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José Mindlin, o maior colecionador de livros do Brasil, morre aos 95 anos

Da Redação

segunda-feira, 1 de março de 2010

Atualizado às 07:59


Falecimento

José Mindlin, o maior colecionador de livros do Brasil, morre aos 95 anos

Faleceu ontem, 28/2, aos 95 anos, José Ephim Mindlin, um dos maiores colecionadores de livros do país.

Filho do dentista Ephim Mindlin e de Fanny Mindlin, formou-se em Direito pelas Arcadas (Turma de 1936). Advogou por alguns anos e foi um dos fundadores da AASP, associação da qual foi conselheiro de 1943 a 1955. Mindlin deixou a advocacia para fundar a empresa Metal Leve, que mais tarde se tornou uma potência nacional no setor de peças para automóveis. José Mindlin deixou a empresa em 1996.

Após sua aposentadoria do mundo empresarial, Mindlin pôde dedicar-se integralmente a uma paixão que tinha desde os treze anos de idade : colecionar livros raros. Ao completar 95 anos de idade, acumulava um acervo de aproximadamente 40 mil volumes, incluindo obras de literatura brasileira e portuguesa, relatos de viajantes, manuscritos históricos e literários (originais e provas tipográficas), periódicos, livros científicos e didáticos, iconografia e livros de artistas (gravuras).

Em 2005, ele doou sua biblioteca, a maior coleção particular de livros do Brasil, para a USP, transformando-a na a biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin.

Em 20 de junho de 2006, Mindlin foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras, onde passou a ocupar a cadeira número 29, sucedendo a Josué Montello.

Viúvo, o empresário deixa quatro filhos, 12 netos e 12 bisnetos.

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Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin

A Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin - BBM (clique aqui), órgão da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da USP, foi criada em janeiro de 2005 para abrigar e integrar a brasiliana reunida ao longo de 80 anos pelo bibliófilo José Mindlin e doada por ele, sua esposa Guita e seus filhos à USP.

Com seu expressivo conjunto de livros e manuscritos, a Biblioteca Mindlin é considerada a mais importante coleção do gênero formada por um particular. São aproximadamente 17 mil títulos (ou 40 mil volumes): obras da literatura brasileira e portuguesa, relatos de viajantes, manuscritos históricos e literários (originais e provas tipográficas), periódicos, livros científicos e didáticos, iconografia (estampas e álbuns ilustrados) e livros de artistas (gravuras). Parte do acervo doado pertencia ao bibliófilo Rubens Borba de Moraes. Após sua morte, esse material foi guardado por Guita e José Mindlin. Trata-se de uma biblioteca cuja notória brasiliana tornou-se conhecida no país e no exterior como uma coleção única, obra de uma vida de dedicação à cultura brasileira e suas manifestações.

A BBM será instalada no coração da Cidade Universitária, entre os edifícios da Reitoria e da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). A sua sede, atualmente em construção, foi desenvolvida pelos escritórios Eduardo de Almeida e Rodrigo Mindlin Loeb, com a assessoria da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU-USP). Tomaram-se como paradigma as mais conceituadas bibliotecas americanas, tais como Beineke Library da Universidade de Yale, Morgan Library, New York Public Library e Library of Congress, bem como a Bibliothèque Nationale de France.

Além de abrigar o acervo da BBM e suas atividades regulares de pesquisa, ensino e extensão, o novo edifício será a sede da Biblioteca Brasiliana Digital (oferta digital do acervo Mindlin e de outros acervos da USP), do Centro Guita Mindlin (centro de conservação e restauro do livro e do papel) e do Centro de Estudos do Livro (dedicado à história e estudo da imprensa, do livro e das práticas da leitura).

Endereço :

Praça da Reitoria, s/n l Cidade Universitária l 05508-030 l São Paulo l SP
tel.: (11) 3091-1154 / 1980

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Fonte : Universidade de São Paulo

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Biografia

Quinto ocupante da cadeira 29, eleito em 20 de junho de 2006, na sucessão de Josué Montello, e recebido em 10 de outubro de 2006 pelo Acadêmico Alberto da Costa e Silva.

José Ephim Mindlin nasceu em São Paulo em 8 de setembro de 1914. Formou-se em Direito em 1936, pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Foi redator do O Estado de S. Paulo de 1930 a 1934. Advogou até 1950, quando foi um dos fundadores e presidente da empresa Metal Leve S/A, empresa pioneira em pesquisa e desenvolvimento tecnológico próprio no seu campo de atuação. Em sua atividade empresarial desenvolveu grande esforço em prol do avanço tecnológico brasileiro e no processo de exportação de produtos manufaturados brasileiros.

De interesses muito diversificados, tanto no campo cultural, como da educação, da economia, da política (não partidária), da ciência e da vida empresarial, vem atuando há muitos anos em todos esses setores e fazendo parte de numerosos Conselhos e entidades, no Brasil e no exterior. Foi membro do Conselho Superior da Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) de 1973 a 1974; de 1975 a 1976, diretor do Conselho de Tecnologia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) e Secretário da Cultura, Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo, quando estruturou a carreira de pesquisador. Foi um dos fundadores da UNIEMP, entidade destinada a promover a aproximação entre a Universidade e a Empresa, e da qual atualmente é Presidente Honorário. Fez parte do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia – CNPq, do Instituto de Pesquisa Tecnológica, e da Comissão Nacional de Tecnologia da Presidência da República. Foi durante muitos anos Vice-presidente da FIESP, tendo sido Diretor Titular do Departamento de Comércio Exterior e do Departamento de Tecnologia. Foi também membro do Conselho Internacional da FIAT, do Conselho Internacional do Unibanco e do Conselho do Banco de Montreal.

É membro colaborador da Academia Brasileira de Ciências e membro do Conselho de vários museus brasileiros, como o Museu de Arte Sacra de São Paulo, o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, o Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM) e o Museu Lasar Segall; membro honorário do Conselho Internacional do Museu de Arte Moderna de Nova York. É presidente da Fundação Crespi Prado, membro do Conselho da Sociedade Amigos da Biblioteca Nacional e da Casa de Cultura de Israel, presidente da Sociedade de Cultura Artística de São Paulo e membro do Conselho da Vitae – Apoio à Cultura, Educação e Programas Sociais. É membro emérito da Diretoria da John Carter Brown Library, de Providence, R.I., dos Estados Unidos, uma das principais bibliotecas do mundo de livros raros sobre as Américas, e da Associação Internacional de Bibliófilos, com sede em Paris. É presidente do Conselho da Aliança Francesa de São Paulo e do Conselho Editorial EDUSP (Editora da Universidade de São Paulo).

Recebeu o título de Professor Honorário da Escola de Administração de Empresas de São Paulo, da Fundação Getulio Vargas, e o título de Doutor Honoris Causa em Letras pela Brown University, de Providence, R.I., nos Estados Unidos, pela Universidade de Brasília, Universidade da Bahia, Universidade de Tocantins e Universidade de São Paulo. É membro honorário do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, sócio correspondente do Instituto Histórico e Geográfico de Pernambuco e da Academia de Letras da Bahia.

Recebeu o Prêmio Juca Pato como Intelectual do Ano de 1998. Tem recebido numerosos e variados prêmios e condecorações, no Brasil e no exterior, destacando-se em 2003 o Prêmio UNESCO Categoria Cultura e a Medalha do Conhecimento concedida pelo Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, com apoio do CNI e Sebrae Nacional, além do Prêmio João Ribeiro da Academia Brasileira de Letras. Eleito, em 1999, membro da Academia Paulista de Letras.

Foi casado com Guita Mindlin, nascida em 2 de agosto de 1916 e falecida em 25 de junho de 2006. Guita e José Mindlin tiveram quatro filhos: a antropóloga Betty, a designer Diana, o engenheiro Sérgio e a socióloga Sônia.

José e Guita compartilharam ao longo da vida a paixão pelos livros, que levou o casal a formar uma das mais importantes bibliotecas privadas do país, que Mindlin começou a formar aos 13 anos e chegou a ter 38 mil títulos. Em maio de 2006, o casal fez a doação de cerca de 15 mil obras da Biblioteca Brasiliana para a USP. No conjunto doado à USP, constam obras de literatura, história, sociologia, poesia. Dentre as raridades estão documentos do século XVI com as primeiras impressões que padres jesuítas tiveram do Brasil, jornais anteriores à Independência e manuscritos que resgatam a gênese literária de grandes obras, como Sagarana (de Guimarães Rosa) e Vidas Secas (de Graciliano Ramos).

José Mindlin promoveu edições de cerca de 40 livros e revistas de arte e literatura, e de bibliografia brasileira. Publicou numerosos artigos e fez inúmeras conferências no Brasil e no exterior, em associações e universidades, sobre todos os assuntos de que se tem ocupado. É o autor de Uma Vida entre Livros – Reencontros com o tempo e Memórias Esparsas de uma Biblioteca. Lançou em 1998 o CD O Prazer da Poesia.

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Fonte : Academia Brasileira de Letras

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