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Ingressos online

STJ valida pré-venda e cobrança de taxa de conveniência em shows

Para colegiado, empresas têm liberdade de atuação no mercado da venda de ingressos online e restrições não são abusivas.

Da Redação

terça-feira, 27 de agosto de 2024

Atualizado às 15:29

Por maioria, a 2ª turma do STJ decidiu que empresas que comercializam ingressos de eventos pela internet podem cobrar taxa de conveniência, realizar pré-venda para público restrito e estabelecer pagamento exclusivamente por cartão de crédito.

A decisão foi tomada durante o julgamento do recurso da empresa T4F Entretenimento contra um acórdão do TJ/SP, que havia validado uma autuação do Procon/SP, em 2012, por considerar abusiva a conduta da empresa na comercialização de ingressos para o show da cantora Madonna.

Na sessão desta terça-feira, 27, os ministros acolheram a argumentação apresentada pela advogada Mônica Filgueiras da Silva Galvão, representante da T4F Entretenimento, e seguiram o entendimento do relator, ministro Mauro Campbell, a favor da empresa.

 (Imagem: Freepik)

STJ validou cobrança de taxa de conveniência, pagamento exclusivo por cartão de crédito e pré-venda em plataforma de ingressos online.(Imagem: Freepik)

Taxa de Conveniência

A cobrança da taxa de conveniência, que ocorre quando o consumidor opta por adquirir ingressos pela internet, foi um dos pontos debatidos no caso.

Segundo a advogada da T4F, para eventos de grande porte, é necessário um sistema robusto, seguro e eficaz, capaz de suportar um grande volume de acessos em um curto espaço de tempo. A disponibilização desse serviço impõe custos e riscos ao fornecedor, enquanto proporciona ao consumidor a conveniência de escolher entre comprar o ingresso na bilheteria ou utilizar o sistema online, pagando a taxa.

A causídica argumentou que a T4F informa de forma clara e objetiva acerca da taxa de conveniência, não havendo contestação nos autos quanto à falta de transparência.

Ela também ressaltou que a cobrança da taxa já foi validada anteriormente pela e turmas do STJ, sendo regulamentada por leis em alguns Estados, como no RJ, e referida em legislação que regulou o mercado de entretenimento durante a pandemia de Covid-19.

Ainda, lembrou que pareceres técnicos de juristas como Cláudia Lima Marques, Daniel Sarmento e Ademar Borges, na ação, sustentam a licitude da cobrança, apontando suas vantagens no mercado concorrencial.

Pré-venda de ingressos

Outro aspecto analisado foi a prática de pré-venda de ingressos, em que o fornecedor reserva um pequeno período no início das vendas para clientes de patrocinadores, como foi o caso dos clientes do Banco do Brasil para o show da cantora Madonna.

A advogada explicou que essa prática é comum nos primeiros dias, sendo seguida pela abertura das vendas ao público geral, nas mesmas condições de preços e pagamento.

Segundo ela, a vantagem é concedida aos patrocinadores, essenciais para a realização de grandes shows, e não configura violação ao princípio da isonomia, uma vez que a diferenciação é feita com base em critérios objetivos, como ser cliente do BB.

Pagamento exclusivo por cartão de crédito

O terceiro ponto discutido foi a exigência de pagamento exclusivamente por cartão de crédito nas compras online, sem a disponibilização de outras formas de pagamento, como boleto ou Pix.

A causídica afirmou que a autuação do Procon ocorreu em 2012, época em que essas modalidades de pagamento ainda não eram amplamente utilizadas ou envolviam riscos elevados.

Mesmo atualmente, segundo a advogada, o Pix e o boleto bancário não equivalem a dinheiro vivo, e a obrigatoriedade de oferecer pagamento em dinheiro se aplica apenas a meios presenciais.

Pontuou, ainda, que a T4F, ao operar em um mercado não regulado e altamente competitivo, tem o direito à livre administração de seu negócio, não sendo obrigada a oferecer outras formas de pagamento que não sejam as tradicionalmente aceitas no mercado.

Ao final, a maioria dos ministros seguiu o voto do relator, dando provimento ao REsp da empresa. 

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