MIGALHAS DE PESO

  1. Home >
  2. De Peso >
  3. O mercado segurador em 2026: Volatilidade climática, regulação e resposta social

O mercado segurador em 2026: Volatilidade climática, regulação e resposta social

Em 2026, a volatilidade climática rompe modelos históricos. Veja como o setor concilia rigor de solvência, tecnologia "Predict & Prevent" e função social para reduzir o gap de proteção.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Atualizado às 09:46

O mercado segurador em 2026 apresenta uma transição operacional. Se nos anos anteriores o foco residia no alerta sobre a frequência de eventos extremos, o cenário atual exige uma resposta prática e objetiva sobre como o setor reprecifica riscos, adapta-se a regulações de solvência mais rígidas e preenche a lacuna de proteção social. A estabilidade histórica dos modelos de risco foi rompida, e a indústria agora opera sob a urgência de integrar tecnologia preditiva e responsabilidade social corporativa.

O diagnóstico global: Pressão financeira e regulatória

Dados da Swiss Re indicam que as perdas globais seguradas por catástrofes atingiram US$ 107 bilhões em 2025, impulsionadas por eventos como incêndios na Califórnia e tempestades convectivas. Contudo, a maior preocupação reside no gap de proteção global (a disparidade entre perdas econômicas e valores segurados), que pode superar US$ 1,8 trilhão.

Este cenário elevou o rigor regulatório. No Reino Unido e nos EUA, as exigências evoluíram da exigência de simples relatórios de divulgação para testes práticos de estresse. Em 2026, seguradoras são avaliadas não apenas pela liquidez, mas pela capacidade de manter a solvência diante de cenários climáticos severos simultâneos e pela manutenção da disponibilidade de cobertura em áreas de alto risco.

Tendências de mercado e inovação: A resposta comercial

Diante desse cenário, o mercado reage com especialização e tecnologia. Na América Latina e especificamente no Brasil, projeta-se um ambiente favorável para 2026, com a CNseg - Confederação Nacional das Seguradoras estimando um crescimento de 8% para o setor.

Para a manutenção da rentabilidade e expansão da base, três estratégias de subscrição e tecnologia se destacam:

  • Modelo "Predict & Prevent": A mentalidade muda de apenas "pagar sinistros" para "prevenir perdas". Integração de sensores IoT e Inteligência Artificial para monitoramento de riscos em tempo real e redução de sinistralidade.
  • Expansão das MGAs e mercado de excedentes: À medida que seguradoras tradicionais recuam de riscos complexos, as MGAs - Managing General Agents preenchem o vácuo com subscrição técnica especializada, atendendo desde riscos habitacionais complexos até a transição energética.
  • Seguros paramétricos e acessibilidade: Para combater a falta de cobertura, ganham força os seguros paramétricos (baseados em gatilhos de dados como nível de chuva ou velocidade do vento). Essa modalidade é essencial para trazer agilidade e proteção acessível a setores vulneráveis, como a agricultura familiar.

O impacto na realidade brasileira: Agilidade e função social

A teoria da volatilidade climática se materializa de forma contundente no Brasil. Eventos recentes, como as inundações no Rio Grande do Sul (2024 e 2025), ciclones no Paraná e secas no Amazonas, evidenciam a necessidade de mecanismos de resposta rápida que complementem o mercado tradicional.

Nesse contexto, o investimento social privado atua na mitigação de danos em áreas com baixa penetração de seguros comerciais. O Fundo de Catástrofes, mantido pela Zurich e Zurich Santander, é um exemplo de eficiência operacional. Com um aporte de R$ 2 milhões para 2026, o mecanismo permite a liberação de recursos para ajuda humanitária e reconstrução em um intervalo de 3 a 5 dias úteis, contra a média de 20 a 90 dias de processos convencionais.

Essa iniciativa, premiada internacionalmente pelo BRICS Solutions Awards, demonstra que a gestão de riscos em 2026 não é apenas uma questão de engenharia financeira, mas de responsabilidade social. Ao destinar recursos para kits emergenciais, unidades móveis de saúde e reconstrução, o setor privado responde à pressão social citada nos diagnósticos globais, atuando diretamente na resiliência das comunidades.

Conclusão

O ano de 2026 consolida-se como um teste de maturidade para o mercado segurador. As instituições vencedoras serão aquelas capazes de equilibrar a rigorosa gestão de solvência exigida pelos reguladores com a flexibilidade comercial das novas tecnologias. Mais do que isso, a integração entre soluções de mercado (como paramétricos e MGAs) e ações de impacto social (como fundos de catástrofe) definirá a relevância do setor em um mundo de estabilidade rompida.

José Marciano da Silva Neto

VIP José Marciano da Silva Neto

Especialista em Direito Securitário e consultor jurídico de seguradoras, corretoras, insurtechs e estruturas complexas de distribuição. Pós-graduado em Legal Ops, IA e Alta Performance Jurídica.

AUTORES MIGALHAS

Busque pelo nome ou parte do nome do autor para encontrar publicações no Portal Migalhas.

Busca