MIGALHAS QUENTES

  1. Home >
  2. Quentes >
  3. Após 23 anos, juíza consegue encerrar processo de falência da Olvepar
Duas décadas depois

Após 23 anos, juíza consegue encerrar processo de falência da Olvepar

Plano homologado pela magistrada prevê diferentes formas de recebimento pelos credores.

Da Redação

sexta-feira, 8 de dezembro de 2023

Atualizado às 16:54

Chegou ao fim, após 23 anos, um dos processos mais controversos do Poder Judiciário mato-grossense, envolvendo a falência da empresa Olvepar. A decisão que homologou o plano de realização extraordinária de ativos é da juíza Anglizey Solivan de Oliveira, da vara 1ª vara Cível de Falências e Recuperação Judicial de Cuiabá/MT.

O plano oferece diversas formas de recebimento aos credores, que têm a opção de escolher como desejam receber. Dentre esses meios previstos na decisão, os credores têm a possibilidade de tornarem-se sócios de uma nova empresa ou requerer que a nova empreitada assuma as pendências, comprometendo-se a quitá-las conforme um cronograma pré-definido.

Com uma dívida total avaliada em cerca de 800 milhões de reais e ativos tangíveis e intangíveis na ordem de 400 milhões de reais, a conclusão da ação resultou em uma solução inovadora para pagamento dos credores.

Leia a decisão.

 (Imagem: Freepik)

Após 23 anos, juíza consegue encerrar processo de falência da Olvepar.(Imagem: Freepik)

Pesquisa

De acordo com uma pesquisa realizada em 2022 pela Associação Brasileira de Jurimetria em parceria com o Núcleo de Estudos de Processos de Insolvência da PUC/SP, imóveis de uma massa falida costumam ser vendidos, em média, por 41,7% do valor avaliado, enquanto os direitos imateriais por menos de 5% desse valor.

No entanto, no caso da falência da Olvepar, esses imóveis e direitos foram recebidos pelos credores por 100% do valor da avaliação. Esse resultado proporciona uma maior reserva de recursos para os credores que estão no final da fila de recebimento, os chamados quirografários.

No caso de liquidação ordinária, é provável que os credores quirografários não receberiam nenhum valor, uma vez que, geralmente, constituem a grande maioria dos credores nessa situação.

"Vergonhoso"

O processo em questão já foi muito discutido no Tribunal mato-grossense. Em abril, o Órgão Especial do TJ/MT julgou recurso da Olvepar com relação a uma reintegração de posse em favor da massa falida.

Em setembro de 2022, uma desembargadora suspendeu a reintegração de posse de uma área que pertence à Olvepar, localizada em Clevelândia/PR.

Uma perícia realizada pela Justiça de Mato Grosso apontou que o imóvel tem valor de mercado de R$ 30 milhões, mas a prefeitura da cidade o adquiriu por R$ 163 mil.

O desembargador Orlando Perri se indignou e chamou o caso de "vergonhoso". Ele ressaltou que os atos decisórios proferidos da ação de desapropriação não foram ratificados pelo juízo universal da falência. Assista.

Patrocínio

Patrocínio Migalhas