terça-feira, 22 de setembro de 2020

MIGALHAS DE PESO

O Brasil fica mais pobre e a Amazonas mais esquecida com a morte de Jefferson Péres

Todos os democratas e os entusiastas da política da honradez e da coerência estão de luto e ainda a lamentar profundamente a morte do eminente senador pedetista Jefferson Péres (PDT-AM).


O Brasil fica mais pobre e a Amazonas mais esquecida com a morte de Jefferson Péres

José Cícero da Silva*

Todos os democratas e os entusiastas da política da honradez e da coerência estão de luto e ainda a lamentar profundamente a morte do eminente senador pedetista Jefferson Péres (PDT/AM). Num momento crítico por que passam as instituições políticas do país o desenlace do senador amazonense constitui um grande vazio que ora se aprofunda na face da já capenga esperança da sociedade brasileira em relação à postura assumida por boa parte dos que se dizem representantes do povo.

Diante do atual bastião de falcatrua e corrupção em que se transformou (com raras exceções) o centro do poder e sua periferia, os brasileiros viam no professor e advogado, filho do Amazonas, uma verdadeira trincheira de luta em defesa da ética e da verdade.

Inteligente e de posições fortes era quase um radical quando o que estava em jogo era a verdade, a ética e moral. Por tudo isso, Jefferson Péres era um dos últimos remanescentes do velho 'calibre' brizolista de fazer política. Quase um estranho, um alienígena no mar de diferença e casuísmo em que se transformou a metodologia da política brasileira. Mas ele resistiu com bravura de sobra. Foi por tudo isso um exemplo no Senado Federal. De modo que todos os seus pares de direita ou de esquerda, o tinham como uma verdadeira bússola política na tempestade das vacilações. O que ele fazia cotidianamente com a argamassa da verdade e da coerência. Oportunismo e interesses particulares nunca fizeram parte do seu vernáculo e tampouco da sua prática no Congresso Nacional. Era um homem afirmativo e de posições graníticas. Nunca se encantou com o canto de sereia do poder palaciano, conseguindo dessa maneira elogiável manter-se livre e, inteiramente à vontade para criticar desde FHC a Lula e dos os seus asseclas.

Mesmo com o seu partido (PDT) fazendo parte da base de apoio do Governo, Peres sempre se comportou e se posicionou de uma forma altiva, audaz, combatente, respeitosa e coerente em relação ao executivo. Ao lado do Pedro Simon formava a dupla de maior respeitabilidade do Senado dos últimos anos, não somente pela idade quase provecta, porém pelo nível do debate que travava em defesa do Brasil e da Amazônia. Dias antes de morrer criticou na tribuna o presidente Lula pela saída de Marina Silva do Ministério do Meio Ambiente, bem como na defesa intransigente da sua região e da biodiversidade.

Quando grandes homens como Peres morrem o Brasil fica cada vez mais pobre e quase sem nenhuma expectativa, posto que não se vislumbra no horizonte político atual quase nenhuma luz no fim do túnel quando o assunto é substituição a altura. Mas ele se manterá vivo na memória de muitos brasileiros que ainda não perderam a capacidade de sonhar ante os exemplos concretos e incisivos pelos quais viveu, lutou e morreu. Se ele conseguiu viver em meio as suas utopias de acreditar que um outro país é possível... vivamos então a mesma utopia que o animou e fê-lo se doar tanto na busca e na construção de um Brasil diferente, justo, solidário para o seu povo.

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*Professor, escritor, pesquisador, poeta e editor da Revista Aurora





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Atualizado em: 1/1/1900 12:00

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