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Evolução legal: Jornada viva da datilografia à inteligência artificial

Da datilografia à IA: a jornada de um jurista 50+. Una resiliência e a ética de 'Magnifica Humanitas' para humanizar a Justiça. O futuro do Direito com sabedoria e inovação. Explore esta evolução!

terça-feira, 16 de junho de 2026

Atualizado às 13:44

A evolução da comunicação jurídica: Uma jornada viva da datilografia à IA

Introdução

A comunicação é o cerne da prática jurídica. Como autor deste artigo e profissional com 51 anos de idade, não sou apenas um espectador da história, mas um participante ativo de uma transformação que continuo a viver e protagonizar diariamente. Minha trajetória reflete a transição de um Direito analógico para uma era de alta tecnologia, onde a senioridade, a resiliência e a sede de conhecimento se fundem para garantir que a inovação tecnológica nunca perca sua essência humana.

 Contexto histórico: A linha do tempo da inovação legal

Para compreendermos o presente, é preciso reconhecer as eras que atravessamos. Cada ciclo não mudou apenas a ferramenta, mas a própria velocidade e natureza da resposta judicial:

Era

Tecnologia Dominante

Impacto na Comunicação

O Papel do Profissional

Analógica

Escrita manual e Datilografia.

Comunicação lenta, física e pautada pela liturgia do papel.

Guardião do formalismo e da precisão mecânica.

Conectada

Internet e Processo Eletrônico.

Fim das distâncias físicas; consulta e peticionamento em tempo real.

Migração do suporte físico para o fluxo digital.

Inteligente

IA Generativa e Visual Law.

Comunicação baseada em dados, predição e clareza visual.

O Estrategista Ético e Curador de Dados.

O imperativo ético: A encíclica Magnifica Humanitas

A evolução tecnológica atingiu seu ponto mais crítico, exigindo uma bússola moral robusta que apenas a sabedoria humana pode prover. Em 25/5/26, o Papa Leão XIV publicou a Encíclica Magnifica Humanitas, um marco no pensamento contemporâneo sobre a revolução digital. O documento aborda os desafios da Inteligência Artificial à luz da dignidade humana, introduzindo o conceito fundamental da "algorética". Segundo o pontífice:

"A IA deve ser um reflexo da 'Magnífica Humanidade', servindo para ampliar nossas capacidades de justiça e solidariedade, sem jamais substituir o discernimento moral que é próprio e exclusivo do ser humano."

Esta visão ressoa com o jurista experiente: a máquina pode processar códigos em frações de segundo, mas apenas o coração e a sabedoria humana podem aplicar a verdadeira equidade.

Desenvolvimento: Os pilares de uma transformação viva

1. O ponto de partida: A resistência da datilografia

Iniciei minha carreira quando a precisão era um exercício físico. A era da datilografia não permitia o "Ctrl+Z"; um erro em uma petição complexa exigia paciência e técnica. Essa fase me ensinou o valor do rigor e da revisão cuidadosa competências que, hoje, aplico com responsabilidade ao revisar um texto gerado por Inteligência Artificial. A resistência das teclas de ferro forjou a disciplina necessária para direcionar os algoritmos de hoje.

2. A quebra de paradigmas: A internet e o processo digital

Vivi a transição para o Processo Eletrônico no Brasil. Para muitos, a troca do papel pelo código foi traumática. Para mim, foi o despertar da agilidade. Entendi que o Direito não poderia mais ser uma ilha isolada da revolução digital. Deixei para trás os carimbos de protocolo para dominar os tokens de assinatura digital, sempre buscando a vanguarda e compreendendo que a celeridade é, também, uma forma essencial de garantir Justiça.

3. O presente exponencial: IA e a linguagem visual

Hoje, continuo imerso na revolução da IA. Não a vejo como uma ameaça, mas como a evolução final (até agora) daquela antiga máquina de escrever. Ao adotar ferramentas de IA e Visual Law, percebo que a tecnologia nos permite retornar à essência: comunicar o Direito de forma que o magistrado e o cliente compreendam com clareza e rapidez, humanizando a justiça através da clareza visual.

4. O protagonismo 50+: Conhecimento e resiliência

As características de engajamento e curiosidade tecnológica são fundamentais para os profissionais 50+. Temos a nosso favor dois pilares que as máquinas e os iniciantes ainda buscam consolidar:

  • Conhecimento sistêmico: A profundidade técnica acumulada em décadas de prática, que permite supervisionar a tecnologia com autoridade.
  • Resiliência histórica: A capacidade de atravessar mudanças de paradigma sem perder o equilíbrio ético. Esta resiliência é o nosso maior ativo nos dias atuais, garantindo que o "novo" seja sempre construído sobre bases sólidas de Justiça.

Conclusão

A transformação da comunicação jurídica é um estado de evolução constante que escolho viver todos os dias. Como profissional 50+, entendo que nossa missão é liderar essa transição, provando que o conhecimento acumulado e a resiliência são as âncoras necessárias em um mar de inovações disruptivas. Unindo a senioridade à sede tecnológica, garantimos que o Direito seja um reflexo da "Magnífica Humanidade", onde a técnica serve, incondicionalmente, à dignidade humana.

 ________

1 PAPA LEÃO XIV. Encíclica Magnifica Humanitas: Sobre a ética da Inteligência Artificial e a dignidade humana na era digital. Vaticano, 25 maio 2026.

2 BRASIL. Lei nº 11.419, de 19 de dezembro de 2006. Dispõe sobre a informatização do processo judicial.

3 CNJ. Justiça 4.0: Inovação e tecnologias disruptivas no Judiciário. Disponível em: https://www.cnj.jus.br.

4 IDP. A Influência da Tecnologia e da Inteligência Artificial no Direito. Disponível em: https://direito.idp.edu.br.

Francisco Leandro de Braga

VIP Francisco Leandro de Braga

Graduado em Direito pela Universidade de Guarulhos e pós-graduado em Processo Civil pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Advogado com mais de 15 anos de atuação no setor financeiro.