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Quando a mochila está pesada demais!

Convivência alternada x alimentos. Quando a mochila fica pesada demais.

sexta-feira, 6 de março de 2026

Atualizado às 10:42

A alternância de convivência entre os genitores, de forma igualitária, ou nos dizeres da ministra Nancy Andrigui, a alternância de lares é a efetiva expressão de guarda compartilhada. “A ausência de compartilhamento da custódia física esvazia o processo, dando à criança visão unilateral da vida, dos valores aplicáveis, das regras de conduta e todas as demais facetas do aprendizado social”, afirmou a ministra, traz aos alimentantes o direito de não pagar mais pensão?

Tem aparecido muitos casos como este por aqui. Pais ingressando com ação para aumentar e equiparar a sua convivência com a da mãe e ato contínuo ingressam com ação de EXONERAÇÃO DE ALIMENTOS.

Os Tribunais vêm decidindo, na sua maioria que, o aumento da convivência do pai, equiparando-se a da mãe não dá o direito ao não pagamento da pensão. Mas sim que ambos rateiem as despesas dos filhos, sempre respeitado o trinômio necessidade x possibilidade x razoabilidade.

Mas o pedido de aumento de convivência não pode ser um subterfúgio para não pagamento de pensão e é a isto que precisamos estar atentos.

Este é o primeiro ponto a ser discutido e existe um segundo e não menos importante: a alternância de lares é bom para a prole? Outro dia li algo bem interessante: são duas casas, dois ritmos, duas regras, e a mochila que indo e vindo parece pequena pode se tornar grande demais quando o brinquedo da casa do pai não pôde ir para a casa da mãe e vice e versa, e como se soasse para a criança o não pertencimento em nenhum lugar.

Eu acho que, quando eles crescem, viram adolescentes, acho que a partir dos 10 anos, eles começam a entender a dinâmica e aprender a desfrutar o que tem de melhor em cada casa e em cada convivência e isto então passa a ser u ganho para eles e um certo alivio para os pais.

Depois e, por fim, ainda com o tema convivência/guarda, ando cada vez mais convencida que, pais que não se entendem com o mínimo (estabelecer dias, rotina, agendas) não conseguem se entender no grande e o filho acaba sendo uma moeda de barganha para curar magoas, feridas ou até massagear egos adultos.

Este tema merece um olhar atento dos advogados para que, quando houver litigio tentar frear os ânimos e sugerir composições amigáveis, ou, caso contrário, saber colocar limites nos egos adultos para desenhar um melhor cenário para aquela nova família parental.

Ana Carolina Vilela Guimarães Paione

VIP Ana Carolina Vilela Guimarães Paione

Advogada com especialização em direito de família e processo penal, Membro da Comissão de Familia e Sucessões da OAB Santo Amaro, Membro da Comissão de Adoção da OAB Santo Amaro, Professora da ESA.

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