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Migalhas de Olavo Bilac

Olavo Bilac e a Língua Portuguesa

Conforme já comentado em outra de nossas colunas sobre o escritor Olavo Bilac, o poeta tornou-se muito popular como grande cultor do idioma, seja como prócere da ourivesaria parnasiana, seja como autor da célebre ode à nossa língua, o soneto Língua Portuguesa.

Da Redação

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Atualizado em 1 de dezembro de 2011 13:08

Migalhas de Olavo Bilac

Olavo Bilac e a Língua Portuguesa

Conforme já comentado em outra de nossas colunas sobre o escritor Olavo Bilac, o poeta tornou-se muito popular como grande cultor do idioma, seja como prócere da ourivesaria parnasiana, seja como autor da célebre ode à nossa língua, o soneto Língua Portuguesa.

Embora fossem diferentes o conteúdo e a forma dos discursos enunciados pelo poeta ("amigo da metrificação de Castilho") e pelo jornalista crítico, irônico, à beira do deboche, a quem cabia comentar assuntos que iam da invenção do cinematógrafo aos crimes passionais, era real para os dois o apreço à Língua Portuguesa.

Bilac acreditava verdadeiramente que a língua desempenhava importante papel na identidade de um povo:

"A instrução primária é a cellula mater da organização social. Só por meio da sua difusão é que poderemos evitar a morte da nossa nacionalidade; porque só a instrução primária pode conservar e expandir no país o uso da língua que os nossos avós nos legaram, – e o que constitui a nacionalidade é propriamente a língua nacional."

É nesse contexto que vai sintetizar, em poucas palavras, o significado do encontro que teve, no ano de 1900, com o escritor português Eça de Queirós.

Por essa ocasião, Eça já estava consagrado e já havia passado à fase madura de suas obras, em que mais do que denunciar e criticar a sociedade, buscava retratar e destacar os valores de sua pátria, neles incluídos a Língua Portuguesa:

"Mas a Pátria já não era então para ele "uma vasta choldra organizada em paz", povoada só de Basílios peraltas, de Acácios asneirões, de enfatuados Gouvarinhos e de ignóbeis Damasos. Já era mais alguma cousa, já era tudo: era o sacrário em que se guardavam as tradições da raça e da religião e, principalmente, onde se guardava esta fina e adorada relíquia, a doce língua de Bernardim Ribeiro."

E é nesse cenário também que apresentamos ao nosso leitor as Migalhas de Olavo Bilac.

Colhidas sobretudo em seus textos jornalísticos, mas também nas muitas conferências que apresentou e até mesmo em seus célebres poemas, as frases enfeixadas permitem entrever muito do universo vivido e retratado pelo artista da palavra que foi Olavo Bilac.

Conhecê-lo é aprendizado histórico – é da natureza do gênero crônica prestar-se ao registro do tempo em que foi escrita –, é alargar nosso conhecimento do uso de nossa língua, mas é também divertimento, que sua pena é bem-humorada, irônica, na melhor tradição voltairiana do ridendo castigat mores.

Em suas mãos, leitor fiel, as Migalhas de Olavo Bilac.

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