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Sábado, 22 de fevereiro de 2020

ISSN 1983-392X

Abbas marca referendo para 26 de julho

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segunda-feira, 12 de junho de 2006


Referendo


Abbas marca referendo para 26 de julho


O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, anunciou neste sábado que marcou para 26 de julho um polêmico referendo para que a população se manifeste sobre um plano que reconhece implicitamente o direito de Israel existir.


Abbas tomou a decisão apesar dos pedidos do Hamas, grupo que lidera o governo palestino, para não realizar a consulta popular.


O presidente da AP havia dado até o final da semana para Hamas aceitar o plano - elaborado por prisioneiros palestinos - ou então marcaria uma data para o plebiscito. Abbas já adiou o prazo, mas desta vez ele já assinou um decreto determinando a data.


Um porta-voz do Hamas disse que a decisão de realizar o referendo é uma tentativa de "golpe de Estado", de acordo com informações da agência France Presse.


O anúncio ocorre horas depois de o Hamas romper uma trégua informal com Israel, disparando ataques ao sul do país, em resposta a uma onda de ataques israelenses em Gaza - sete pessoas morreram numa praia do território palestino na sexta-feira.


Disputa de poder


Abbas e os membros do Hamas estão em uma disputa de poder desde o início do ano, quando o grupo militante derrotou a facção de Abbas, o Fatah, em eleições parlamentares.


Ele quer que o Hamas ceda às pressões internacionais, reconhecendo o direito de Israel de existir e renunciando à violência.


O Hamas rejeita o plano dos prisioneiros, não aceita o direito de Israel em existir e afirma que o referendo é inconstitucional.


Tecnicamente, como presidente da Autoridade Palestina, Abbas pode destituir o governo do Hamas, mas, do ponto de vista político, ele sairia mais fortalecido com um resultado favorável no referendo.


Plano


O plano de 18 pontos foi elaborado por vários membros de facções palestinas presos por Israel.


Pelo plano um Estado palestino seria criado compreendendo toda a Cisjordânia e a Faixa de Gaza e a parte oriental de Jerusalém, nos limites anteriores a ocupação de 1967.


O documento também pede pela continuidade à resistência dentro de territórios ocupados por Israel em 1967, sugerindo que ataques dentro da área internacionalmente conhecida como Israel poderiam acabar.


Segundo uma autoridade palestina, a questão colocada aos palestinos será "Você concorda com o documento dos prisioneiros ou não?".


A facção Fatah, de Mahmoud Abbas, reconhece Israel, mas o Hamas quer oficialmente um estado islâmico em Israel, na Cisjordânia e na Faixa de Gaza.


Quebra da trégua


O anúncio do referendo também ocorre num momento em que aumentam as tensões entre palestinos e israelenses.


Membros do Hamas afirmaram ter rompido uma trégua informal de 16 meses neste sábado ao disparar foguetes contra a parte sul do território de Israel.


Os ataques, segundo o Hamas, foram feitos a partir de Gaza.


Um porta-voz disse que os ataques foram uma resposta à série de mortes ocorridas nos últimos dias, quando civis palestinos e membros do grupo foram mortos em ataques israelenses.


O Hamas havia dito na sexta-feira que iria romper o cessar-fogo unilateral determinado pelo grupo – embora Israel acuse o Hamas de ter dado apoio a outras organizações palestinas que mantiveram os ataques a alvos israelenses durante o período de trégua.


A decisão do grupo foi anunciada após dois dias de violência nos territórios palestinos. Na sexta-feira, pelo menos 11 pessoas, incluindo crianças e mulheres, morreram em dois ataques realizados por Israel.
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