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Quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

ISSN 1983-392X

Economia dinâmica atrai escritórios ao interior de SP

segunda-feira, 27 de março de 2006


Economia dinâmica atrai escritórios ao interior de SP


As grandes bancas de advocacia empresarial do Rio e de São Paulo estão se interiorizando. Primeiro, foram o paulistanos Demarest e Almeida Advogados, em Campinas e Ribeirão Preto, e Tozzini, Freire, Teixeira e Silva, em Campinas. Na semana passada, foi a vez de o carioca Veirano Advogados empatar o jogo a favor de Ribeirão e desbravar o Oeste Paulista. Os principais fatores de atração que têm puxado tradicionais escritórios de nome nacional são empresas do agronegócio, estrangeiras e usinas de álcool do interior paulista.


Apesar da tentação que é atender clientes numa área rica e onde circulam contratos vultosos, Adelmo Emerenciano, cuja banca - Emerenciano, Baggio e Associados - fez o caminho inverso, de Campinas para São Paulo, há dez anos, depois de cinco anos no interior, alerta que fora da capital a marca de um escritório não encanta os clientes, que valorizam a relação com o advogado conhecido. Ele lembra que, diferente do que ocorre em grandes companhias, quem "assina o cheque" no interior muitas vezes ainda é o dono da empresa. Esse público não está habituado a pagar por consultas feitas por telefone ou pelos gastos de celulares dos advogados, costume em alguns grandes escritórios.


Ronaldo Veirano reconhece a dificuldade de ultrapassar a barreira cultural do interior, mais conservador e apegado às relações pessoais, sendo portanto um lugar difícil para ganhar clientes que já trabalham com escritórios locais de grande porte, como Brasil Salomão. "Tem muito escritório lá, mas estão mais focados no dia-a-dia, e, quando há demanda por trabalhos jurídicos mais sofisticados, internacional, as pessoas já recorrem a escritórios de São Paulo", diz.


A banca chega à região levando "de volta" na bagagem já cinco clientes que atendia em São Paulo, pelo menos dois estrangeiros, nas áreas de defensivos agrícolas, geração e transmissão de energia, frigorífico, indústria de laticínios e uma metal-mecânica. "Devem surgir oportunidades junto a usineiros de açúcar e álcool e na área ambiental também", espera Veirano, que participou da aquisição recente da rede de supermercado local Gimenez por um fundo de investimento de São Paulo.


O advogado se diz animado com a inauguração, que contou com cerca de 150 pessoas, incluindo famílias donas de empresas da região - candidatas ao trabalho de planejamento de sucessão familiar do escritório - e representantes do Banco de Ribeirão Preto, com cujo advogado, Abraão Issa Neto, o Veirano já faz parceria e a quem pode se unir no futuro.


A importância da proximidade com a cultura local é tamanha que, para compor a nova unidade, o escritório carioca levou de volta profissionais nascidos na região, mas que trabalhavam no escritório da Marginal Pinheiros, em São Paulo.


A filial começa com três profissionais: dois advogados de Ribeirão Preto e uma de Mococa. Veirano conta que muitos dos funcionários do escritório de São Paulo são de Franca, Araraquara e cidades próximas e teriam interesse em "voltar a suas origens" trabalhando no novo escritório.


Emerenciano, de Campinas, diz que a estratégia das bancas nacionais de recrutar advogados dentro dos concorrentes regionais, ainda que desfalque as equipes levando bons profissionais, valoriza o "passe" de advogados e eleva os honorários no mercado local.


O sucesso dos grandes escritórios no interior fez o Demarest e Almeida, que chegou a Campinas e Ribeirão em 2001 por ocasião da incorporação do escritório local Azevedo Sodré, se mudar para instalações maiores e mais modernas no fim do ano passado em Ribeirão e em 2003 em Campinas. Hoje, são 25 advogados em Campinas (17 em 2001), e sete em Ribeirão, dois a mais que na inauguração.


Uma parte do segredo para crescer no interior é manter a "cara de escritório do advogado da família, do passado", avalia Edimara Wieczorek, sócia responsável pelas duas filiais do Demarest. Ela considera ultrapassada a aversão do cliente do interior a escritórios da capital. "As empresas daqui estão cada vez mais profissionalizadas e pedem escritórios maiores", diz. Edimara não fala em números de clientes, mas conta que o faturamento na região tem crescido ao ritmo de 20% ao ano. Os setores também são os mais diversos.


Mais recente no interior, o Tozzini Freire chegou a Campinas em 2004, apenas com o sócio Eduardo Correa Fazoli e um cliente da área de infra-estrutura. Fazoli é hoje responsável pela unidade de mais 20 advogados - apenas dois do escritório de São Paulo e o restante selecionado na região - e 40 empresas clientes de diversas áreas, sendo dois terços de multinacionais. Essa diversidade muda o perfil de empresas familiares do agronegócio que muitos escritórios esperam encontrar, diz. "O escritório de Campinas atende hoje a quase metade do Estado de São Paulo geograficamente", revela Fazoli.


Dos assuntos predominantes, 45% é da área societária, tributária e de contratos, o que, segundo ele, mostra como existe um mercado empresarial maduro no interior.
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Fonte: valoronline

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