MIGALHAS QUENTES

  1. Home >
  2. Quentes >
  3. OAB/SP é contra PL que reconfigura a competência judicial no Estado
Investigação

OAB/SP é contra PL que reconfigura a competência judicial no Estado

A OAB/SP encaminha a todos os deputados estaduais ofício solicitando que o PLC 9/13 seja retirado da pauta da ALESP.

Da Redação

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Atualizado em 11 de junho de 2013 16:30

A OAB/SP encaminha a todos os deputados estaduais ofício assinado pelo seu presidente, Marcos da Costa, solicitando que o PLC 9/2013 seja retirado da pauta da ALESP. O projeto reconfigura a competência judicial no Estado sobre as execuções criminais e inquéritos policiais, retirando competência dos Juízos e criando departamentos Estaduais com varas regionais especializadas. A Ordem pede também que sobre o PLC não recaia pedido para tramitação de urgência, com a finalidade de permitir o aprofundamento das discussões.

Nas suas considerações sobre o PLC 9/2013, a OAB/SP aponta que se for centralizado o andamento dos inquéritos policiais em uma vara regional - a exemplo do acontece no DIPO hoje, que funciona na capital - haveria sérios inconvenientes. De acordo com o texto, "o juiz de Direito estaria, por vezes, a quilômetros de distância da ocorrência criminal, do preso provisório, das autoridades policiais, tudo no sentido de dificultar o célere desenvolvimento da prestação jurisdicional, ainda criando embaraços para as partes e seus advogados".

A OAB/SP chama a atenção também para o fato de que o projeto ainda retira competência do Legislativo para propor novas alterações na organização judicial estadual, podendo incorrer em vício de inconstitucionalidade (art. 5º, § 1º.c.c.19,VIII da Constituição do Estado de São Paulo).

O projeto também desloca a competência do juiz natural, a ser designado por provimento do Conselho Superior da Magistratura, a partir de indicação da presidência do TJ/SP e de seu corregedor-geral. O argumento da OAB/SP reforça que "a designação de juiz pela cúpula do Tribunal, em grande medida afeta a independência que teria o juiz natural por provimento do cargo conforme critérios estabelecidos em lei. O juiz designado, diferentemente do juiz natural – que está acobertado pela inamovibilidade e, portanto, livre para decidir unicamente por sua convicção e consciência –, poderá ser removido a qualquer tempo, o que indubitavelmente afeta a sua independência para eventualmente adotar decisões que conflitem com diretrizes estabelecidas pelo Tribunal de Justiça".

Segundo as justificativas da OAB/SP, o projeto também caminha em direção oposta à iniciativa anteriormente adotada de aproximar o Poder Judiciário dos estabelecimentos prisionais (156 unidades) e que permite ao juiz local ter maior envolvimento com as questões prisionais, os presos (200 mil) e seus familiares, membros do Ministério Público e advogados.

Audiência Pública

O advogado criminalista e secretário-geral adjunto da OAB/SP, Antonio Ruiz Filho, representou a OAB/SP na audiência pública realizada no último dia 5/6, pela Comissão de Constituição, Justiça e Redação da Assembleia Legislativa para debater o PLC 9/2013, apresentado pelo TJ/SP. Na ocasião, Ruiz Filho externou as considerações da OAB/SP sobre o projeto, ampliada no ofício encaminhado aos deputados.

Durante a audiência pública, inúmeras entidades ligadas ao Judiciário manifestaram-se contrárias ao PLC 9/2013 e reclamaram que um projeto de tal relevância seja discutido de afogadilho, sem amplo debate com todos os setores do Judiciário e com a sociedade. Manifestaram-se nesse sentido a desembargadora Kenarik Boujikian Felippe, da Associação Juízes pela Democracia; o representante do procurador-geral de Justiça, o promotor Alexandre Rocha Almeida de Moraes,

Felipe Locke Cavalcanti, presidente da Associação Paulista do Ministério Público (APMP); José Carlos Abissamra Filho, do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais, Rafael Português, da Associação Paulista dos Defensores Públicos, padre Valdir João Silveira, da Pastoral Carcerária e Carlos Alberto Marques, da Assojuris.

Vários deputados também firmaram posição contrária ao PLC 9/2013, caso de Adriano Diogo (PT) e Rodrigo Grilo (PT), que destacaram a desnecessidade de tramitação em regime de urgência. Além do TJ-SP, fez uso da palavra em defesa do projeto o secretário de Administração Penitenciária Lourival Gomes, afirmando que as varas de execução penal não conseguem dar conta da concessão para o regime semiaberto, que estaria sendo aguardado por mais de seis mil presos.

__________

Patrocínio

FREDERICO SOUZA HALABI HORTA MACIEL SOCIEDADE INDIVIDUAL DE ADVOCACIA

FREDERICO SOUZA HALABI HORTA MACIEL SOCIEDADE INDIVIDUAL DE ADVOCACIA

SPENASSATTO ADVOGADOS
SPENASSATTO ADVOGADOS

SPENASSATTO SOCIEDADE DE ADVOGADOS

GONSALVES DE RESENDE ADVOGADOS

ATENDIMENTO IMEDIATO