Liderar com sensibilidade: Quando o Direito encontra a força das mulheres
Liderança feminina no Direito é uma construção diária. Ser mulher e mãe amplia a visão sobre liderança, transformando desafios em legado.
segunda-feira, 16 de março de 2026
Atualizado em 13 de março de 2026 14:38
Liderar pessoas nunca é apenas uma função. Para mim, tornou-se também um compromisso humano. Hoje conduzo o time mais numeroso do escritório do qual sou sócia, em uma profissão que historicamente foi construída sob bases predominantemente masculinas. O Direito, por muito tempo, foi um espaço em que as vozes femininas precisaram disputar lugar, autoridade e reconhecimento. E, de certa forma, ainda é.
Mas a história que vivemos dentro do nosso escritório mostra que paradigmas podem (e devem) ser quebrados.Temos um quadro majoritariamente feminino e, mais do que isso, mulheres ocupando espaços estratégicos, de decisão e liderança. Esse cenário não é fruto do acaso. Ele nasce de uma cultura que reconhece a competência e entende que diversidade de perspectivas fortalece qualquer organização.
Minha própria trajetória nunca foi marcada por privilégios. Cada espaço que ocupo hoje foi conquistado passo a passo, com estudo, disciplina e, sobretudo, confiança construída ao longo do tempo. Foi uma construção silenciosa, feita de aprendizado, de inseguranças superadas e de confiança adquirida ao longo da caminhada. Cada etapa vencida ampliava um pouco mais a certeza de que eu também podia ocupar espaços de decisão.
Sempre acreditei que o saber liberta. Foi ele que me trouxe até aqui. Mas foi a maternidade que transformou a maneira como eu compreendo a liderança.Ser mãe ampliou minha sensibilidade e me ensinou algo que nenhuma formação técnica seria capaz de transmitir com tanta profundidade: gerir pessoas não é apenas coordenar tarefas ou cobrar resultados. Gerir pessoas é lidar com histórias, expectativas, inseguranças e sonhos. É, de certa forma, tocar corações e almas, tal qual dizia Carl Jung.
Quando lideramos uma equipe, lidamos diariamente com indivíduos que estão construindo suas próprias trajetórias. Alguns ainda inseguros, outros buscando reconhecimento, muitos tentando descobrir qual é o seu propósito dentro da profissão. E é nesse ponto que percebo que meu papel vai além da técnica jurídica.
Claro, ensinar o Direito, orientar estratégias e desenvolver habilidades profissionais fazem parte da minha função. Mas existe também uma dimensão quase social nessa posição de liderança. Existe o dever de abrir caminhos.
Hoje entendo que minha responsabilidade é ajudar outras pessoas, especialmente outras mulheres, a encontrarem espaço, voz e confiança dentro da profissão. Se a minha caminhada foi difícil em determinados momentos, não significa que a delas também precise ser. Afinal, nossa voz precisa ecoar.
Cada mulher que cresce profissionalmente dentro da equipe representa não apenas um avanço individual, mas também uma transformação coletiva. Significa que estamos criando ambientes mais justos, mais diversos e mais humanos.
A liderança, para mim, deixou de ser apenas uma posição hierárquica. Tornou-se um lugar de construção. Um espaço onde se ensina técnica, mas também se inspira coragem. Onde se orienta carreira, mas também se estimula propósito.
Equilibrar tudo isso com as atribuições que naturalmente acompanham o ser mulher e mãe, nem sempre é simples. Existem dias intensos, agendas desafiadoras e escolhas constantes. Ainda assim, é justamente essa multiplicidade de papéis que fortalece minha forma de liderar.
Porque ser mulher, ser mãe e ser líder não são identidades que competem entre si. São experiências que se complementam e ampliam a forma como enxergo o mundo e as pessoas.
No fim, liderar não é apenas conduzir uma equipe. É construir caminhos para que outros também possam chegar. Afinal, quando o sucesso deixa de ser apenas individual, ele se transforma em legado. E é isso que quero deixar aos meus.
Bruna Brito
Advogada, sócia do escritório André Menescal Advogados e head de Saúde Suplementar.


