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Resultado do sorteio da obra "Shakespeare e os Beatles - O Caminho do Gênio"

Obra entrelaça a vida e o trabalho do dramaturgo com a banda de Liverpool.

segunda-feira, 27 de setembro de 2021

O que poderia unir histórias tão díspares quanto as de Shakespeare e dos Beatles? Com uma perspicácia impressionante, o advogado José Roberto de Castro Neves coloca lado a lado as produções desses dois marcos da cultura e descobre, nelas, um padrão comum. Conheça a obra "Shakespeare e os Beatles - O Caminho do Gênio" (Nova Fronteira - 239p.)

(Imagem: Arte Migalhas)

(Imagem: Arte Migalhas)

Escrita de forma ágil e divertida, a obra traça paralelos, encontra convergências e propõe reflexões acerca desses monstros da cultura inglesa e mundial.

Na busca por um denominador comum que aproxima seus personagens, Castro Neves sacode a poeira da erudição que a academia depositou ao longo dos séculos sobre o Bardo e, em sentido oposto, atravessa o nevoeiro da cultura pop comercial rumo à densidade poética e intelectual dos Fab Four, para além da fase "reis do iê-iê-iê". "Há algum tempo, de fato, percebi que Shakespeare e os Beatles haviam trilhado caminhos comuns. Não se trata de uma tese, mas de uma declaração de amor. Curiosamente, não percebi isso olhando para eles, mas olhando para mim mesmo, numa viagem introspectiva. É a essa mesma viagem que convido o leitor", escreve ele na introdução do livro. 

Para pegar o embalo necessário até a velocidade de cruzeiro, a obra inclui minibiografias de Shakespeare (1564-1616) e dos Beatles (1960-1970), contexto histórico-social em que os perfilados surgiram e atuaram e discorre, em tom ensaístico, sobre a questão da genialidade na arte. Sem titubear, o autor crava uma premissa básica: o Bardo e o quarteto (ele os trata como uma coisa única) foram gênios. Ponto final.

Castro Neves também mostra que um fermento artístico muito parecido com o do período elisabetano, do final do século 16, usado nos finos biscoitos do dramaturgo e poeta, também faz crescer o bolo dos quatro rapazes de Liverpool, John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr, em meados do século 20. Foi o fermento da educação e da liberdade, resguardadas as devidas proporções históricas. 

Feitas essas considerações, a partir desse ponto, o autor coloca em pé o grande feito de seu livro, investigar e apontar as semelhanças entre o percurso criativo de Shakespeare e dos Beatles, até formarem suas obras monumentais e saírem de cena para entrarem na eternidade artística: o aprendizado, a juventude, a construção da entidade e as três fases finais, denominadas por ele de Melancolia, Maturidade e Despedida.

As trajetórias e suas convergências são ilustradas pelas peças do Bardo e os álbuns do quarteto fantástico. Em linhas gerais, as obras da juventude (peças e álbuns fonográficos) estão encharcadas pela influência de outros artistas, predecessores e contemporâneos aos perfilados no livro. No caso de Shakespeare, os dramaturgos Christopher Marlowe (1564-1593) e Thomas Kyd (1558-1594); no dos Beatles, Chuck Berry (1926-2017), Buddy Holly (1936-1959) e Roy Orbison (1936-1988). São dessa fase, segundo o livro, sucessos shakespearianos como A Megera Domada, A Comédia dos Erros e Tito Andrônico. Do lado do quarteto, o estrondoso Please Please Me. 

A transcendência dos Beatles e de Shakespeare é tamanha que Castro Neves chega a perguntar: eles existiram? No caso do Bardo, a questão faz sentido. Houve uma época em que foi moda afirmar que o nome Shakespeare era, na verdade, uma espécie de pseudônimo usado por diferentes personalidade, como o filósofo Francis Bacon (1561-1626). Castro Neves usa a história para ilustrar a dificuldade do mundo em aceitar a genialidade de alguém que nem sequer chegou a cursar uma universidade.

Raciocínio semelhante ele aplica aos rapazes de Liverpool, com a lenda da morte de McCartney em 1966. O escritor também encontra similaridades em tragédias familiares de Shakespeare e, especialmente, de Lennon. Mostra como a perda do filho impactou a obra do dramaturgo, citada na peça Vida e Morte Prematura do Rei João. Lennon compôs Julia, do Álbum Branco, em homenagem à mãe, de mesmo nome, morta em 1958.

Sobre o autor:

José Roberto de Castro Neves é graduado em Direito pela UERJ, mestre em Direito (LL.M.) pela Universidade de Cambridge, Inglaterra, e doutor em Direito Civil pela UERJ. Professor e advogado. 

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Ganhador:

Adelino de Oliveira Soares, de Porto Alegre/RS

Por: Redação do Migalhas

Atualizado em: 27/9/2021 08:46