domingo, 20 de setembro de 2020

MIGALHAS DE PESO

Novas Estratégias para Conseguir Emprego

Estar na condição de desempregado significa experimentar situações de violenta tensão e exclusão, as quais têm um impacto relevante sobre toda a estrutura do ser e sua relação com a realidade. Envolve desde o sistema pessoal de crenças do indivíduo, até suas relações valorativas consigo próprio, com a sociedade, a economia e os círculos familiares.


Novas Estratégias para Conseguir Emprego

Luís Sérgio Lico*

Estar na condição de desempregado significa experimentar situações de violenta tensão e exclusão, as quais têm um impacto relevante sobre toda a estrutura do ser e sua relação com a realidade. Envolve desde o sistema pessoal de crenças do indivíduo, até suas relações valorativas consigo próprio, com a sociedade, a economia e os círculos familiares.

Para facilitar a divisão, diremos que no mínimo temos que lidar com três instâncias naturais e, pelo menos, duas esferas transcendentes aos processos da matéria. O que nos é naturalmente dado são os seis sentidos corporais, uma civilização que é regida pelo tempo, espaço, história, cultura e um lugar no ecossistema planetário com direito a todos os instintos. Internamente possuímos o sentimento, a memória, a intuição, a consciência e, mesmo que alguns discordem, até uma alma. Na prática diária, temos também uma relação com o "mercado".

Sob pressão, constante, de todos estes mecanismos e inter-relações em todos os níveis equivale a ter uma carga dramática de significados, escolhas, ações e decisões que se tem que tomar, pesando sobre o ombro a cada passo dado. Errar significa, ao senso comum mais que a desonra, significa a continuidade da privação e toda sua coorte de problemas. Desconhecer ou desprezar as complexas relações entre todas as instâncias que compõe o homem, em função de um perfil é reduzi-lo a uma insignificância. No entanto é assim que a cidadania se esvai: na planilha que determina o arrebanhamento; na oferta do salário aviltante, na ameaça de cortes.

Suas emoções, atitudes, pensamentos e comportamentos não somente são frutos da escolha pessoal, mas deste atrito e sinergia entre todos os fatores envolvidos. No mecanismo acima descrito ainda se insere a etiqueta social determinando um protocolo de atitudes, os perfis profissionais exigindo competências, os jornais e revistas estampando procedimentos, especialistas inventando necessidades, as empresas clamando por excelência e exigindo retorno. Não basta mais saber, se comprometer ou produzir: é preciso superar desafios sob a ilusão de um futuro de sucesso e prosperidade. É preciso traduzir os signos do trabalho.

No entanto, o que se vê, quando se está em situações de transição de carreira é um passeio pelo labirinto áspero e misterioso dos subsistemas de Recursos Humanos e dos paradigmas-minuto. Nada é o que parece ser ou o que disseram a você. Justamente neste encalço, formou-se um verdadeiro nicho de mercado, onde várias empresas garantem seu faturamento ao predisporem-se a intermediar a comunicação das competências. Eles se fazem de ponte entre o trabalhador e a dignidade do trabalho. Mas a materialidade do mercado e "formadores de opinião" tem criado exigências impossíveis e situações de alto estresse, nos sistemas de seleção. É claro que, como ninguém os compreende se cobra pela tradução do que é oculto e pela preparação aos caminhos do emprego e da prosperidade. Mas, pode ser uma armadilha para explorar a angústia de quem teme ser lançado no caldeirão da invisibilidade.

Tudo se passa em uma tridimensionalidade escalar vista como queda: O profissional que desaba em desempregado perde mais que o emprego, perde uma máscara vital de trágica essencialidade trans-histórica e, por definição alguns traços de sua individualidade. Do profissional ao desempregado e daí ao candidato, opera-se esta descaracterização, esta "morte do sujeito", agora capital humano, passa a ser validado e analisado por padrões utilitários e competenciais visando exclusivamente o preenchimento de um dado perfil ou modelo estratégico, cuja mudança e volatilidade são vertiginosas. Precisamos ter cuidado com as armadilhas ocultas nos discursos de mercado. Cuidado com os modernos escribas e fariseus. Os criadores de mitos corporativos apostam sempre em delimitar instâncias negativas: Sempre tem em mente algum novo "gap" de competências, nunca de apoio e reconhecimento.

Excelência humana e atuação responsável como novo paradigma precisam ser considerados como a pedra de toque de um futuro mais consciente. Trata-se de uma estratégia vencedora. Somente assim será possível conter a escalada das métricas aviltantes e recolocarmos a capacidade, respeito e meritocracia como fatores fundantes da excelência e desempenho. Para a gestão que aposta neste discurso, os resultados são tão líquidos quanto certos: Retorno, comprometimento e rentabilidade a níveis jamais conhecidos.

O que precisamos para isso é aumentar a capacidade de investimento em pessoas ao invés de reclamarmos da falta de qualificação. Numa verdadeira ditadura de perfis e indicadores, sobra muito pouco para adequar uma grande população às demandas do desenvolvimento. Ninguém se recoloca sozinho, portanto é preciso escolher adequadamente as ferramentas e os parceiros que auxiliarão nesta empreitada. Da mesma maneira, poucos "colaboradores" batem recordes de desempenho quando estão sujeitos apenas a metas estáticas e cada vez mais inatingíveis.

Sempre penso que é melhor criar condições para distribuir emprego, através de uma correta definição de competências e perfis menos excludentes. E manter talentos não significa nada mais do que a conseqüência natural de formá-los. Acredito que ao eliminarmos as barreiras que impedem estes acessos é melhor e menos custoso, política e financeiramente do que postar soldados nas avenidas. Posso estar errado!

_______________


*Filósofo e Conferencista. Especialista em Treinamentos, Palestras & Workshops de Alto Impacto Motivacional.






_______________

Atualizado em: 1/1/1900 12:00

Compartilhar

AUTORES MIGALHAS

Busque pelo nome ou parte do nome do autor para encontrar publicações no Portal Migalhas.

Busca

É Autor Migalhas? Faça seu login aqui

AUTORES MIGALHAS

Daniel Zaclis

Daniel Zaclis

Migalheiro desde 2019

Evandro Fabiani Capano

Evandro Fabiani Capano

Migalheiro desde 2019

Leonardo Passafaro

Leonardo Passafaro

Migalheiro desde 2007

Ricardo Nole

Ricardo Nole

Migalheiro desde 2019

Eliette Tranjan

Eliette Tranjan

Migalheira desde 2019

Daniela Teixeira

Daniela Teixeira

Migalheira desde 2013