MIGALHAS QUENTES

  1. Home >
  2. Quentes >
  3. IAB rejeita projeto de lei que obriga advogados a provar origem legal dos honorários
Projeto de lei

IAB rejeita projeto de lei que obriga advogados a provar origem legal dos honorários

Projeto visa alteração de três diferentes legislações.

Da Redação

quinta-feira, 11 de abril de 2024

Atualizado às 15:50

No último dia 10/4, o IAB - Instituto dos Advogados Brasileiros emitiu parecer rejeitando o projeto de lei 3.787/19, que propõe responsabilizar advogados que recebem honorários com origem ilícita. Segundo o parecer aprovado pelo plenário da entidade, a medida vai de encontro aos valores da profissão e às garantias constitucionais.

O projeto de lei, apresentado pela deputada federal Bia Kicis, visa alterar a legislação relacionada aos crimes de lavagem de dinheiro, o Código Penal e o Código de Processo Penal. A proposta equipara o recebimento de honorários advocatícios à receptação qualificada e obriga advogados e escritórios a prestarem informações periódicas ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras ou outro órgão regulador.

O relator do parecer aprovado pelo IAB, Marcelo Almeida Ruivo, destacou que a exigência prevista no projeto enfrenta obstáculos práticos: "A almejada prova que passaria a ser exigência da Lei Processual Penal é de difícil ou de impossível realização prática, ainda que os recursos sejam absolutamente lícitos. De modo que restringe injustificadamente o direito de liberdade, viola a presunção de inocência e inverte o ônus probatório que recai sobre quem alega".

O parecer, discutido pela Comissão de Direito Penal, argumenta que o projeto viola o dever constitucional de proporcionalidade em suas três dimensões: adequação, necessidade e menor gravidade da medida. Ruivo afirmou que, se o objetivo do projeto é ampliar a repressão à lavagem de dinheiro, ele falha na primeira dimensão do dever constitucional.

Além disso, o relator ressaltou que a legislação brasileira já considera infração disciplinar os atos contrários à lei praticados por advogados em benefício de clientes ou terceiros, tornando a medida proposta desnecessária.

Por fim, o parecer aponta que o projeto não apresenta razoabilidade: "A intensa restrição aos direitos fundamentais, como sigilo, ampla defesa e contraditório, em relação à suposta finalidade de prevenção da lavagem de dinheiro, é desproporcional".

 (Imagem: Divulgação IAB - Instituto dos Advogados Brasileiros)

Antonio Vieira Sias(Imagem: Divulgação IAB - Instituto dos Advogados Brasileiros)

O consócio Antonio Vieira Sias, responsável pela indicação do tema ao plenário do IAB, considerou o projeto de lei desnecessário e destacou a impossibilidade dos advogados saberem se os honorários recebidos têm origem lícita ou não. "Forçá-los a informar cada recurso recebido é uma violação do sigilo da advocacia e da confiança entre cliente e advogado", concluiu Sias.

IAB - Instituto dos Advogados Brasileiros

Patrocínio

FREDERICO SOUZA HALABI HORTA MACIEL SOCIEDADE INDIVIDUAL DE ADVOCACIA

FREDERICO SOUZA HALABI HORTA MACIEL SOCIEDADE INDIVIDUAL DE ADVOCACIA

GONSALVES DE RESENDE ADVOGADOS

ATENDIMENTO IMEDIATO

ADRIANA MARTINS SOCIEDADE INDIVIDUAL DE ADVOCACIA
ADRIANA MARTINS SOCIEDADE INDIVIDUAL DE ADVOCACIA

Nosso escritório é formado por uma equipe de advogados especializados, nas áreas mais demandas do direito, como direito civil, trabalhista, previdenciário e família. Assim, produzimos serviços advocatícios e de consultoria jurídica de qualidade, com muito conhecimento técnico e jurídico. A...