Migalhas

Quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

ISSN 1983-392X

Brasil Olímpico

Marcos Morita

A escolha do Rio de Janeiro como sede da Olimpíada de 2016 foi demorada, dramática, sofrida. Como em uma competição de judô, éramos pesos leves lutando contra pesos pesados. Do outro lado do tatame, países desenvolvidos, ricos e com tradições olímpicas.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009


Brasil Olímpico

Marcos Morita*

A escolha do Rio de Janeiro como sede da Olimpíada de 2016 foi demorada, dramática, sofrida. Como em uma competição de judô, éramos pesos leves lutando contra pesos pesados. Do outro lado do tatame, países desenvolvidos, ricos e com tradições olímpicas.

Conseguimos derrubar um a um. Chicago foi o primeiro a cair, logo depois, Tóquio. A grande final com Madri foi cheia de suspense. O som do envelope se abrindo, foi como uma cesta de três pontos no último segundo.

A realização dos jogos, apenas dois anos depois da Copa, trará oportunidades incríveis para o país. Junto com elas uma dose imensa de responsabilidade. Badminton, hóquei na grama e softbol são esportes pouco conhecidos por aqui. Assim como somos para grande parte dos turistas que para cá virão pela primeira vez.

Aeroportos, portos, estradas, estádios, Metrôs, hotéis e malhas viárias que há tanto tempo estão nos sonhos dos moradores das grandes metrópoles, poderão enfim sair do papel. Tudo tem que estar pronto antes do apito inicial.

Há tempo suficiente para um bom planejamento estratégico. Elaborar um plano de ação consistente, com objetivos claros, atingíveis e mensuráveis fará com que o jogo possa ser decidido sem a necessidade do quinto set, quando tudo fica mais dramático.

O Brasil tem agora uma maratona a cumprir. São 42.195 metros que devem ser percorridos com persistência e disciplina. Imprevistos acontecem, haja vista o ocorrido com Vanderlei Cordeiro de Lima em Atenas, quando um padre irlandês o fez perder a eminente medalha de ouro.

Temos que aprender com nossos erros, evitando repetir o caso do sistema de segurança dos jogos panamericanos. Comprado às pressas, seu custo foi 163 vezes acima do previsto. Falta de planejamento puro. É difícil imaginar o iatista Torben Grael encomendando um barco em cima da hora.

Bons exemplos existem na esfera governamental. Estados como São Paulo, Minas e Pernambuco preocupam-se em gerir seus recursos de maneira eficiente, através de parcerias com entidades privadas. Como num revezamento 4x100, a soma dos esforços entre os setores poderá fazer a diferença.

Em todos os esportes, não se pode deixar que o adversário descubra sua estratégia. Para 2014 e 2016, sabê-las será fundamental. Conhecer, acompanhar e controlar em detalhes o andamento dos preparativos será de extrema importância, tanto para a mídia quanto para a população. Tecnologia já há.

Para encantar os visitantes, infraestrutura apenas não bastará. As lembranças que se levam são muitas vezes intangíveis. Um sorriso, um atendimento cordial ou a resolução de uma situação inusitada. Pouco tem se falado sobre a qualidade dos serviços oferecidos, os quais estão em muitos casos, aquém do que recebem em seus países de origem.

Criar um padrão de atendimento verde e amarelo deve ser parte das metas para os próximos anos. As diferenças regionais que valorizamos - a calma do baiano, a hospitalidade do mineiro, a pressa do paulista, podem não ser bem compreendidas para quem está acostumado a um serviço mais padronizado.

A consagração viria através de um hexa em 2014, assim como da já conhecida geração do vôlei de ouro, da sempre promessa seleção olímpica, das medalhas quase garantidas do iatismo, vela, judô e vôlei de praia. E quem sabe outros Cielos também possam aparecer. Tempo para isso não falta.

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*Mestre em administração de empresas e professor das disciplinas de planejamento estratégico e gestão de serviços na Universidade Presbiteriana Mackenzie





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