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Software auxilia no tratamento da Aids

Da Redação

terça-feira, 8 de novembro de 2005

Atualizado em 7 de novembro de 2005 10:27


Software auxilia no tratamento da Aids


Programa, baseado em simulações matemáticas, foi desenvolvido pelo matemático Marco Antonio Leonel Caetano, do IBMEC/SP, e pelo engenheiro e médico Takashi Yoneyama, do ITA.

Durante oito meses no ano de 2001, o matemático e professor do IBMEC/SP Marco Antonio Leonel Caetano leu os prontuários médicos do Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids do bairro de Vila Mariana, em São Paulo. Coletou dados sobre as variáveis que achava importantes para desenvolver, em parceria com o engenheiro e médico Takashi Yoneyama, do ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica), um programa computacional que auxiliasse no tratamento da Aids, quantificando os inconvenientes dos efeitos colaterais e terapêuticos.

O programa, simples e de fácil compreensão, exige que o clínico inclua dados como a quantidade em miligramas do medicamento ministrado ao paciente em questão, os valores dos exames para CD4 e carga viral, gerando um gráfico com o histórico dos valores dos índices de efeitos colaterais passados e o mais recente. Com base nos índices, o médico pode optar pela alteração da estratégia de tratamento.

Foram necessários oito anos para desenvolver o software, para o qual os pesquisadores usaram a técnica de simulação computacional, muito utilizada na área de ciências exatas para tentar repetir eventos naturais e explicar fatos e fenômenos com base em equações. Um conjunto de equações forma o que é conhecido como sistemas; estas equações se interligam e se conectam por meio de variáveis.

"No caso da Aids, a simulação computacional é muito mais complicada, pois a medicina (apesar dos avanços) ainda não conhece totalmente as variáveis, ou como elas se envolvem de forma a determinar de maneira precisa quando e como o sistema imunológico irá reagir à invasão viral. Além disso, estamos falando de sistemas de defesa que diferem até mesmo entre pessoas da mesma família", diz Marco Antonio Leonel Caetano, do IBMEC/SP.

Para ele, a dúvida é outro grande obstáculo para os especialistas em Aids. "Ela recai sobre as variáveis, as diferentes reações do organismo e até mesmo sobre o bem-estar dos pacientes. Muitas vezes, eles relatam estar bem, mas a carga viral é alta. Outros dizem não estar bem, mas o clínico escreve que as variáveis estão sob controle", afirma Caetano. "Nesse aspecto, voltamos os olhos para alguma forma de medição que não entrasse em conflito com a larga experiência clínica, mas que ajudasse a quantificar o que o paciente poderá estar sentindo com o tratamento em andamento."

Segundo Caetano, o uso do software pode ajudar a diminuir os efeitos indesejados no tratamento da Aids. "O coquetel anti-Aids requer que o paciente tome uma grande quantidade de medicamentos por dia, resultando em inúmeros efeitos colaterais e terapêuticos, como dores de cabeça, náusea, vômito, diarréias, dores prolongadas nas pernas, braços, problemas nos rins, fígado e pâncreas."

O trabalho de Caetano e Yoneyama sobre o índice para efeitos colaterais e terapêuticos no tratamento do Aids já foi tema de artigos em três revistas científicas, aceito em um congresso internacional de imunologia e apresentado em 21 outros congressos internacionais e nacionais das áreas de Saúde e Matemática.
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