MIGALHAS QUENTES

  1. Home >
  2. Quentes >
  3. Advogado aborda direito de resposta: “lei serve para repor a verdade”
Imprensa

Advogado aborda direito de resposta: “lei serve para repor a verdade”

André Marsiglia Santos trata do caso de Ana Paula Henkel e pontua que a intervenção do Judiciário nas redações deve ser excepcional.

Da Redação

segunda-feira, 26 de julho de 2021

Atualizado às 15:32

A lei do direito de resposta serve para apenas uma coisa: restabelecer a verdade. Assim afirma o advogado André Marsiglia Santos (Lourival J. Santos Advogados | L+ Speech/Press). Ele pontua que a legislação não serve para devolver a ofensa, tampouco criar debate ou suscitar o diálogo. Destaca, ainda, que a intervenção do Judiciário nas redações é extremamente agressiva e tem de ser excepcional. Assim, qualquer visão diferente a respeito dessa lei, afirma, é não só uma visão equivocada como autoritária, e deve ser revista imediatamente.

O advogado aborda caso de Ana Paula Henkel, ex-jogadora de vôlei, atleta olímpica e comentarista da rádio Jovem Pan, que perdeu uma ação de direito de resposta contra a Band e o apresentador Neto, do programa "Os Donos da Bola", mas ganhou uma ação semelhante, também de direito de resposta, contra a Globo.

Assista ao vídeo:

 

O causídico, que representou a Band no processo, destaca que o juízo do caso entendeu perfeitamente o espírito da lei, e destacou que casos de ofensa à honra, por exemplo, nada têm a ver com direito de resposta – é inclusive por isso que o legislador veda a possibilidade de que a parte reclame indenização dentro desta lei.

“[A lei] não serve para devolver a ofensa, para criar debate, para suscitar diálogo, não serve para palanque. A visão de que a lei, que o Judiciário pode proporcionar o debate, o outro lado, a versão dos fatos da outra parte, a partir da lei de deferimento de uma resposta, é uma visão absolutamente torta e autoritária. A intervenção do Judiciário, a força coercitiva, nas redações, no editorial, é algo extremamente agressivo e tem de ser excepcional.”

Entenda a polêmica

Em fevereiro deste ano, o comentarista Casagrande, da Rede Globo, disse que Ana Paula era "defensora dos violentos, dos antidemocráticos, das armas e de tudo que é ruim em nossa sociedade".

"Desculpas por ter posto no meio de vocês [atletas], e por muito tempo, uma pessoa intragável, prepotente, arrogante, defensora de armas, que se disfarçou de jogadora de vôlei."

Após a declaração, Ana Paula fez uma postagem em sua rede social:

"Prezado Casagrande, olhe para a sua vida e para um espelho. Eu sou o menor dos seus problemas, acredite. Tente me esquecer. Arrume o seu quarto primeiro, que há muitos anos está uma verdadeira bagunça, antes de querer 'consertar' o mundo."

Posteriormente à discussão, durante o programa "Os Donos da Bola", Neto saiu em defesa de Casagrande, motivo que ensejou a demanda judicial.

"Ana Paula, quando você brigou pelo vôlei? Quando você brigou para que o vôlei - com tudo o que aconteceu, diga-se de passagem, a roubalheira - fosse melhor? Quando você desenvolveu uma opinião para que o vôlei fosse melhor? Agora, você falar do Casagrande. Quem é você para falar do Casagrande?"

À Justiça, a ex-jogadora disse que Neto a atacou com inverdades e tentou transformá-la "de vítima em algoz". Por isso, sustentou ter direito de resposta. A Band, por sua vez, apresentou contestação e disse que o apresentador exerceu o seu direito de opinião. Na análise do caso, o juiz não acolheu os argumentos de Ana Paula.

"É, segundo ela mesma, seguida por mais de 800.000 pessoas na plataforma 'Twitter'. Ora, diante disso, o Juízo, talvez em sua parvoíce, não consegue entender por que a autora, valendo-se dos canais que já lhe são disponíveis, não rebateu as criticas que diz ter sofrido?"

No entendimento do magistrado, a ex-atleta poderia, de forma rápida, ter replicado os dizeres do apresentador da Band.

"Ademais, acaso a Autora tenha se sentido ofendida, o caminho a percorrer é outro que não a singela busca de direito de resposta."

Segundo o juiz, pode-se concordar ou não com o que Neto disse - "o que não se pode, é privá-lo de opinar". 

Veja a decisão.

Patrocínio

Patrocínio

FREDERICO SOUZA HALABI HORTA MACIEL SOCIEDADE INDIVIDUAL DE ADVOCACIA

FREDERICO SOUZA HALABI HORTA MACIEL SOCIEDADE INDIVIDUAL DE ADVOCACIA

ADRIANA MARTINS SOCIEDADE INDIVIDUAL DE ADVOCACIA
ADRIANA MARTINS SOCIEDADE INDIVIDUAL DE ADVOCACIA

Nosso escritório é formado por uma equipe de advogados especializados, nas áreas mais demandas do direito, como direito civil, trabalhista, previdenciário e família. Assim, produzimos serviços advocatícios e de consultoria jurídica de qualidade, com muito conhecimento técnico e jurídico. A...