graduação em Direito (em andamento). 2016 - Pós-Graduação em Parapsicologia Clínica. 2007 - Bacharelado em Administração (Comércio Exterior).

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